
Nelson Treglia
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A agricultura é um setor de grande relevância para o país, e também para Santa Cruz do Sul. No governo municipal, o secretário da pasta de Agricultura é Elo Schneiders, que fez um balanço da sua gestão em conversa com a reportagem do ‘Riovale Jornal’, ao lado de Moisés Mora, técnico agrícola, e Marco Alves, engenheiro agrícola, que trabalham na Secretaria.
Elo faz um balanço que considera “positivo” de seu trabalho na Secretaria de Agricultura, que iniciou há um ano e meio. Elo Schneiders assumiu a Secretaria a pedido do prefeito Telmo Kirst. O secretário chegou ao seu sétimo mandato como vereador, e seus mandatos anteriores foram direcionados ao interior. “Já conhecia a equipe da Secretaria”, lembra.
À frente do trabalho realizado pela Secretaria, Elo realça a aceitação que o governo de Telmo tem recebido, e diz que isso cria uma responsabilidade a mais para a pasta da Agricultura, pois ela faz parte do contexto do governo e tem o compromisso de cumprir com a expectativa da população.
Segundo o secretário, o tempo colaborou com o trabalho da Secretaria neste período de um ano e meio. Porém, Elo Schneiders destacou que, nas últimas semanas, o tempo foi ruim: “Não conseguimos trabalhar do jeito que gostaríamos”.
O secretário lembra que, em sua gestão, foram executados muitos serviços nas propriedades rurais. A área da piscicultura é uma das prioridades da sua gestão. Um abatedouro de peixes está sendo preparado e será administrado pela Associação dos Piscicultores. “Existe um campo muito grande para avançar na área da piscicultura”, explica.
Na última Feira do Peixe, realizada na Semana Santa, deixou-se de comercializar quatro toneladas do produto por falta do mesmo. “Isso não pode se repetir para o ano que vem”, projeta Elo. “Desde o ano passado, estamos disponibilizando maquinário para manutenção dos açudes já existentes e para abrir novos açudes”, informa o secretário.
De acordo com Elo Schneiders, em Santa Cruz, são consumidas, por ano, duzentas toneladas de peixe. A produção no município é de 60 toneladas. “Se nós não temos o produto, o produto vem de fora”, ressalta o secretário. Elo diz que o produto santa-cruzense é de “excelente qualidade”, reconhecido pelo consumidor. “Já temos produtores de ponta e outros estão se associando”, complementa.
Em 2019, na Semana Santa, devem ser comercializadas mais de 20 toneladas, em dois dias de feira. “Nas feiras tradicionais, o consumidor pergunta: ‘Quando vai ter uma feira do peixe de novo?’ Mas não temos o produto”, lamenta o secretário. “Mas estamos nos preparando para, no ano que vem, ter uma feira do peixe de dois em dois meses”, garante.
Além da piscicultura, Elo Schneiders destaca que há mais dois projetos importantes em andamento. O objetivo é construir mais duas feiras rurais: uma em Linha Santa Cruz e outra para os feirantes da Praça da Alberto Pasqualini, que ganharão um novo espaço, em outra área, na Rua Augusto Spengler.
Outro projeto, em andamento, é a agroindústria de aipim, inaugurada neste ano e repassada para a Coopersanta, com produtos, segundo o secretário, também “de excelente qualidade” que já estão sendo comercializados. Nas agroindústrias inauguradas pela Secretaria de Agricultura, a infraestrutura é fornecida pela Secretaria, e a administração é levada adiante pelas associações e cooperativas.
“Agroindústrias vêm sendo criadas. Novas agroindústrias deverão ser criadas até o ano que vem”, frisa Marco Alves, engenheiro agrícola. O objetivo, através das agroindústrias, é a qualidade dos produtos e a segurança alimentar. “Não queremos que a Vigilância Sanitária venha e recolha nossos produtos e tire os produtos dos nossos feirantes”, diz o secretário Elo Schneiders. Recentemente, foi inaugurada uma agroindústria de embutidos, em Linha Áustria.
A Secretaria mantém convênio com a Emater, para acompanhar o trabalho das agroindústrias. “Acompanhamos o trabalho das agroindústrias para que ele cresça e se fortaleça”, revela o secretário. “A Prefeitura está cumprindo rigorosamente a sua parte, fornecendo a infraestrutura e colaborando na manutenção dessa infraestrutura.” A estratégia, com as agroindústrias, é que o produto saia direto do agricultor familiar para o consumidor, sem atravessadores. Assim é feito um cuidado de toda a cadeia, da produção à comercialização.
“Temos uma cadeia produtiva de leite muito forte em Santa Cruz”, assegura o secretário. “Também estamos atendendo esses produtores.” A Secretaria de Agricultura prepara uma agroindústria de leite para absorver a produção do pequeno produtor, pois a indústria já não recolhe o leite do pequeno produtor. A agroindústria vai processar no início 10 mil litros por dia e, quando estiver pronta, vai processar 20 mil litros por dia, para que essa produção seja recolhida e comercializada.
Todas essas atividades que envolvem as agroindústrias, com o envolvimento das associações de produtores e cooperativas, ajudam na diversificação das propriedades rurais em Santa Cruz do Sul. De acordo com Moisés Mora, técnico agrícola, essas atividades abrem um leque de mercado. “O tabaco é o nosso carro-chefe, mas temos que mostrar que existem oportunidades, que complementam a renda do tabaco”, define Moisés. O técnico agrícola ressalta que a organização dos produtores em associações e cooperativas, facilita o trabalho do poder público.
Elo Schneiders concorda com o técnico agrícola: “O tabaco é o nosso carro-chefe. As outras culturas agregam renda”. Nesse sentido, a Secretaria discute mensalmente suas ações em reuniões com o Conselho Agropecuário, integrado, entre outros, pela Afubra, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Unisc, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, associações de produtores e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR).
Outro trabalho realizado pela Secretaria é o repasse de alimentos para consumo por pessoas de baixa renda. O objetivo é a criação de um banco de alimentos para ampliar esse trabalho, com a utilização de alimentos não-perecíveis e perecíveis, direto do agricultor para quem mais precisa.
Elo Schneiders considera o Dia do Colono uma data especial. O secretário lembra que Hardi Lúcio Panke, quando este era vereador, criou o projeto de feriado municipal para o dia 25 de julho. Elo considera a homenagem “muito justa”. “Se o agricultor não planta, a cidade não janta”, complementa. O secretário diz conhecer esta profissão que considera dura, onde há dificuldades, mas também houve avanços. “Hoje o agricultor consegue se aposentar”, destaca, recordando que trabalhou 28 anos na agricultura.
“Quem se organiza, tem muitas oportunidades que não existem nas cidades”, diz Elo Schneiders. “Nas cidades, não está fácil. O desemprego é muito grande.” Elo diz que é importante manter o jovem no interior. Segundo o secretário, terra produtiva não é aproveitada porque o produtor se aposenta e o jovem vai embora da propriedade. “Na agricultura, no interior, sempre tem o sustento, e é preciso que o trabalhador rural faça sua parte.”














