Cristiano Silva
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Cristiano Silva
Joca Silva cria desenhos e embeleza mateadas e eventos pela cidade
O chimarrão é a verdadeira bebida característica do gaúcho. Doce, amargo, com chá, puro. O fato é que a bebida é tradicional na maioria das casas no Rio Grande do Sul. Historicamente criada pelos índios guaranis que a chamavam de caá-y (água de erva saborosa), foi rapidamente absorvida pelos conquistadores espanhóis por volta de 1550 e expandiu-se por diversos países da América do Sul.
Hoje é tomado no Brasil em estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e em partes do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, bem como em locais da Bolívia e Chile e em todo o Uruguai, Argentina e Paraguai, neste último onde é tomado frio, sendo conhecido como tererê.
Como bom gaúcho que é, Joacir Rosa da Silva, mais conhecido por Joca, toma o seu bom chimarrão desde criança, porém, de uns anos pra cá, resolveu desenvolver um trabalho artístico dentro do consumo da bebida. “Vim morar em Santa Cruz há 13 anos e tive a oportunidade de visitar uma Fenachim seis anos atrás, a festa do chimarrão de Venâncio Aires. Mesmo sabendo fazer o mate e tomando desde criança, me deparei com a Escola do Chimarrão. Achei muito interessante aquele trabalho artístico que as pessoas realizavam na erva-mate, criando imagens e tudo mais. Fiz algumas perguntas, me explicaram algumas coisas básicas, e então comecei a criar o meu trabalho” destaca Joca, que revela ter começado a efetivamente preparar o chimarrão artístico nas edições da Semana Farroupilha de Santa Cruz do Sul que se sucederam pós Fenachim.
“Fiz também em alguns rodeios gaúchos no Parque de Eventos e aí tive a oportunidade de, sendo em um local aberto, fazer também outras atividades como o fogo de chão, pão de panela e café de cambona” enfatiza Joca, que revela, por questão de logística, ter se focado mais na produção do chimarrão artístico ultimamente. “Até faço as outras atividades eventualmente, mas não é sempre que dá pra fazer pela questão do local”.
GALPÃO CRIOULO
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Granulado colorido é usado por Joca para produzir
artes como a bandeira gaúcha
Para destacar ainda mais o seu trabalho, em uma forma de dar mais característica gaúcha, Joca criou um galpão. “Eu mesmo construí um cenário gaúcho há uns quatro anos, uma miniatura de galpão crioulo, pra poder dar mais característica e deixar mais completo o trabalho. Ele é muito rápido de montar, demora apenas 10 minutos. Só encaixar os parafusos e está pronto” destaca o tradicionalista, que inclusive faz alguns trabalhos para empresas.
“Fiz o trabalho artístico na erva dentro da fábrica da Mor para os funcionários, no evento de lançamento das novas garrafas térmicas da empresa. Fiz o trabalho para a Afubra também” comenta. Sobre os desenhos feitos na erva colocada na cuia do chimarrão, Joca revela criar alguns em meio aos que aprendeu na Escola do Chimarrão. “Comecei fazendo o que vi lá. Desenhos como a ferradura, roda de carroça, o formigueiro, coração, esses aprendi na Escola do Chimarrão. Depois comecei a criar meus próprio desenhos. Faço a cabeça de um cavalo que, diga-se de passagem, é um dos que mais chama a atenção do público, a bandeira gaúcha, a canga, a faca, chaleira, entre outros. Vou criando os desenhos na hora e, dependendo da forma, até uma logo marca de uma empresa eu faço” ressalta Joca
E em se tratando de materiais, revela não precisar mais do que uma pazinha de madeira, uma colher pequena de café e uma pequena faca para produzir os seus desenhos. “Muitas pessoas perguntam se tenho uma forminha pra vender dos desenhos, aí tenho que explicar que faço a mão com alguns instrumentos. Algumas pessoas também colocam o dedo na arte pra ver se é da erva mesmo” destaca o gaúcho.
PURO E VERDADEIRO
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Pazinha de madeira, colher e faca são os únicos instrumentos
que Joca utiliza para produzir as artes na erva
Sobre as mateadas, além de fazer o trabalho artístico e servir a erva e água quente, Joca ensina a fazer o mate de modos bem fáceis para os que não sabem, e engana-se quem pensa que a maioria dos gaúchos sabe preparar o chimarrão.
“As pessoas ficam interessadas no trabalho artístico, comentam, fazem perguntas, eu explico, faço na hora, e a grande maioria dos eventos que eu faço, as pessoas querem saber e aprender a fazer o chimarrão tradicional, que muitas reclamam que gostam, mas dependem de alguém pra fazer” destaca Joca, revelando que 60% a 80% das pessoas que o procuram em mateadas e outros eventos, querem é aprender a fazer um chimarrão, que segundo o tradicionalista, em seu gosto, não se deve acrescentar nada além da erva, bomba, água quente e a cuia.
“O verdadeiro chimarrão é aquele puro, com uma erva boa, uma cuia bem higienizada e bomba. Não gosto de colocar chás ou mesmo a ‘camisinha’ aquela colocada na bomba, pois ambos tiram um pouco do gosto verdadeiro e puro do chimarrão” finaliza o gaúcho.
Então, para quem encontrar Joca nas mateadas, feiras e eventos tradicionalistas, além de aprende a fazer, poderá tomar um chimarrão puro e verdadeiro, além de apreciar um trabalho artístico de grande qualidade.














