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A história vitoriosa da ginástica rítmica

Gera‹o de ginastas de 2010-2018: ˆ esquerda, o professor Rafael Luz e, ˆ direita, o diretor do Mau‡, Nestor Raschen

Nelson Treglia
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A ginástica rítmica é um esporte tradicional e vitorioso em Santa Cruz do Sul. A modalidade, ao longo de décadas, passou por um desenvolvimento muito forte dentro do Colégio Mauá. O ‘Riovale Jornal’ conversou com Rafael Luz, técnico e professor de ginástica rítmica do colégio, que foi responsável pela formação de diversas atletas, entre elas Natália Eidt, campeã dos Jogos Pan-Americanos e participante dos Jogos Olímpicos. A história de Rafael neste esporte se confunde com a história da ginástica rítmica em Santa Cruz do Sul.
“Meu interesse pela ginástica rítmica surgiu pela ginástica geral, através de uma professora de ginástica do Mauá que acabou indo trabalhar na Escola Goiás no final dos anos 80”, conta Rafael. À época, o adolescente Rafael era aluno do Goiás. A professora em questão, Maria Francisca Costa Klein, a “Kika”, começou um trabalho  na ginástica olímpica da escola estadual. “Era muito bacana. Logo me encantei. Eram mais as meninas que praticavam, eu era uma exceção e estava muito interessado em aprender.”
A professora Kika percebeu a empolgação de Rafael e o ajudava muito no aprendizado. Porém, ela acabou sendo transferida para Arroio do Tigre, e a ginástica no Goiás sofreu uma interrupção de suas atividades. Rafael resolveu, então, fazer um grupo independente de qualquer entidade, pois só o Mauá ensinava ginástica. Em plena adolescência, o jovem estudante demonstrou iniciativa. Com seu grupo, chamado de Vanguarda, ele trabalhava a ginástica rítmica, que exigia menos material que a ginástica olímpica. Os treinamentos ocorriam em várias localidades, como o Parque da Oktoberfest, por exemplo.
No terceiro ano do Ensino Médio, Rafael estudava na Escola Educar-se, e foi realizado um torneio amistoso no Mauá. “Fomos competir no Mauá, e nosso desempenho foi tão espetacular que o professor Dirceu Dahmer, vice-diretor e coordenador esportivo do Mauá, viu aquilo e veio falar comigo, juntamente com a professora Úrsula Müller, responsável pela ginástica olímpica e rítmica do Mauá. Eles disseram: ‘Tu tens que vir para o Mauá’.”, relata Rafael.
Em 1992, ele iniciou o curso de Educação Física na Unisc e foi contratado pelo Mauá para trabalhar com ginástica rítmica. Rafael agradece especialmente a Kika, Úrsula, Dirceu e à direção do Mauá, que perceberam seu interesse na ginástica e o incentivaram na carreira. “Eles acreditaram em mim. Em 1992, eu sabia menos do que sei agora. No Mauá, o trabalho da professora Úrsula era muito bom, e anteriormente, o trabalho da professora Kika também era ótimo.”
Rafael destaca também o trabalho de Anne Quatke e o histórico do colégio na ginástica, que desde seus primórdios trabalhava a ginástica de um modo geral. “Mas Anne Quatke, nos anos 60, proporcionou um perfil mais esportivo às aulas de ginástica que aconteciam até então. Tive a honra de conhecer a professora Anne. Úrsula foi aluna de Kika, que foi aluna de Anne”, realça o professor. Rafael foi à casa da antiga professora, para conhecê-la e conversar, e Anne disse a Rafael: “Lembre sempre: a ginástica é um esporte que exige total dedicação, concentração e muito treinamento. O resto vem. Claro que você vai descobrir os talentos. Com os talentos, vocês vão voar”.
Rafael garante que honra muito a memória de Anne Quatke e o legado que ela deixou. “Tem um elo de destino”, define Rafael, pois ele foi aluno de Kika e faz parte desta ligação forte entre os profissionais de ginástica no Mauá, um legado que se estende desde Anne, passando por Kika, Úrsula e chega até o atual técnico do colégio. Rafael agradece o apoio de Wilson Griesang, ex-diretor do Mauá; de Nestor Raschen, ex-vice-diretor e atual diretor; e de Dirceu Dahmer.

Nat‡lia Eidt em sua Žpoca de Sele‹o Brasileira, no Mundial de Gin‡stica em Montreal (Canad‡)

“CELEIRO”

“Eu sentia que o Mauá era um celeiro. É uma escola que trabalha com sonhos, e ter um atleta em Olimpíada era um sonho ideal”, recorda Rafael Luz. Em 1992, ele conheceu Natália Eidt com cinco anos de idade. O Mauá, naquele momento, não trabalhava a ginástica rítmica como esporte de alto rendimento. Em 1995, o Mauá filiou-se à Federação Rio-Grandense de Ginástica. Eloá Rodrigues, de Porto Alegre, foi a maior incentivadora para que isso acontecesse, e representa até hoje o Mauá na Federação.
Uma geração inteira de grandes atletas foi formada. “Natália é a única atleta de uma entidade gaúcha que chegou à Olimpíada, até hoje, na ginástica rítmica”, frisa Rafael. “Ainda não consigo mensurar isso. Foi algo especial, foi algo mágico.”
Antes de chegar aos Jogos Olímpicos, Natália foi campeã brasileira no individual. O conjunto formado por Natália, Gabriela Gassen, Renata Scartazzini e Joana Klein  foi vice-campeão brasileiro em 1997. No ano 2000, em Sydney (Austrália), Natália foi titular absoluta na Olimpíada pela Seleção Brasileira. Em 2003, nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (República Dominicana), Natália foi campeã junto com a Seleção.
A bela história do Mauá, na ginástica rítmica, seguiu com outras grandes atletas, como é o caso de Paula Javorski e Paolla Bagatini. Bruna Martins se destacou entre as melhores do Brasil e chegou à Copa do Mundo. Bruna brilhou entre 2000 e 2010, e atualmente é auxiliar técnica de Rafael. Martina Stapenhorst foi campeã nacional.

Bruna Martins: campe‹ brasileira e ginasta Top 5 do pa’s durante v‡rios anos de 2002 atŽ 2009

“ESTRELINHAS DO MAUÁ”

Nesta última década, o grupo conhecido como “estrelinhas do Mauá” fez história na ginástica rítmica. O conjunto do Mauá ficou campeão sul-brasileiro e depois nacional no ano de 2015 com as atletas Gabriela Ebert, Antônia Limberger, Sofia Pilz, Milena Bartz e Alice Silva. Em 2016, foi alcançado o vice-campeonato nacional com as mesmas atletas, mas no lugar de Milena Bartz, entrou na equipe Júlia Bartz. Melissa Forgiarini também participou dessa fase vitoriosa.

Martina Stapenhorst, Paula Javorsky e Paolla Bagatini: revela›es da dŽcada 2000-2010, campe‹s nacionais

ATUAL GERAÇÃO

Em 2018, o Mauá classificou uma equipe inteira do Sul-Brasileiro ao Campeonato Nacional: Alice Silva, Manuela Neis, Júlia Bartz, Milena Bartz e Melissa Forgiarini. “O Mauá é a entidade que mais classificou atletas”, informa Rafael Luz. Outras atletas de destaque na atualidade são Júlia Furtado e Vitória Erhardt. “A ginástica rítmica vai render muitas alegrias para o Mauá e Santa Cruz no futuro. Muitas gerações de campeãs virão pela frente. A Bruna Martins é uma profissional fantástica e poderá fazer tanto ou mais do que foi feito até agora. Não podemos economizar em sonho e em realizar.”
Rafael, que já recebeu a Comenda Rotária e distinções da Câmara de Vereadores, lembra que o Mauá, daqui a dois anos, completará 150 anos de história. “O Mauá é respeitado nos ginásios do Brasil e no Exterior. Nestes 140 anos do município, tenho profunda gratidão de ter, nesta terra, em Santa Cruz e, com este povo, ter construído um pedacinho desta história do município. Acredito muito no trabalho. Com trabalho, esperança e sonho, ninguém nos segura. E a comunidade nos reconhece por isso.”