Rosibel Fagundes
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A partir de setembro quem fizer a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), estará isento do uso de simulador de direção veicular no processo de formação de condutores, para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, 17.
De acordo com o proprietário dos CFCs Celso do Centro e do Arroio Grande, Celso Esperidião a nova regra reduz a carga horária de 25 para 20 horas práticas e torna o uso do simulador facultativo. “Se o condutor optar por usar o simulador poderá fazer até 5 horas-aula no equipamento. No entanto, são 15 horas obrigatórias no veículo. Ele poderá fazer 20 horas no veículo ou, no mínimo, 15 horas no veículo, complementando com 5 horas no simulador”, afirmou. O prazo para a implementação da nova regra é de 90 dias, contados a partir de segunda – data em que a matéria foi publicada no Diário Oficial. Além reduzir a burocracia, a medida visa ainda baixar o custo da CNH, que atualmente é de R$ 2.270,00 e com a redução de 5 aulas do simulador que deixam de ser obrigatórias, será R$ 315,00 a menos que o condutor terá que desembolsar.
Para o empresário, a não obrigatoriedade do simulador é vista como um retrocesso. “A gente lamenta este retrocesso no processo de formação de condutores, uma vez que existem várias entidades que trabalham não só para formar ou habilitar o cidadão, mas no sentido de reduzir acidentes. A gente está vendo tudo isso como uma perda para o candidato. Vai atrapalhar o processo principalmente para aqueles candidatos que não possuem nenhuma instrução. O aparelho consegue dar noções de instrumentos do painel, do posicionamento das vias, além do controle dos pedais e outros. Eu lamento muito mesmo, por que estas mudanças que afrouxam a forma de se fazer habilitação, a forma de renovar a CNH poderá consequentemente trazer riscos com acidentes gravíssimos”, justificou Celso Esperidião. O empresário revelou ainda que os centros de formação investiram pesado para comprar os simuladores e, se deixarem de ser obrigatórios irão trazer prejuízos financeiros para os empresários. Nos dois CFCS que ele possui, foram investidos cerca de R$ 220 mil na aquisição de dois simuladores.
Recentemente o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que preside o Contran, afirmou que o simulador não teria eficácia comprovada. “Ninguém conseguiu demonstrar que isso tem importância para formação do condutor. Nos países ao redor do mundo, ele não é obrigatório, em países com excelentes níveis de segurança no trânsito também não há essa obrigatoriedade. Então, não há prejuízo para a formação do condutor”.
Para o especialista em Trânsito e professor em Legislação, Tenente Coronel Ordeli Savedra Gomes, o uso do simulador passa a ser opcional tanto para o aluno quanto para as CFCs. “Com a retirada da obrigatoriedade, os alunos poderão aderir ou não ao dispositivo, assim como as autoescolas que também poderão fazer a escolha”. Ainda segundo ele, o simulador possui uma questão de entendimento muito diverso, “existem pessoas que acham ele muito importante, já tem outras que acreditam que ele não tem a menor eficácia. E diante de tantas dúvidas, o Contran deixou a opção de uso e também organizou a questão da metodologia das horas aula o que é muito válido. Sabe-se que o simulador em alguns estados embora com a exigência, nem chegou a funcionar ou se quer existir. O RS foi um dos estados pioneiros a começar a usar o dispositivo. Na época que eu fiz carteira não usei, e isso não mudou nada na forma de eu dirigir. Então, eu acredito que o uso do simulador pode ter um significado diferente para cada pessoa. Aquelas que nunca dirigiram um carro e não conhecem vão optar pelo simulador, já os que possuem domínio para dirigir vão querer ir direto para a aula prática”, justificou o especialista.














