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Políticas públicas para mudar a realidade

 

Luana Ciecelski

A sede municipal da Emater está localizada na rua Tiradentes, 506

 

LUANA CIECELSKI
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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, o crescimento da população urbana entre 2000 e 2010 foi de 17% enquanto o número de habitantes da zona rural caiu 6%. Em Santa Cruz do Sul, a situação segue o mesmo padrão nacional. Em 10 anos, enquanto a população urbana cresceu 15% a rural caiu 5%, mostrando que há uma tendência à evasão rural. Preocupadas com as possíveis consequências em um futuro não muito distante, caso essa realidade não mude, várias instituições trabalham diariamente para tentar conter o avanço do êxodo rural. 

Uma dessas instituições é a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural). Respondendo ao Governo do Estado, em Santa Cruz do Sul, ela trabalha atualmente com cerca de 600 famílias e permanece atenta à situação. De acordo com o engenheiro agrônomo Assilo Martins Corrêa, percebe-se que, além da população do campo estar diminuindo, há também muitos casos em que o jovem fica no interior, mas apenas como um local para morar, ele já não exerce as atividades rurais. “Ele vem pra cidade, vai pra indústria trabalhar, mas fica morando no campo”, explica. 

Um dos motivos seria a falta de oportunidades. “Muita vezes o jovem não tem as condições que ele gostaria pra tocar o negócio da família, falta infraestrutura”, diz. Outra questão que surge com muita frequência é que o jovem muitas vezes já não quer ficar no fumo. “Eles querem outras coisas, outras atividades agrícolas, mas elas nem sempre têm muita perspectiva de venda”, explica. 

Buscar soluções

Para Assilo, a solução pode estar nas políticas públicas que o agricultor deve procurar. Uma opção é buscar auxílio na própria Emater, que tem por missão auxiliar o agricultor a buscar essas políticas públicas e colocá-las em prática. “Não sei te dizer como vai estar a situação daqui a 10 ou 20 anos, mas sei que o que vai aumentar ou diminuir a velocidade desse êxodo são as políticas públicas. Elas é que devem dar ao produtor que permanecer no campo as oportunidades de obter renda”, disse. 
Uma vez em contato com a empresa, agricultores e técnicos avaliam caso a caso e podem buscar soluções para os problemas existentes. “Algumas vezes eles chegam aqui e dizem que querem fazer tal investimento, que querem implantar tal coisa na propriedade. Juntos a gente avalia as possibilidades, vê se há um mercado para aquilo, vê se é uma boa ideia. Sempre que se apresenta um problema, juntos buscamos a melhor solução”.

Essa políticas públicas, segundo Assilo, também devem vir como uma fonte de alternativas para os produtores de fumo, abundantes na região. “Há cada vez mais um trabalho forte pra terminar com a cultura do tabaco, mas pra isso é preciso ter uma política pública que dê suporte para que as outras culturas tapem essa brecha e deem a renda para o produtor”, disse. 

Investimento bem estudado

No entanto, Assilo alerta para o cuidado que todos devem ter ao escolher o que plantar. “Fala-se em plantar mais de uma cultura, mas é preciso ver o que esse produtor vai plantar”, afirma.  E ai é que entra o trabalho técnico da Emater e a importância da instituição. “É preciso pensar, por exemplo, que eles têm pequenas áreas e que eles precisam de uma cultura que tenha um alto rendimento em um pequeno espaço”. E é nesse tipo de situação, quando é necessária a substituição ou redução de área de plantio de alguma coisa, que a Emater trabalha orientando o produtor.

A partir de ações como essa, Assilo diz que é possível ver que há muito mais gente saindo do campo, mas que aos poucos, também há aqueles que saíram e estão voltando, em especial os jovens que vem para a cidade estudar e se profissionalizar, mas que depois retornam. “Há também aqueles que estão no campo, trabalhando nas propriedades dos pais e estudando. Alguns estão estudando para ficar no campo”, comenta. 

O crucial para a Emater é auxiliar o agricultor a aumentar a produtividade dele, melhorar o bem-estar, orientar sobre a preservação ambiental e sobre a existência de outras políticas públicas que possam auxiliá-los. Dessa forma, a sucessão familiar ainda pode ter uma chance, a agricultura familiar pode continuar a ser fonte de renda e a cidade pode continuar a ter alimentos na mesa.