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Tabaco | Fumicultores protestam por preços justos

Mobilização em Santa Cruz do Sul nessa segunda-feira cobra critérios de comercialização

Manifestação mobilizou lideranças regionais e produtores de diversas partes do Estado
Lucca Herzog

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) realizou ontem uma mobilização em defesa dos fumicultores e fumicultoras. Em frente ao Parque da Oktoberfest, a atividade reuniu lideranças sindicais, municipais e produtores de diversas regiões do Estado para tratar das principais pautas do setor, especialmente relacionadas à cadeia produtiva do tabaco e às reivindicações apresentadas pelos agricultores.

O movimento ocorreu em um momento de preocupação no campo diante das dificuldades em relação aos custos de produção, impactos climáticos e preços estipulados na comercialização do tabaco. Para lideranças da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), a comercialização mais lenta e a redução nos valores pagos vêm afetando a saúde financeira dos produtores, resultando em impacto direto nas economias das cidades, reduzindo a quantidade de recursos no comércio e nos serviços.

Segundo as lideranças, há uma insatisfação sobre o valor de comercialização da produção. Conforme Sergio Reis, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Agricultores Familiares de Santa Cruz do Sul, há relatos, inclusive, de pressão sofrida por produtores. “As empresas ameaçam, dizendo que, se não vender agora, na próxima semana o valor vai ser menor ainda. Não tem como dizer que isso tem algum critério de qualidade”, apontou. Segundo ele, essa medida pode impactar significativamente a segurança e a continuidade da produção: “Estamos falando de 15, 20, 30 mil reais a menos na safra. Queremos segurança e transparência”.

Reunião

Em reunião com o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e representantes das empresas do setor, as entidades dos produtores cobraram uma definição de critérios de comercialização e orientações claras de plantio. O encontro foi realizado após a mobilização no Parque da Oktoberfest. A comitiva apontou que, a médio prazo, o impacto da situação atual tende a ser ainda maior, resultando na redução de arrecadação dos municípios.

O presidente da Amprotabaco e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker, afirmou que o cenário já provoca dificuldades para manutenção das propriedades, realização de investimentos e cumprimento de compromissos financeiros no meio rural. “Isso proporcionou uma comercialização mais tardia e vem trazendo reflexos no comércio dos municípios produtores, além da dificuldade em relação à rentabilidade do produtor, manutenção da propriedade, investimentos necessários e cumprimento dos compromissos”, acentuou.

Ele destacou ainda que a mobilização busca preservar o equilíbrio e a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco: “Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio para que todos os elos tenham viabilidade, rentabilidade e manutenção da produção”. Conforme o dirigente, o contexto atual também sofre influência de fatores externos, como o aumento da produção em outros continentes, a maior oferta da safra e a desvalorização do dólar frente ao real.