Início Geral 8 mil agricultores vão às ruas em protesto

8 mil agricultores vão às ruas em protesto

LUANA CIECELSKI
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Entoando rimas como “agricultor na rua, governo a culpa é tua”. Assim os trabalhadores rurais de mais de 200 cidades do Rio Grande do Sul protestaram nas ruas de Santa Cruz do Sul na última terça-feira, 21 de fevereiro. Organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS) com o apoio das regionais sindicais e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) o movimento reuniu cerca de 8 mil manifestantes. 

 Cerca de 8 mil pessoas se reuniram em frente ao Parque da Oktoberfest e percorreram as ruas da cidade na última terça-feira

O principal motivo que levou os manifestantes às ruas são as mudanças que a Reforma da Previdência está propondo para o setor rural. A mudança na idade mínima para a aposentadoria foi uma das mais citadas durante a manifestação. Atualmente ela é de 55 anos para mulheres e 60 para os homens, porém, com a reforma ela poderá passar a ser de 65 anos para ambos. 

Outra das propostas que preocupa é em relação à contribuição para a Previdência. Atualmente ela é feita através da venda dos produtos – a empresa compradora desconta 2,1% e recolhe para o INSS e esse valor serve para comprovar o trabalho de toda a família. A PEC propõe, no entanto, que a contribuição passe a ser individual. 

Procurando mostrar seu desagrado com essas propostas, o grupo iniciou a manifestação em frente ao Parque da Oktoberfest onde foi feita a concentração e onde autoridades do setor se manifestaram. Em seguida o grupo saiu em caminhada pelas ruas centrais, passando pelo Monumento do Imigrante, seguindo pela rua Marechal Deodoro até a sede do STR em Santa Cruz, e depois seguindo pela rua Ramiro Barcelos até a sede do INSS. Na frente do Sinditabaco, do STR e do INSS a caminhada teve pausas para que atos de manifestação fossem realizados. 

Com faixas, cartazes e cantos, agricultores clamaram por seus direitos

Durante todo o trajeto, gritos, canções, rimas e cartazes procuraram mostrar às autoridades e à comunidade em geral, o ponto de vista dos agricultores. “Mulheres querem o salário em vida, não no caixão”, “Direitos conquistados, jamais serão tirados”, “Nenhum direito a menos”, “O presidente se aposentou com 55 anos, por que eu tenho que me aposentar com 65?” “O agricultor familiar não vai pagar a conta da corrupção”, “O déficit da previdência não é culpa do agricultor”, diziam os manifestantes.

As autoridades também se manifestaram. Entre elas o deputado federal Heitor Schuch, que é titular da Comissão Especial sobre a reforma na Câmara dos Deputados. Ele lembrou que possui 30 anos de experiência com movimentos sindicais rurais e disse não ter saudade do tempo em que os agricultores homens ganhavam apenas meio salário de aposentadoria e as mulheres recebiam algo apenas na viuvez. “Eu estou lá no meio ouvindo o que eles falam e dói quando eles dizem que dá pra cortar a aposentadoria dos agricultores porque eles trabalham quando querem, não batem ponto, quando chove ficam em casa, quando tem sol ficam também. Eles nem imaginam que os agricultores trabalham sábados, domingos e feriados para colocar comida na mesa deles”, declarou.

Heitor também falou sobre o trabalho que está fazendo para tentar derrubar essa proposta em Brasília. “Eu vou trabalhar para conseguir as assinaturas necessárias para que sejam discutidas essas propostas. Paralelamente a esse protesto há sindicalistas percorrendo os gabinetes parlamentares, angariando apoio contra as medidas”, destacou. “Ninguém vai mexer nos direitos dos agricultores. A gente tem que mudar as regras para aqueles que se aposentam cedo e ganhando muito dinheiro, como é o caso do presidente Michel Temer que se aposentou aos 53 anos, com R$ 23 mil. O Temer tem que abrir mão dessa aposentadoria, não os agricultores”. 

Chamado às ruas
Ainda em sua fala o deputado federal Heitor Schuch destacou a importância das manifestações como forma de expressão de opinião. “O grito dos agricultores precisa ecoar em Brasília, para que o Congresso saiba dos prejuízos irreversíveis para o campo se a proposta for aprovada como está”, disse. 

Em entrevista ao ‘Riovale Jornal’, Schuch apontou porém, que em sua opinião falta a mobilização do homem urbano pra que se consiga atingir os objetivos. “As chances de isso dar certo vão depender do tamanho da mobilização popular. Eu estou vendo que o pessoal rural está muito mobilizado, mas os urbanos não. E os urbanos precisam se mobilizar um pouco mais, se não nós não vamos conseguir segurar isso”, disse Heitor, lembrando que a Reforma da Previdência não afetará apenas os agricultores, mas toda a população.