
Sara Rohde
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Viajar é a realização de qualquer pessoa. A vida exige programar um passeio em família, as tradicionais férias, de preferência de avião para um local mais longe. Mas, não foi assim que o casal venâncio-airense, o publicitário e produtor cultural Emerson Tuta Santos e a balconista Jennifer Veturazi, decidiu colocar os planos em prática. Foi com a Yolanda, a parceira inseparável dos dois.
A Yolanda é o nome da Kombi da dupla que optou pelo veículo devido à sua estrutura. Ela já faz parte da família há quase dois anos e um valor sentimental muito grande foi gerado pelo veículo. O nome escolhido é em homenagem a Chico Buarque, pois coincidentemente, Tuta ouviu a música na versão do artista quando a adquiriu. “Agreguei a representatividade da mudança cantada na letra. No caso da música era o nascimento de uma filha, já no nosso de um projeto na Kombi. Me agradou também a relação do nome com a cultura latina, inclusive antes de comprar a Kombi eu já tinha definido o lema para o para-choque traseiro, também em Espanhol, ‘vida lenta, despacio y siempre’, o sonho maior é completar a volta na América do Sul.
A ideia de viajar com uma Kombi partiu de Tuta, ele gosta do veículo desde jovem e já havia realizado uma viagem pelo Uruguai com um amigo italiano. Foi assim que teve certeza do que queria. “Eu já tinha experiências em viagens estilo mochilão (de baixo custo), acampando e viajando de bicicleta, mas a Kombi é muito dinâmica, com ótimo espaço interno, bom tamanho para deslocar em meio ao trânsito de cidades e de fácil manutenção”, disse.
Foi assim que a Yolanda entrou na vida do casal e a partir de então veio a vontade de partir em uma aventura sem igual. “Essa viagem no Brasil é para adquirir experiência e futuramente seguir para América do Sul, indo até Ushuaia, seguindo pela Cordilheira dos Andes e Costa do Pacífico, (Chile, Peru, Colômbia, Bolívia). O principal objetivo da trip é buscar o turismo ecológico e o litoral, conhecer regiões com belezas naturais, de lugares como São Tomé das Letras, Chapada dos Veadeiros, Jalapão, Lençóis Maranhenses, Chapada Diamantina e as mais lindas regiões litorâneas. “Passaremos em algumas cidades grandes, pois é interessante também a parte histórica e efervescência cultural”, explicou.
A Kombi tem uma estrutura especial com a principal finalidade para dormir. Segundo Tuta, há também suporte para cozinhar. “Instalamos um banco cama, fizemos dois móveis, fogão de gaveta e um reservatório de água. Eu sempre brinco, para nós ela tá mais para uma barraca móvel do que um motor home, mas é possível sim, transformar ela em uma casa móvel”.
A viagem está marcada para a próxima segunda-feira, 25. O roteiro inclui passeio pelo centro do país (Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas, Goiás, Distrito Federal e Tocantins), até o Maranhão e de lá retornar pelo litoral com passagem por Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espirito Santos, Rio de Janeiro, São Paulo e novamente na região sul, pelo litoral paranaense e catarinense.
O tempo de viagem deve durar em torno de seis meses com divisão de eixos para não atrasar demais, e assim não prejudicar o final. O roteiro será baseado em opções turísticas, de acordo com o orçamento do casal, já que o bolso não permite em cada lugar passear de bug, barco, mergulho, entre outros. “É importante saber onde é o ponto diferenciado de investir em cada opção. Da mesma forma a questão da culinária, é importante conhecer pratos típicos para estarmos atentos como encontrar sabores diferenciados com um bom custo benefício”.
Nem sempre viajar está ligado há um grande planejamento ou a altos custos, disse. “Não existe melhor destino, melhor hotel, melhor comida, nem orçamento ideal. O melhor que existe é aquilo que cabe no seu bolso, aquilo que satisfaz a sua fome e que te abriga na hora de dormir. Façam viagens, não importa pra onde, porque o mundo está inteirinho coberto de paisagens deslumbrantes. Inclusive têm coisas no jardim da sua cidade que você nem conhece”. O casal opta por buscar coisas simples da vida, carregar a bicicleta para aliar aos passeios e sentir a brisa no rosto, com olhar livre e o coração aberto para natureza.

O casal cuida da Yolanda como uma filha: juntos foram construindo cada detalhe para planejar a primeira viagem longa. Até a próxima semana serão finalizados alguns itens internos.
Físico e Psicológico: “Existe também um preparo físico e psicológico. É voltar-se para o simples, a Kombi te dispõe de espaço, mas é necessário ser objetivo e prático. Já trabalhamos isso desde que adquirimos a Yolanda. Na questão física, focamos nas caminhadas e pedaladas, vamos levar as bicicletas e já estamos saindo preparados”.
Segurança: “É um item que as pessoas perguntam muito. Já fizemos três viagens de aproximadamente 20 dias, só dormindo nela, temos alguma experiência. Lemos muito e acompanhamos canais de viajantes para saber os cuidados que todos tomam. Campings são sempre ótimas opções, mas oneram a viagem. Postos de gasolina são boas opções e gratuitos. Vamos administrar as duas opções. Pode-se dormir estacionado na via pública. Aí é uma questão de intuição, cada um tem a sensação de segurança diferente. No litoral gostamos muito de dormir de frente pro mar, então, avaliamos sempre qual a forma mais segura de fazer isso. Se aproximar de outros motor homes é também uma maneira de se sentir seguro, um cuida do outro”, explicou.














