
Sara Rohde
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Teve evento de audiovisual durante a semana no município, tratou-se do Festival Santa Cruz de Cinema. O lançamento oficial ocorreu na noite da última terça-feira, 23, no Auditório da Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc.
Nas três primeiras noites de evento foram exibidos 15 filmes concorrentes na Mostra Competitiva. Após as exibições, teve bate-papo exclusivo com os diretores das obras e convidados. Durante as tardes ocorreram atividades como oficinas, tour e as exibições das demais obras na Mostra Olhares Daqui, Mostra Anima Santa Cruz e Mostra RS.
Para a gerente do Sesc e promotora do Festival, Roberta Pereira, o evento é de suma importância no município e no país, “temos um Festival que trouxe o interesse de 538 realizadores de cinema no Brasil, isso mostra a necessidade que tem no país de eventos como esse”, disse. Roberta ressaltou a relevância da divulgação da arte, da manifestação e da democracia. “O Festival Santa Cruz de Cinema é um evento de resistência da arte, resistência da discussão. Os temas dos filmes mostram a importância do protagonismo da mulher, do protagonismo do negro, de tudo que a arte e o cinema representam para nós e para todos. Defendemos a livre manifestação das pessoas através da arte, e acima de tudo, defendemos a democracia”.
Nesta sexta-feira, 26, haverá oficina e a exibição e estudo de caso do filme “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”, com Léo Garcia. À noite, será realizada a cerimônia de encerramento onde serão conhecidos os vencedores das categorias. A festa de encerramento será realizada após a premiação na Legend Music Bar com animação das bandas Lusco Fusco e Predadores. O evento é uma promoção do SESC, Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e, Pé de Coelho Filmes.
LANÇAMENTO OFICIAL
Durante o lançamento oficial um grande público lotou o auditório. Quem participou pôde assistir aos filmes ‘Acúmulo’, com direção de Gilson Junior; ‘Flecha Dourada’, direção de Cíntia Domit Bittar; ‘Tekoá Koen-Ju’, direção e roteiro de Helena Poetini; ‘O Mar de Helena’, direção de Lucas Vasconcelos; e ‘Cabelo Bom’, com direção de Swahili Vidal e Claudia Alves. Confira a sinopse dos filmes da Mostra Competitiva exibidos durante lançamento:
Acúmulo – Lete passa os dias recolhendo nas ruas tudo o que seu marido carpinteiro pode consertar. Em Nilópolis, no Rio de Janeiro, essa senhora frágil sempre é vista nos mais variados lugares carregando pequenos móveis e objetos quebrados. Na verdade, Lete usa as pedras do caminho para edificar uma realidade repleta de sentido.
Flecha Dourada – Entre socos e paneladas, os lutadores do grupo Flecha Dourada voltam ao ringue depois de 50 anos para reviver a era gloriosa do catch catarinense.
Tekoá Koen-Ju – Produzido através da imersão em uma aldeia indígena de São Miguel das Missões, o documentário “Tekoá Koen-ju” é o resultado da conexão de acadêmicos de audiovisual com indígenas Mbyá-guarani.
O Mar de Helena – Luis trabalha como atendente em um centro de assistência à vida, atendendo telefonemas de pessoas com depressão, solidão e que pensam em suicídio. Por mais que ele passe todos os dias de sua vida ajudando os outros, ele mesmo vive sozinho em sua pequena e triste casa aos sons das brigas dos vizinhos, sirenes policiais e sons urbanos de uma cidade grande. Mas isso, claro, até ele conhecer Helena.
Cabelo Bom – Como as mulheres negras são pressionadas esteticamente para que se enquadrem em padrões pré-estabelecidos? O documentário de curta metragem “Cabelo bom“ propõe fazer um recorte desse universo. O filme dá voz a três personagens que expõe a relação delas e seu cabelo crespo. Elas conseguem contar suas trajetórias de vida, histórias de preconceito e nos mostrar como a autoaceitação de suas raízes, capilares inclusive, foi e é fundamental para se afirmarem como mulheres negras num país como o Brasil.
Durante a semana as seguintes obras foram exibidas, ‘Baunilha’, de Leo Tabosa; ‘Lençol de Inverno’, de Bruno Rubim; ‘Intimidade’, de Fred Luz; ‘O Quebra-cabeça de Sara’, de Allan Ribeiro; ‘Rapaz em Amarelo’, de Lucas Hossoe; ‘Minha mãe, Minha filha’, de Alexandre Estevanato; ‘Telentrega’, de Roberto Burd; ‘Fè Mye Talè’, de Henrique Lahude; ‘O Vestido de Myriam’, de Lucas H. Rossi; ‘Um Corpo Feminino’, de Thais Fernandes. Confira a sinopse:
Baunilha – Olhe a sua volta. Tudo que você vê e toca pode ter o gosto de baunilha.
Lençol de Inverno – José (Roney Villela) é coveiro na cidade grande. Quando seu irmão (Eduardo Dascar), com quem ele não fala há anos, lhe chama de volta a sua cidade natal, para enterrar o pai, José precisa revisitar fantasmas da juventude.
Intimidade – Um mergulho íntimo e sensível. Um convite à vida e ao amor da forma mais intensa que a rotina pode ser.
O Quebra-cabeça de Sara – Em mais um dia de trabalho, Sara junta as peças de seus preconceitos.
Rapaz em Amarelo – Brasil, 1981. Rodolfo sente os tênues quando o jovem Alberto é contratado na pequena Lima Advogados Associados.
Minha mãe, Minha filha – Quando as lembranças se perdem, é preciso começar de novo todos os dias, com amor, pois o amor é parte do que somos e não do que lembramos.
Telentrega – Em uma noite de chuva, Elias aguarda por um transplante cardíaco que poderá salvar a vida do filho.
Fè Mye Talè – Em 1791 uma cerimônia vodu marca o início da revolução negra que tornaria o Haiti o primeiro país independente da América e o primeiro a abolir a escravidão. Em 2016, Phenite emigra para o Brasil. Entre passado, sonhos e o frigorífico onde trabalha, ela tenta encontrar sua liberdade.
O Vestido De Myriam – Numa casa pacata, um casal de idosos segue a vida em silêncio.
Um Corpo Feminino – Quando nomeamos uma coisa, ela perde ou ganha sentido? “Um corpo feminino” propõe um jogo aparentemente simples – pergunta para mulheres de diversas gerações a definição de algo que em teoria as unifica. Parte de um projeto transmídia, o filme é a porta de entrada para uma narrativa que possui muitos pontos de vista e nenhuma resposta certa.














