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Tarifaço dos EUA | Setor do tabaco pede exceção tarifária

Entidades alertam para risco de perda de US$ 100 milhões para o Brasil

Encarecimento do produto pode desviar as compras norte-americanas para outros países
Foto: Divulgação/SindiTabaco/Banco de Imagens RJ

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam, na sexta-feira, 24, carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O documento foi enviado após audiência realizada na quarta, 22, na qual o setor apresentou os impactos da medida e propostas de mitigação.

As entidades destacam a relevância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco, presente em mais de 525 municípios e responsável pela renda de mais de 600 mil pessoas no meio rural. Historicamente, os Estados Unidos ocupavam a terceira posição entre os destinos das exportações brasileiras de tabaco, com cerca de 9% dos embarques. Em 2025, essa participação caiu para 6%.

Segundo dados do MDIC/Secex, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões no ano passado, queda de 23,4% em relação a 2024. No primeiro semestre deste ano, os embarques atingiram US$ 88,8 milhões, retração de 31% frente ao mesmo período de 2025. A carta ressalta que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café e laranja, foram contemplados na lista de exceções, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa. Para o setor, essa diferenciação coloca o produto em desvantagem competitiva.

Caso as tarifas sejam mantidas, compradores norte-americanos devem buscar fornecedores em países africanos, como Zimbábue e Malaui, ampliando o risco de perda de aproximadamente US$ 100 milhões em exportações brasileiras. O impacto, segundo as entidades, deve atingir especialmente os pequenos produtores de tabaco Burley, variedade com mercado concentrado nos Estados Unidos. Além da produção e do emprego, a arrecadação municipal também seria afetada.

No ofício, SindiTabaco e Abifumo solicitam a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus derivados, na lista de exceções. As entidades reforçam que permanecem à disposição do governo para contribuir tecnicamente na busca de uma solução que preserve a competitividade das exportações brasileiras e minimize os impactos econômicos e sociais da medida.