LUANA CIECELSKI
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O mercado de trabalho está mudando, porque as características da população estão passando por um processo de mudança. A tendência mundial é de que as pessoas vivam mais, especialmente as mulheres, e que essa população fique cada vez mais tempo trabalhando, mesmo depois de aposentada. Isso é o que apontam todas as pesquisas populacionais e econômicas, inclusive do Fórum Econômico Mundial. Mas será que os empresários e os gestores públicos estão preparados para isso? Será que os municípios se adaptarão bem a essa realidade que já começa a se fazer presente?

Foi pensando justamente em questões como essas que o grupo Agenda 2020 deu início a uma série de pesquisas e as divulgou no início de 2016 sob o título de Sinaleira 2020. Foram avaliados mais de 90 índices tais como saúde, educação, segurança pública, etc., do Rio Grande do Sul e dos 50 maiores municípios. Os resultados desses dados foram apresentados na forma de uma sinaleira. O que estava bom ganhou um selo verde, o que estava mais ou menos um selo amarelo, e o que estava muito abaixo do ideal, um selo vermelho. E olhando os gráficos de cores do RS, descobriu-se que não, os empresários e os gestores públicos não estão preparados para o que está por vir. Olhando os gráficos dos municípios percebeu-se que a maioria deles não está se adaptando bem à realidade.
Diante desses fatos, a Agenda 2020 começou a realizar uma série de encontros com autoridades, empresários e gestores de diversos municípios avaliados, denominados de Desafios das Cidades. E nessa terça-feira, 21 de junho, foi a vez de Santa Cruz do Sul. O encontro aconteceu no Espaço Assemp, no Parque da Oktoberfest e foi realizado em parceria com a organização Santa Cruz Novos Rumos. Os dados da pesquisa sinaleira 2020 foram apresentados, bem como as tendências mundiais para a população e para o mercado de trabalho e uma das principais questões deixadas no ar, para que os presentes refletissem, foi a seguinte: “Que futuro nós queremos?”
De acordo com o Presidente da Agenda 2020, Humberto Cesar Busnello, o evento teve como principal objetivo fazer com que todos olhassem para o presente e passassem a buscar um futuro melhor. “É importante saber dos dados de hoje, da realidade, para poder saber qual será a tendência, quais as possíveis soluções, qual o melhor caminho para conseguir algo que se quer ou evitar que aconteça algo não desejado. Olhar os dados de hoje possibilita um planejamento estratégico”, destacou.
Tendências mundiais
Alguns dos dados apresentados aos gestores durante o encontro dão conta do mercado de trabalho: a tendência até 2018 é de que ele já tenha como principais características a longevidade, o empoderamento feminino, impressões 3D e novas fontes de energia; e até 2020, uma robótica avançada, o transporte autônomo e biotecnologia como características.
Pesquisas apresentadas em janeiro desse ano no Fórum Econômico Mundial e trazidas ao Desafios da Cidade também mostram que a 4ª Revolução Industrial, que já estaria em andamento, geraria cerca de 2 milhões de empregos em todo o mundo, mas em compensação extinguiria 7 milhões de postos de trabalhos em função do alto desenvolvimento tecnológico e automatização dos processos de produção.
Ainda de acordo com esses mesmos dados, 47% das profissões estarão obsoletas em 2025, principalmente se não se reestruturarem e se adaptarem às transformações do mundo. As primeiras a serem abandonadas, seria as funções administrativas e as de trabalhos repetitivos, que passarão a ser feitas por cada vez menos pessoas. As que permanecerão, de acordo com a pesquisa, são aquelas voltadas para a computação, engenharias e trabalhos criativos. Para se destacar no mercado será necessário ter inteligência para condução de máquinas e/ou uma grande capacidade analítica.
Já em relação à população, dados do próprio IBGE mostram que, se em 1970 a população de idosos constituía 6% do total, em 2010 esse número já havia subido para 14%. E a tendência é que haja um crescimento ainda maior nos próximos anos. Em 2030, por exemplo, estima-se que serão 400 mil idosos no Brasil, praticamente a mesma quantidade da faixa etária dos 30 aos 60 anos. Em 2050 serão 600 mil idosos, desses 400 mil mulheres e eles já serão então a maioria no país.
Diante desses fatos, o diretor executivo da Agenda 2020, Ronald Krummernauer, fez mais um questionamento aos presentes: Empresários, suas empresas estão prontas para ter mais mulheres e pessoas mais velhas trabalhando nelas? E administradores públicos, o que será mais importante no futuro: as creches ou um sistema de saúde de qualidade, um espaço voltado para a geriatria de qualidade?
Não existe fórmula
De acordo com Busnello, não existe uma fórmula para alcançar o sucesso na administração de uma empresa ou município, mas características particulares que devem ser observadas. “Cada município tem suas prioridades, o que deve-sefazer, é ter clareza do que a sociedade quer e agir de acordo com isso. Em alguns lugares é saúde que precisa de mais atenção, em outros é o emprego, em outros ainda é a segurança. O papel dos gestores é identificar essas prioridades”, disso.
De acordo com o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia, Leo Schwingel, a administração de Santa Cruz do Sul já está atenta a isso. “As informações trazidas são de conhecimento do poder público, o acompanhamento desses dados é realizado constantemente e muitas das nossas ações são em decorrência desses números”, ele disse. Um dos exemplos que ele deu foi em relação ao saneamento, citado pela Sinaleira 2020 como um dos piores índices do município. “O contrato de 40 anos assinado com a Corsan tinha justamente essa questão em vista. Muitas coisas serão feitas ao longo das próximas décadas visando melhorar essas dados”, defendeu. “Sempre se tem onde melhorar, mas temos seguido pelo caminho certo”.














