Ana Souza
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Uma doença grave, de curso lento e crônico e de difícil diagnóstico. Assim é a leishmaniose, causada pelo protozoário leishmania, que é transmitido através da picada de flebótomos (mosquitos) infectados. O cão é considerado o principal reservatório da doença no meio urbano. Desde que a doença surgiu, inúmeros casos já foram detectados em Santa Cruz do Sul.
Segundo a médica veterinária, Karina Knak da Doctor’s Pet Clínica Veterinária, com a chegada do inverno os casos da doença poderão diminuir, pois a transmissão é através do mosquito palha, que vive nas proximidades das residências, preferencialmente em lugares úmidos, mais escuros e com acúmulo de material orgânico e ataca nas primeiras horas do dia ou ao entardecer.
“A doença não é contagiosa nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado com a leishmania. Houve casos nos Bairros Arroio Grande, Higienópolis e Jardim Europa.”
A profissional frisa que nas cidades a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande número de cachorros, que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico semelhante ao homem. “Tenho orientado todos os meus pacientes quanto à vacinação contra a leishmaniose, mas a população ainda reluta sobre esta questão, até porque os produtos não têm valores muito acessíveis. Há dificuldades em se conseguir a medicação rápida, por serem produtos importados. Pelo que tive conhecimento, todos os casos diagnosticados em Santa Cruz do Sul foram a óbito. Também houve registros nas cidades de São Borja e Uruguaiana, inclusive neste foram cerca de 500 casos.”
TRANSMISSÃO
“A doença é transmissível ao ser humano”, diz a veterinária. “Se o mosquito picar o cão que é portador e este picar o ser humano, transmitirá a doença, mas não houve nenhum caso neste sentido. O cão, assim como o homem pode ficar por meses com a doença incubada, sem sintoma algum, e quando os sinais aparecem, podem variar desde apatia, emagrecimento, perca de pelos, lesões na pele, crescimento exagerado das unhas, dores no corpo (artrites) e febre. A doença não tem cura para cães, mas tem o tratamento que controla a doença, que deve ser feito durante toda a vida do cão. O diagnóstico é feito através de exame laboratorial, ou por teste de imunocromatografia.”
Quanto às orientações de prevenção, a veterinária destaca o uso de protetores com repelente. “O mais importante é a vacinação, a melhor forma de proteção, além do uso de repelentes para o mosquito, entre eles o uso de coleiras como a Scalibur e Max 3. A doença fica incubada de dois meses à seis anos.”
VACINA É ESSENCIAL
“As primeiras fases de tratamento são mais eficazes e podem ser combatidas mais facilmente. Deve-se vacinar os animais antes que cheguem à fase visceral”, enfatiza o veterinário Renato Teixeira, da Clínica Veterinária São Francisco. “Os casos poderão diminuir com a chegada do inverno, época que há menos mosquitos. Na clínica estão em tratamentos cerca de dez casos. Mas desde que apareceu a leishmaniose Santa Cruz do Sul já detectou mais de 500 animais, sendo que temos no município em torno de 21 clínicas. O tratamento e a vacina são extremamente importantes. O papel do veterinário é fazer a prevenção e evitar que mais casos aconteçam. A vacina previne o cachorro e o mosquito que picar o cão, deixará de ser positivo. A leishmaniose é um grande problema de saúde pública”
VIGILÂNCIA
Conforme Hermes Augusto de Souza, Coordenador da Vigilância em Saúde de Santa Cruz do Sul, só são considerados casos oficiais da doença os exames feitos pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). “Os testes rápidos não são oficiais. Sabemos que houve muitos casos e que ainda há em Santa Cruz. Esta questão deve ser mudada até porque alguns diagnósticos não passam pela Vigilância. Poderá haver uma mudança neste sentido, pois a 13ª Coordenadoria de Saúde do Estado está estudando o caso de disponibilizar os testes rápidos para detectar a leishmaniose.”
Luana Ciecelski

Vacinar os cães é a melhor forma de proteção contra a doença
Quais são os sintomas?
Os sintomas da leishmaniose são bastante variáveis, entre eles o aparecimento de lesões de pele acompanhadas de descamações e, eventualmente, úlceras, perda de peso, lesões oculares, atrofia muscular e, em alguns casos, crescimento exagerado das unhas. Em um estágio mais avançado, há o comprometimento do fígado, baço e rins, podendo levar o animal à morte. Devido à variedade e à falta de sintomas específicos, o Médico Veterinário é o único profissional habilitado a fazer um diagnóstico preciso da doença. Há uma grande variedade de animais infectados que não apresentam sintomas clínicos (assintomáticos).
Cuidados essenciais
– Coloque telas nas janelas emantenha o lixo fechado;
– Proteja o seu cão, pois ele poderá transformar-se num reservatório doméstico do parasita que será transmitido para pessoas próximas e outros animais não diretamente, mas por meio da picada do mosquito vetor da doença, quando ele se alimentado sangue infectado de um hospedeiro e inocula o protozoário em pessoas ou animais sadios que desenvolvem a doença;
– Lembre-se de que os casos de leishmaniose são de comunicação compulsória ao serviço oficial de saúde mais próximo.














