
Foto: Rodrigo Assmann
A edição de abril da reunião-almoço Tá na Hora, realizada nesta terça-feira (14), trouxe a Santa Cruz do Sul o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado Alessandro Maciel Lopes. Sob o tema “Segurança e Desenvolvimento”, Lopes apresentou uma análise profunda sobre como a criminalidade organizada afeta diretamente o crescimento econômico do país. Promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) do município, o evento, realizado no restaurante do Hotel Águas Claras, reuniu autoridades e lideranças empresariais do município e da região.
Durante sua fala, o delegado enfatizou que o desenvolvimento duradouro é impossível em ambientes sem estabilidade. Para Lopes, a segurança não deve ser vista apenas sob a ótica da redução de crimes violentos, mas sim como uma garantia institucional, jurídica, fiscal e cibernética.
Ele argumentou que o crime organizado é, fundamentalmente, um problema econômico que distorce o mercado por meio do contrabando e da sonegação, gerando concorrência desleal e alimentando o chamado “Risco Brasil”. “O que chamamos de ‘Risco Brasil’ passa muito pela nossa capacidade de garantir que as regras do jogo sejam cumpridas”, afirmou o superintendente.
O foco na descapitalização
Um dos pontos centrais da apresentação foi a estratégia da Polícia Federal de focar na descapitalização das organizações criminosas. Segundo os dados apresentados, em 2022, a Polícia Federal recuperou aproximadamente R$ 3 bilhões em ativos. Já no ano de 2025, esse número saltou para R$ 11 bilhões.
O delegado explicou que esse montante recuperado é essencial para que o Estado possa reinvestir em políticas de prevenção, como educação e urbanismo, que diminuem a base de recrutamento do crime.
Lopes também convocou o empresariado a assumir sua responsabilidade na segurança pública através de práticas de compliance e governança. “Empresas que recusam produtos de origem duvidosa e adotam uma postura de integridade e governança ajudam a sufocar o crime organizado”, pontuou.
Ações regionais
Além do panorama nacional, o superintendente mencionou projetos específicos voltados para a região de Santa Cruz do Sul, com foco especial no combate ao contrabando, reforçando o compromisso da Polícia Federal com a segurança na fronteira e o desenvolvimento local.
Evento consolidado
O presidente da ACI de Santa Cruz, Marco Antônio Borba, destacou em sua fala a estratégia da atual gestão de aproximar as autoridades locais da entidade e a importância do Tá na Hora nesse processo. “A intenção da ACI é usar esse espaço para discutir temas ligados ao município e região com representantes de diferentes instituições, públicas e privadas, para construir uma visão de desenvolvimento integrado”, afirmou.
Em seu nono ano de edição consecutiva, o Tá na Hora é uma iniciativa da ACI Santa Cruz já consolidada na programação de eventos da região. A reunião-almoço conta com o patrocínio Sicredi, BRDE, BAT, Philip Morris, Banrisul/Vero, Unimed, Gazeta, Unisc, JTI e Universal Leaf.














