VIVIANE SCHERER FETZER
No dia 14 de novembro, Yaundé Narciso, professora de “stiletto” da Academia Sublime, participou do projeto Workshop Brasil, em São Paulo. O evento contou com aulas ministradas pelas dançarinas da cantora Beyoncé e com participantes de todo o Brasil que puderam conhecer as dançarinas e aperfeiçoar seus conhecimentos sobre os estilos de dança. A professora Yaundé participou de três aulas na edição de 2015 do Workshop Brasil. Uma delas foi de “Heels Class”, com a bailarina Kimmie Gee, que é um estilo de dança em cima do salto. Outra de Dance Hall, com Miss Ksyn, com músicas jamaicanas, “com um ritmo mais forte, por ser de origem africana”, explica Narciso. E a última de uma vertente com uma visão atual sobre estilos clássicos como balé e jazz chamada de Contemporary, ministrada por Hanna Douglass.

Yaundé participa do projeto desde 2013, quando em meio às buscas por mais informações sobre o “stiletto”, um estilo pouco conhecido no sul do Brasil, encontrou informações sobre o Workshop e resolveu participar. Na edição de 2013 estava presente Danielle Polanco, que foi uma das coreógrafas da cantora Beyoncé. “O projeto é focado nos estilos que estudo, então todas as edições são importantes e fui no máximo que consegui ir até agora”, salienta Narciso. Eventos como esse são essenciais porque “qualquer tipo de conhecimento seja acadêmico, artístico, ou outros a gente nunca para de aprender, precisamos estar sempre evoluindo”, salienta Narciso.
Segundo Yaundé, o Workshop Brasil é muito importante para os brasileiros, porque não são todos os bailarinos que dispõem de condições para fazer cursos no exterior. “É essencial ter uma porta aberta entre nós dançarinos e quem entende e traz tendências, pois a maioria desses estilos de dança não surgiram no Brasil, eles vêm de fora e ter um contato direto com a fonte, digamos assim, é muito importante”, diz Yaundé. Ela refere a aproximação com as dançarinas de Beyoncé que têm contato direto com a criadora do “stiletto”, Dana Foglia, e com a coreógrafa Danielle Polanco, e que fazem nos shows aquilo que têm de melhor de cada estilo. “Essa proximidade é muito importante pra poder trazer pra Santa Cruz algo que dificilmente aqui se teria conhecimento”, reforça a professora.
Trajetória na dança
Os pais moravam na cidade de Torres e aos dois anos Yaundé fazia aulas de balé. Com a mudança para Santa Cruz passou um tempo sem praticar, voltou para as aulas e praticou dos cinco aos sete anos. Aos oito anos estudava no antigo Colégio Sagrado Coração de Jesus, atual Dom Alberto, e participava das aulas de ginástica rítmica e artística que eram modalidades oferecidas pela escola.
Em 2001, passou a estudar na Escola Educar-se e começou a participar do grupo de dança da escola. Em 2006, aos 16 anos, Yaundé e as colegas de dança fizeram uma apresentação no Festival Integrado de Danças e Ginástica da Unisc. Na ocasião o coreógrafo Junior Soares trouxe um espetáculo de Canoas “e eu e minhas colegas da dança do Educar-se nos encantamos e pensamos que era aquilo que sempre quisemos fazer na vida e não tinha nada parecido aqui em Santa Cruz”, lembra Yaundé. Depois de um tempo começou a dançar no Jef’s Studio de Dança. Saiu de lá e dançou no Open Extreme Brasil. Depois junto com alguns amigos fundou o Coração Urbano, grupo de danças urbanas que devido a compromissos dos integrantes durou três anos, de 2010 a 2013.
Girls Powers
Em setembro de 2015, Yaundé formou um grupo de “stiletto” chamado Girls Powers. Ele é formado pela professora, por uma colega de dança, Márcia Campos e, por duas bailarinas, Juliana Kaercher Tworkowski e Gabriela Scherer Eidt, que são alunas de Yaundé desde quando começou a dar aulas de “stiletto” em 2013. As duas bailarinas foram junto com ela para São Paulo e também participaram do Workshop Brasil. Para Yaundé “é bem bacana, porque elas gostavam do ‘stiletto’ e agora estão tendo como trabalho também devido a essa proximidade que foi criada”. É o primeiro grupo em Santa Cruz do Sul formado só por mulheres e especializado só na dança em cima do salto.














