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Um olhar diferente na câmera e na vida

LUANA CIECELSKI
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Através da lente de uma câmera fotográfica o mundo pode ser visto de uma forma diferente. São novos ângulos, novas perspectivas, novas cores. E não apenas nos registros feitos através do click do botão, mas também na vida de quem está por trás dessas lentes. E foi justamente pensando nessas possibilidades proporcionadas pelas câmeras fotográficas que durante o ano de 2017 foi realizada uma oficina de fotografia com as crianças de jovens atendidas no Centro de Atendimento Psicossocial da Infância e Adolescência (CAPSIA). E com base nessa oficina, na última terça-feira, dia 9 de janeiro, teve início a exposição “Click: Percepções através do Olhar”. 

A exposição promovida pela Secretaria de Saúde e pelo Departamento de Cultura está à disposição da comunidade no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz, junto à Antiga Estação Férrea e traz imagens feitas e editadas pelos próprios jovens. São cenas do cotidiano deles. Cenários de brincadeiras, conversas entre amigos, lugares pelos quais eles passam diariamente. São fotografias que ilustram também sentimentos. 

Fotos foram tiradas e editadas pelos jovens e ilustram momentos importantes e cenas do cotidiano

De acordo com a terapeuta ocupacional Daniela Gruendling, responsável pelo projeto, a oficina iniciou em agosto com encontros semanais e teve como objetivo justamente mudar o olhar das crianças que passam por tratamento no centro. “Queríamos que as crianças vissem o mundo de uma forma diferente”, ela explica. Esse tipo de atividade, ela aponta ainda, foi uma estratégia coletiva de cuidado, para promover interação e socialização. 

Uma das fotógrafas voluntárias do projeto, Daiana Fuelber, através da qual as aulas de fotografia foram possíveis, concorda que a experiência foi cheia de benefícios para ambos os lados. “As oficinas foram momentos de muita conversa, porque eles precisavam disso e gostavam de conversar. Nesses momentos sempre buscávamos explorar muito essa questão da visão diferente. E acho que isso pode ter ajudado no lado pessoal, nessa coisa de ver um problema de outra forma”, ela conta. “Além disso, para o meu lado pessoal foi fantástico também”. 

Além de Daiana, também fizeram parte do projeto a estagiária da terapia ocupacional, Marília Willms e a fotógrafa Kathiely Watte. Elas buscaram ensinar aos participantes sobre a profissão de fotógrafo, mostrando câmeras de diferentes épocas e deram a eles lições de fotografias ilustrando modos de captar não só momentos especiais, como também do cotidiano. “Falamos, por exemplo, sobre parte estética da fotografia, ressaltando que ela é importante, mas que não se deve deixar de fazer o registro de um momento importante pensando só nisso”, conta Daiana. 

A maior parte das fotos, conforme relatam as fotógrafas foram feitas com os smartphones dos participantes. “É claro que em algum momento eles tiveram vontade de conhecer uma câmera e utilizá-la, mas hoje em dia boas fotos podem ser feitas sem um equipamento profissional”, ela aponta. “Além disso, o foco da oficina era o olhar, muito mais do que a técnica ou a qualidade de resolução da fotografia”. O resultado que pode ser conferido no Centro de Cultura mostra, porém, que todos eles se saíram muito bem. 

O projeto, de acordo com a terapeuta Daniela, deverá ser permanente, e terá como objetivo realizar novas exposições e parcerias, promovendo protagonismo dos usuários, autoconhecimento e autovalorização através do fazer e compartilhar. Nessa primeira edição da oficina, participaram jovens entre 10 e 17 anos. Nas próximas edições, as oficinas serão ainda mais abertas aos jovens que manifestarem interesse de participar. “Os pacientes que a gente achar que vão aproveitar bem, que vão se desenvolver, a gente sugere a participação”. 

A exposição ficará aberta para a comunidade até o dia 30 de janeiro. A Casa de Cultura permanece aberta de segundas à sextas, das 8h às 17 horas, sem fechar ao meio dia.