Viviane Scherer Fetzer
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As conquistas da reforma psiquiátrica passaram a serem legitimadas em 19/02/2002, com a portaria GM336/2002, que regulamenta os CAPS, enquanto serviço do SUS. Os CAPS constituem a principal estratégia do processo da reforma psiquiátrica, pois consistem em acolher usuários com transtornos mentais severos e persistentes, em uma visão interdisciplinar, com o objetivo de valorizar as iniciativas dos usuários em busca de autonomia, protagonismo, promover reintegração social, familiar e cultural em seu território, no espaço da cidade onde se desenvolve a vida dos usuários e familiares.
Em Santa Cruz do Sul a reforma psiquiátrica iniciou em 1997, com a implantação do CAPS, que em 2002 constituiu-se como CAPS II (nomenclatura em função do número de habitantes) e começou a receber verba federal. Conta com equipe multiprofissional (enfermagem, serviço social, psicologia, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico, psiquiatra, recepcionista, servente, vigia e motorista), que trabalha de forma interdisciplinar.

O horário de funcionamento do CAPS II é das 8h às 18h, sem fechar ao meio-dia. Atende o usuário a partir de 18 anos e por ser um serviço especializado, necessita de documento de referência da rede de saúde. No momento em que o usuário chega é acolhido e, aquele que tem o perfil do serviço especializado, terá a construção de um plano terapêutico entre ele e a equipe, em que será inserido em uma das modalidades de atendimento.
No CAPS há três modalidades de atendimento: – o plano intensivo que é destinado aos usuários que necessitam de acompanhamento diário, em função de um quadro agudo; – o plano semi-intensivo que é para aqueles usuários que precisam de acompanhamento frequente, eles vêm ao serviço de uma a três vezes por semana; – o não intensivo é destinado àqueles usuários que tem uma frequência menor, vindo ao serviço apenas algumas vezes ao mês. Este plano terapêutico é dinâmico e vai sendo modificado, conforme a evolução do quadro. Estas modalidades, muitas vezes, evitam a necessidade de internações.
Dentro dessas modalidades de atendimento, os dispositivos oferecidos são: atendimento individual (psiquiátrico, psicoterápico, de enfermagem, de orientações, entre outros); atendimento em grupos (grupos de acolhimento, de psicoterapia, de acompanhamento do tratamento, de autocuidado e de familiares); oficinas terapêuticas (oficina de rádio na rádio comunitária – Programa Papo Cabeça – toda quinta-feira às 12 horas, música, horta e jardinagem, atividade física, produção de bijuterias, culinária, artesanato, criatividade e teatro); visitas e atendimentos domiciliares; atendimentos à família.
Além disso, o CAPS II está inserido em alguns conselhos municipais, no Comitê Municipal de Prevenção ao Suicídio (que busca articulação e estratégia da sociedade civil e gestão pública na prevenção do suicídio), no Grupo Condutor do Fórum Regional de Saúde Mental e na Comissão Municipal de Saúde Mental ligada ao Conselho Municipal de Saúde.
O fortalecimento da rede de saúde é uma prática constante do serviço, visando que o usuário, após a estabilização do quadro, retorne para seu local de moradia e ao serviço, para reavaliações, se necessário. Este trabalho de matriciamento com a rede possibilita que seja encaminhado para o CAPS II, a demanda que realmente necessita de um serviço especializado.
Atualmente são realizados, em torno, de 2000 procedimentos mensais, tendo 11.000 usuários cadastrados. Semanalmente, ingressam ao serviço, aproximadamente, 20 usuários.

Doenças psiquiátricas
Débora Fischer Pattenon – psiquiatra CAPS II
Depressão: transtorno caracterizado por humor deprimido e perda de prazer e interesse em todas as atividades da vida, que dura pelo menos duas semanas. Diferente da tristeza comum, a depressão é persistente e causa prejuízos na vida escolar, profissional, social e familiar da pessoa deprimida, podendo levar ao suicídio se não tratada. Uma pessoa com depressão também pode apresentar: cansaço excessivo; falta de energia; desesperança; irritabilidade; dificuldade de concentração; esquecimentos; isolamento social; baixa autoestima; pessimismo; culpa ou sentimento de inutilidade exagerados; ansiedade; ideias suicidas; alterações no sono, no desejo sexual e no apetite, geralmente diminuídos.
Suicídio: 17% das pessoas no Brasil pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. O suicídio é um comportamento com muitas causas e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais. Os dois principais fatores de risco são: tentativa prévia de suicídio (50% dos que se suicidaram já haviam tentado antes) e a presença de uma doença mental, como as citadas até agora. Sabe-se que quase todos os suicidas sofriam de algum transtorno psiquiátrico, muitas vezes não diagnosticado ou não tratado de forma adequada. Os transtornos mais comuns incluem depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, abuso/dependência de outras drogas, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Portanto, a principal forma de prevenção do suicídio é fazer o tratamento eficaz desses transtornos.














