LUANA CIECELSKI
[email protected]
A pesquisa Sinaleira 2020, organizada pelo movimento Agenda 2020 vem realizando pesquisas desde o início de 2016 relacionadas aos aspectos socioeconômicos das 50 maiores cidades do Rio Grande do Sul. O objetivo é fazer um panorama geral da situação dos municípios, apontar aquilo que está bom e o que ainda precisa melhorar. Santa Cruz do Sul é um dos municípios que está sendo analisado, e um dos itens, é a questão dos empregos.
Como o nome já diz, a Sinaleira 2020 aponta a situação de um determinado item através das cores da sinaleira. Verde para os aspectos positivos, amarelo para os aspectos intermediários e vermelho para os aspectos que precisam de mais atenção por parte dos poderes públicos. No quesito empregabilidade, Santa Cruz do Sul está com o sinal amarelo acesso.

A explicação para esse sinal amarelo, é que o número de vínculos empregatícios formais do município atendeu em 2015, 59% da população, ou seja, não está abaixo dos 40% que acenderiam o sinal vermelho, nem acima de 70%, número considerado ideal e que resultaria em um sinal verde. Os gráficos da mesma pesquisa também apontam uma pequena queda no número de pessoas empregadas. Em 2013, o número de vínculos empregatícios atingia 61% da população. Caiu para 60% em 2014 e para 59% em 2015.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, também apontam que em 2015 foram 24.701 admissões e 26.375 desligamentos, ou seja, um saldo negativo de 1.674 pessoas. Além disso, o Caged também mostra que a ocupação que mais admitiu no ano passado em Santa Cruz do Sul, foi a de auxiliar de processamento de fumo. No total, foram 5.606 mil admissões. Porém essa mesma função também foi a que mais demitiu – 5523 mil demissões, resultando em um saldo de 83 empregos mantidos.
É temporário
De acordo com o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Léo Schwingel, no entanto, Santa Cruz do Sul ainda pode se considerar privilegiada em relação a empregabilidade. Ele afirma que a crise que ocorre em nível nacional impacta nos empregos por aqui também, fato que poderia explicar a diminuição dos vínculos empregatícios, porém isso acontece de maneira bem menos representativa se comparado a outros municípios do estado e do país que estão em condições bem mais frágeis.
“Nós reunimos uma série de fatores muito favoráveis para os empreendedores, tendo em vista a qualificação da mão de obra e a existência de uma excelente universidade que auxilia na difusão e ampliação dos conhecimentos da comunidade, e auxilia também no âmbito da pesquisa. Também temos empreendedores capazes de expandir seus negócios de maneira significativa. Podemos destacar também a localização privilegiada, porque estamos equidistantes de municípios prósperos do Rio Grande do Sul, que concentram condições econômicas ainda invejáveis”, listou Schwingel.
Ainda no quesito empreendedorismo, a prefeitura destaca a existência de uma série de programas organizados pelas Divisões de Microcrédito e de Análises e Projetos, que são voltados para o incentivo aos empreendedores. Como forma de mostrar que o município ainda se mantém estável, o Secretário também lembra que, diferentemente de outras cidades, algumas até maiores do que Santa Cruz do Sul, os eventos tradicionais da cidade não foram deixados de lado. “Nós continuamos realizando todos eles e até aprimorando alguns, como é o caso da Festa das Cucas que acontece nesse fim de semana”, comentou. “Em outros municípios, os eventos foram a primeira coisa cancelada”. Santa Cruz do Sul, no entanto, vê os eventos como grandes movimentadores da economia.
Schwingel lembra ainda que, se o momento é de recessão econômica, essa recessão não será definitiva. “Aliás, existe um consenso entre os economistas de que ela ainda deve durar um, dois, talvez três anos, mas não mais que isso. Depois a situação se normalizará e o país voltará a crescer”, ele aponta. “Já vivemos crises, em outras décadas, em que nem existia essa perspectivade melhora. Agora nós temos. Sabemos que é temporário”.
Há vagas
A coordenadora do Sistema Nacional do Emprego (Sine) de Santa Cruz do Sul, Fabiane Krainovic Landesvatter concorda que há uma crise presente no país, mas alerta que há vagas. “Todos os dias nós distribuímos entre 30 e 50 fichas para as pessoas e recebemos vagas. As empresas, de uma forma geral, continuam ofertando empregos, porém elas estão cada vez mais exigentes”, observa Fabiane.
Essa exigência pode ser também fruto de uma necessidade de funcionários mais competentes frente à crise. Um dos principais quesitos pedidos é a experiência. “Quase todos querem”, diz. Por isso é muito importante um currículo bem elaborado e que os jovens cada vez mais, na medida do possível, busquem uma experiência de formas alternativas. Um exemplo é o voluntariado. Além de melhorar o currículo, esse tipo de atividade é sempre um diferencial.
A formação também é importante, garante Fabiane. “Cursos também são um diferencial, e como as melhores vagas são sempre as mais disputadas, quanto mais cursos a pessoa tiver, mais chances ela tem de conseguir a colocação”, ela orienta.
O evento tem como objetivo aproximar as empresas que necessitam contratar profissionais e trabalhadores que buscam uma oportunidade de emprego, além de desenvolver habilidades e conhecimentos favoráveis à formação do trabalhador e colocação no mundo do trabalho como atividades de orientação profissional, empreendedorismo e palestras motivacionais.
Nesse dia, nos municípios participantes do EmpregarRS, haverá atendimento exclusivo de intermediação de mão de obra, ou seja, não serão prestados os serviços de encaminhamento de seguro-desemprego e de Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
Na região, além de Santa Cruz do Sul, estarão participando do evento os municípios de Cachoeira do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz. Para se candidatar a uma vaga de trabalho, basta comparecer ao evento, portando Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).














