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Rally: uma bela experiência

Ignacio Blanco

Fernanda e Paulo Menezes com o Bel Air de 1954: serenidade guiando um carro firme e forte
 
Nelson Treglia
 
A reportagem do Riovale viveu uma nova experiência no último sábado, 24 de agosto. O jornal acompanhou o 13º Rally Internacional, organizado pelo Classic Car Club do Rio Grande do Sul. Entre os diversos carros antigos da competição, acompanhamos a prova num Chevrolet Bel Air, modelo 1954, pilotado por Paulo Menezes, ao lado de sua esposa Fernanda, que exerceu o papel de navegadora.
O casal reside em Porto Alegre e competiu no carro número 2 da prova. O rally teve sua primeira parte na sexta-feira, quando os competidores largaram em Porto Alegre e chegaram a Santa Cruz. Na segunda parte, durante o sábado, a prova iniciou pela manhã. Cada carro tinha um horário específico para sua largada. O Bel Air de Paulo e Fernanda largou às 10h02min, em frente ao pórtico do Parque da Oktoberfest.
Pouco antes da largada, Paulo destacou o aspecto de confraternização do evento. Afinal, são apaixonados por carros antigos e pela disputa do rally que se encontram nesta competição. O interesse em comum desperta amizades. Nos dias do evento, almoçam e jantam juntos, conversam, se divertem.
Mas, quando acontece a largada, a disputa começa pra valer. Como se trata de uma prova de regularidade, e não de velocidade, é preciso estar atento para cumprir tempos o mais próximo da exatidão. Ou até mesmo ser exato, pra não perder muitos pontos ao longo do evento. Há lugares que devem ser percorridos em momentos específicos. São os chamados pontos de controle. Atrasar-se ou adiantar-se, determina a perda de pontos. Cada segundo é decisivo. Mas, conforme as regras da competição, alguns pontos perdidos no atraso ainda podem ser descartados, abrindo mais chances de uma melhor colocação.
O destino era a Lagoa da Harmonia, em Teutônia. E até lá, muita chuva pela frente. Além disso, nas estradas percorridas, todas asfaltadas, as regras de trânsito e os limites de velocidade devem ser respeitados. Mas, como se trata de veículos antigos, Paulo acrescenta: “Os limites do carro devem ser respeitados também”.
O Bel Air de 1954, muito bem conservado, mostra-se firme e seguro o tempo todo. Paulo Menezes pilota com muita tranquilidade e eficiência, enquanto Fernanda, na função de navegadora, orienta o marido a respeito dos tempos a serem cumpridos, da velocidade a ser executada e dos locais pelos quais o Bel Air deve passar. O desafio é redobrado, pois eles vêm de Porto Alegre e não conhecem os trajetos da região dos Vales.
 
Concentração
 
Fernanda repassa ao piloto as orientações previamente fornecidas pela organização do rally. Uma tarefa que exige muita concentração. Em alguns momentos da prova, quando não há pontos de controle, Paulo e Fernanda contam detalhes do carro e da competição. Uma das curiosidades é que o Bel Air, fabricado nos Estados Unidos, não possui sistema elétrico. Porém, alguns equipamentos atuais, como o tablet, são utilizados durante o rally.
Também é preciso estar atento ao trânsito. Ultrapassar veículos que não integram a competição, faz-se necessário em algumas situações. A bordo do Bel Air, percebe-se as belezas da região dos Vales, a arborização, e as montanhas próximas a Teutônia. Durante o trajeto desde Santa Cruz, passamos por Venâncio Aires, Lajeado e outras localidades. Apesar de um momento difícil, quando perceberam o atraso de alguns segundos, Paulo e Fernanda mantiveram a serenidade. Algumas paradas obrigatórias foram realizadas, o que exige novas largadas, novamente em momentos precisos.
Próximo a Teutônia, longas subidas, e o Bel Air mostra toda sua força. A chegada à Lagoa da Harmonia acontece precisamente às 13h, onde paramos para almoçar no restaurante que fica quase à beira da lagoa.
 
E tem mais…
 
Durante o almoço, a confraternização entre os participantes. Os competidores vieram de São Paulo, Paraná, Argentina e Uruguai, além, é claro, dos gaúchos. Conversas animadas, brincadeiras sobre os carros antigos, confraternização. Os rallies são a chance de integração entre pessoas de diversos lugares. Paulo e Fernanda Menezes contam que já disputam rallies há 13 anos. A filha deles, Maria Luiza, participou da competição em outro carro, na função de navegadora.
Mas, depois do almoço, mais competição. Por volta das 14h30, nova largada. Retorno previsto para o Parque da Oktoberfest. Numa das primeiras paradas, rumo a Santa Cruz, Fernanda conta que ela foi professora do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na mesma universidade, Paulo é professor do Instituto de Informática. “Gostamos muito de Santa Cruz”, diz Fernanda. Ela lembra que Paulo já proferiu uma aula inaugural na Universidade de Santa Cruz do Sul, a Unisc.

Durante o nosso retorno, que também contava pontos para a competição, Paulo Menezes lembra: “Procuramos manter o carro no estado original, com o funcionamento da época em que foi fabricado”. Quando passamos pelo último ponto de controle, entre Lajeado e Venâncio Aires, Fernanda mostra-se aliviada: “Acabou!” E, assim, o Bel Air foi para Santa Cruz, inclusive com o pagamento de pedágios, algo que também havia ocorrido na ida a Teutônia. Na chegada a Santa Cruz, a chuva e o frio persistiam, mas o dever foi cumprido. O Bel Air de 1954 proporcionou uma bela experiência na região dos Vales. E com vitória em sua categoria.