Viviane Scherer Fetzer
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Com gritos de “Acabou a paz, mexeu na Previdência, mexeu com Satanás”, “Fora, Temer” e “Fora, Sartori”, representantes de diversas entidades estiveram reunidos na manhã desta quarta-feira, 15 de março, em mobilização e paralisação contra as reformas da previdência e trabalhista. Estiveram presentes Cpers Sindicato, Sindicato dos Comerciários, da CSP/Conlutas, da União dos Estudantes Santa-cruzenses (Uesc), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), da Central Única de Trabalhadores (CUT) Regional, do Sindicato dos Metalúrgicos, do Sindicato dos Bancários, do Sintravestuário e do Simpro/RS .
A partir das 9h o grupo esteve reunido na praça Getúlio Vargas, onde as 9h30 o professor universitário Caco Baptista, ministrou uma aula pública sobre a Reforma da Previdência. Em seguida representantes das entidades fizeram uso da palavra antes de seguir em direção à agência do INSS em caminhada pelas ruas Marechal Floriano, 28 de Setembro, Tenente Coronel Brito, Ramiro Barcelos e Ernesto Alves. O encerramento ocorreu em frente a 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE). Após, o CPERS realizou uma plenária com os professores para encaminhar a continuação da greve.

O presidente da União dos Estudantes Santa-Cruzenses (Uesc), Matheus Mello, salientou que “a greve é importante para todos e temos que apoiar os professores, nós entendemos que eles reivindicam uma educação de qualidade para as próximas gerações. Temos que lutar por um conhecimento de qualidade e uma educação de qualidade não esquecer que a educação não é mercadoria”.
Além das entidades também participaram do ato alunos das escolas Goiás, Monte Alverne, Alfredo Kliemann, Felipe Jacobus, Mânica, Rosário, Nossa Senhora de Fátima, Afonso Rabuske, Polivalente de Vera Cruz, Polivalente de Rio Pardo, Pedro Nunes, de Pantano Grande.
Sobre a greve
A greve foi anunciada pelo Cpers Sindicato na semana passada após a Assembleia Estadual. Nesta quarta-feira boa parte do magistério estadual paralisou para participar das manifestações contra a reforma da previdência, que ocorreram em todo o país. A greve da categoria é por tempo indeterminado, mas a previsão das direções é de que as escolas continuem com suas aulas normalmente. A 6ª CRE recomenda que pais e responsáveis entrem em contato direto com as escolas atnes de levarem os filhos para a aula, caso não tenham recebido bilhetes.

O secretário do 18º Núcleo do Cpers, Elbe Belardinelli, que comandou o ato de quarta-feira, explicou alguns pontos ao ‘Riovale Jornal’. Segundo ele, a categoria está em greve, “não foi o Cpers que deflagrou a greve, foi a categoria que decidiu por ela na Assembleia Estadual realizada na semana passada em Porto Alegre”, explicou. As escolas e os professores podem decidir se aderem ou não ao movimento.
Segundo Elbe, faz mais de três anos que os professores não têm reajuste salarial. “Temos o salário parcelado quase todos os meses e também sofremos ataques sistemáticos do governador Sartori para desarmar nosso plano de carreira, desarmar a escola pública, através das várias propostas de emenda a constituição (PEC)”, reforçou Belardinelli. Ele também comentou que é preciso que os professores estejam mobilizados para não perder nenhum dos direitos já adquiridos pela categoria. “Então é isso que está em jogo, além da precarização da escola, uma reforma do ensino médio, temos infinitos motivos para entrar em greve”, salientou.
A respeito da greve o coordenador da 6ª CRE, Luiz Ricardo Pinho de Moura, “consideramos que é um momento inoportuno, levando em consideração o recente início do ano letivo”. A coordenadoria também se preocupa com a questão do transporte escolar, porque há uma parceria com as secretarias municipais de educação para o transporte dos alunos da rede estadual, “a greve pode afetar os alunos na recuperação das aulas depois do fim do ano letivo das escolas municipais, pois os alunos não terão como ir até as escolas para recuperar essas aulas”, reforçou Moura. Ele salientou ainda que o governo pagou o completivo do piso do magistério de 2015 e nos últimos meses de 2016 fez um esforço para pagar as alterações de nível dos professores. Quanto a adesão das escolas a paralisação desta quarta-feira, nas escolas da 6ª CRE 29 paralisaram totalmente, 16 parcialmente e 58 continuaram com as aulas normais. O levantamento quanto a adesão a greve estava sendo feito durante esta quinta-feira.
Durante a plenária realizada em frente a 6ª CRE, muitos professores que estavam presentes ficaram receosos de participar, segundo Elbe, “por causa da CRE, da pressão política, do assédio moral depois nas escolas, então o governo opera dessa forma fazendo com que as pessoas acabem ficando com medo”. Foi feito um debate em frente a Coordenadoria, na terça-feira, às 14h, no Cpers, haverá um conselho geral do 18º Núcleo para decidir o rumo da greve. “Foi muito positivo, muito produtivo, acredito que foi um dia histórico para Santa Cruz e região”, finalizou Elbe.














