
Lucca Herzog
Lucca Herzog
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O Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Santa Cruz do Sul (Staf) formalizou ontem uma cooperação técnica com o Instituto BrBiomas, a fim de realizar o estudo de viabilidade de um projeto de pagamento por serviços ecossistêmicos (PSE) no município de Sinimbu. A iniciativa, pioneira na região, contemplará por adesão voluntária até 35 propriedades de agricultores familiares associados ao sindicato, com execução prevista a partir deste mês a fevereiro de 2027.
Na prática, o projeto estuda a possibilidade de remunerar diretamente os produtores por práticas de conservação, como proteção de nascentes, preservação de matas nativas, manejo sustentável do solo e recuperação de áreas degradadas. A área do projeto inclui propriedades localizadas no município de Sinimbu e nas margens do Rio Pardinho, com potenciais corredores ecológicos, corpos d’água, ecossistema de animais e plantas silvestres, como pássaros, abelhas, araucárias, etc.
Se viável, a conservação ambiental deixa de ser dever e passa a ser ativo econômico para quem cuida da terra. Dessa forma, o pagamento por serviços ecossistêmicos se dá então por créditos de biodiversidade, e é estruturado em eixos como a preservação da água, conservação dos solos, proteção da biodiversidade, manejo florestal e recuperação de áreas degradadas.
“Este estudo é o marco inicial para transformar a conservação ambiental em ativo econômico para quem cuida da terra”, destacou Sergio Luiz Reis, presidente do Staf, que atua nos municípios de Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Herveiras e Vale do Sol. “Levando em conta a região escolhida para o estudo, acredito ser possível comprovar que cerca de 50% das propriedades têm uma cobertura de mata nativa e com potencial de ampliação, e a possibilidade de valorização dessas propriedades.”
Para o presidente do Instituto BrBiomas, Vilmar Thomé, o estudo é uma resposta estratégica à necessidade de resiliência ambiental do Vale do Rio Pardo, aliando proteção dos ecossistemas ao desenvolvimento socioeconômico das famílias agricultoras: “Hoje, existem muitas organizações e empresas que investem em projetos ambientais de qualidade”.
Segundo Thomé, ao final dos seis meses de estudo, um relatório técnico de viabilidade será entregue, com as bases financeiras, jurídicas e ambientais para a futura implantação do programa de remuneração. “O estudo de viabilidade é o primeiro passo para transformar a conservação ambiental em renda concreta para as famílias do campo, com base científica, transparência e participação comunitária”, explica.
Durante o período de estudo, estão previstas visitas de campo de equipes técnicas do Instituto BrBiomas, do Staf e da Associação de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), contando com mapeamento georreferenciado, caracterização do uso do solo e oficinas participativas com as famílias agricultoras de Sinimbu. Para o vice-prefeito de Sinimbu, Vanderlei Fredrich, a iniciativa serve como uma resposta e reconhecimento a proprietários que mantêm suas áreas verdes.
“A iniciativa vai ajudar o produtor a ter um benefício pela preservação que ele já faz há tantos anos, e também agregar um valor a sua propriedade e para sua família”, apontou. Além de poder incentivar práticas de baixo carbono, a iniciativa visa também o fortalecimento da responsabilidade social e cultural na região, como a renovaçãoda fonte de renda para a agricultura familiar, o fortalecimento da sucessão familiar no campo, a valorizaçãode saberes tradicionais e a preservaçãoda identidade rural.













