
Tiago Mairo Garcia
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Preciso me abrir!; Não vejo saída!; Ninguém me escuta!. Estes são alguns dos sentimentos de quem entra em contato através do número 188 e do outro lado da linha encontra pessoas de coração aberto e dispostas a ouvir com muito amor, empatia e sensibilidade para ajudar quem precisa através de uma palavra de afeto e carinho. Este é o trabalho voluntário realizado pelo CVV (Centro de Valorização da Vida). Fundado em São Paulo no ano de 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal desde 1973, que presta serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo e anonimato.
Em Santa Cruz do Sul, o trabalho do CVV, que é uma franquia social da associação paulista denominada no município como Associação Amigos da Vida de Santa Cruz do Sul, completará 15 anos de atividades no dia 03 de setembro de 2020. A voluntária Naira Lisane Zanette conta que o grupo local surgiu com o objetivo de auxiliar pessoas que necessitassem de ajuda através do telefone. “Hoje contamos com 12 voluntários em nossa Mantenedora, sendo todos estão de forma voluntária. Atendemos através de ligação pelo número 188. Este número é considerado de utilidade pública e no momento que a pessoa ligar, poderá ser atendido em qualquer estado do Brasil. Todo voluntário dispõe de 4h semanais dedicados ao atendimento”, destaca a voluntária.
Por dia, o CVV recebe em torno de 10 mil ligações em todo o país. Entre as causas, pessoas que estão sofrendo diferentes problemas e cogitam até em atentar contra a própria vida. Naira salienta que o grupo fica na linha o tempo que for necessário com a pessoa para ouvir e orientar o melhor caminho a seguir. “Nosso trabalho é feito em acolhimento da outra pessoa, mas também já atendemos diversas ligações de pessoas que pensam em tirar suas vidas. Então, ficamos a disposição dela o tempo necessário, muitas vezes tudo que ela quer é ser ouvida para falar de seus anseios, suas dores, suas dificuldades. Em nossos atendimentos dedicamos tempo integral para ouvir e isto dá conforto para quem precisa de auxílio naquela hora.”, diz a voluntária.
Questionada sobre o tabu existente em se falar sobre o suicídio, a voluntária frisou que a barreira social ainda existe, mas que aos poucos, as pessoas estão se conscientizando de que é preciso observar um ou outro. “As pessoas dão sinais e é preciso acolher. Em nossos atendimentos ficamos focados em Valorizar a Vida e aprender a praticar a empatia, sermos gratos, zelar um pelo outro, aprender a olhar para si, ter auto estima, buscar novos conhecimentos e evitar ambientes que não são favoráveis para o nosso meio”, salientou.
Sobre o trabalho em Santa Cruz, o grupo atua em uma sala junto ao Corpo de Bombeiros. Sem atendimento presencial, os voluntários recebem ligações, mensagens de chat ou e-mail durante 24 horas por dia, com o serviço disponível de forma gratuita ao público. “Todas as ligações são sigilosas e não questionamos nada, nem de onde ligam ou quem está falando. As pessoas se identificam muitas vezes e dizem de onde falam, mas para nós, voluntários, quem está ligando é um ser humano que precisa de ajuda. Muitas vezes agradecem por estarem vivendo, pois através destas ligações que decidiram viver. E isto é muito gratificante para o grupo de Voluntários”, salientou.
Atualmente a mantenedora local se mantém com doações realizadas pelos próprios voluntários. Naira pede que se a comunidade quiser colaborar e auxiliar o grupo, pode contribuir com doações para a Associação Amigos da Vida de Santa Cruz do Sul (CNPJ: 07.708.503/0001-56) através de depósitos nas contas bancárias da Caixa Econômica Federal (Ag: 0500 Op:013. Conta: 2684-0) ou do Sicredi (Ag: 0156. Conta: 38.249-0). “No CVV temos 52 preceitos e o segundo diz: Se em toda a existência o CVV salvar uma vida, o trabalho se justifica”, finalizou a voluntária.














