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Quando o cinema se encontra com a poesia

Cristiano Silva
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Divulgação/RJ

Película do diretor espanhol Julio Medem constrói uma extraordinária mescla
de comédia e tragédia, com narrativa circular, complexa e refinada
 
Palíndromo. O significado dessa palavra enigmática é a chave para compreender o mais poético trabalho do diretor espanhol Julio Medem, intitulado “Os Amantes do Círculo Polar”, que entra em cartaz na Sessão Amigos do Cinema de amanhã, 19 de novembro, às 20h, no Auditório do Sindibancários (Sete de Setembro, 489). O filme que levantou as sobrancelhas dos amantes de cinema para a obra do cineasta é um palíndromo cheio de palíndromos. Complicado entender o raciocínio? Calma que a gente chega lá. Um palíndromo é, na definição clássica, uma palavra que se pode ler tanto de frente para trás, no sentido normal, quando de trás para frente, em sentido inverso. E é assim que começa “Os Amantes do Círculo Polar”: pelo final.
O casal que protagoniza “Os Amantes do Círculo Polar” também preenche perfeitamente a definição. Otto e Ana são seus nomes. Eles se conhecem na escola, ainda na infância. Em dois deliciosos episódios fortuitos, que envolvem uma bola e aviõezinhos de papel, as duas crianças se apaixonam uma pela outra, sem que um saiba do sentimento do outro. Eles mal se falam; apenas se olham, enamorados, mas sem coragem de se aproximar. Uma coincidência, no entanto, vai reuni-los: o pai de Otto, Álvaro, e a mãe de Ana, Olga, se casam. Os dois passam, então, a serem criados na mesma casa, como irmãos.
 
IDAS E VINDAS
 
Divulgação/RJ

Filme “Os Amantes do Círculo Polar” apresenta
a história dos personagens Ana e Otto
 
Esse é o princípio de uma envolvente história de amor, que atravessará duas décadas repletas de altos e baixos; ou melhor, cheias de idas e vindas. A teoria de Julio Medem, característica principal que atravessa vários trabalhos que dirigiu, é a essência de “Os Amantes do Círculo Polar”: a vida transcorre de forma circular. Ela é feita de ciclos. Medos, amores, ciúmes, tudo isso vai e vem, regido pelo destino, por uma lei aleatória de encontros e desencontros. Os dois personagens pressentem e aceitam isso. “Eu poderia contar toda a minha vida como um trem de coincidências”, explica Ana, em certo momento. Otto vai mais longe: “A vida tem muitos ciclos”. A maior pista do quebra-cabeça montado por Julio Medem está nos nomes dos personagens. Otto e Ana são dois palíndromos, como ambos percebem. Desde crianças, os dois parecem compreender que seus destinos estão entrelaçados. Manipulando todos esses elementos, Julio Medem constrói uma extraordinária mescla de comédia e tragédia, com narrativa circular, complexa e refinada.  O filme “Os Amantes do Círculo Polar”, que recebeu vários prêmios, entre eles o de Melhor Filme Latino pelo Júri Popular em Gramado, e dois prêmios Goya em 1999, será apresentado às 20h de amanhã, 19 de novembro, e tem entrada gratuita.