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Lixo no trevo do Bom Jesus chama a atenção

Luana Ciecelski

Resíduos são descartados por moradores e por caminhões de frete. Estudos da Prefeitura buscam uma solução para o problema.

Luana Ciecelski
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Apesar da existência, desde 1993, de um Código de Limpeza Urbano, que regulamenta, entre outras coisas, a destinação do lixo produzido pelos santa-cruzenses, o trevo existente na BR-471, na entrada do Bairro Bom Jesus, em Santa Cruz do Sul, vem sendo alvo constante do descarte incorreto de lixo. A prática prejudicial ao meio ambiente, em especial do solo e da água, também é danosa para a saúde, pois estimula a proliferação de animais como ratos e baratas, e para a habitação da população, pois causa o entupimento de canais pluviais aumentando as chances de enchentes. Além de tudo isso, deixa uma feia marca de poluição visual na cidade.
Segundo o coordenador da Central de Serviços, Martim Duering, a própria central, quando tomou conhecimento da grande quantidade de lixo no local, se assustou e foi buscar os motivos. A partir disso descobriu-se que os usuários de drogas que frequentam o local levam com eles grandes quantidades de resíduos e que há também o descarte indevido de materiais por parte de caminhões freteiros. Além disso, algumas famílias pobres trabalham retirando lixos de residências, e ao invés de depositá-los em local correto, têm o costume de largar no local. “Eu me preocupei quando o secretário perguntou de onde vinha tanto lixo. Eu fui ver as carrocinhas, e vi eles trazendo, por duas tarde, coisas de tudo o que era lugar. Eles ganham um troquinho para tirar do centro e de outros lugares o lixo e não têm onde colocar, porque não têm como ir até o lixão lá fora. Então colocam tudo ali”, contou.
Segundo Martim, a limpeza é feita com bastante frequência. Em três meses, já foram retirados do local e do entorno, como nas proximidades da sanga no bairro Schultz, cerca de 45 caminhões carregados com lixo, o que, segundo o secretário de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade, João Miguel Wenzel, teve papel fundamental nas enchentes dos últimos dias. “Essas limpezas, esses 45 caminhões de lixo que foram levados de lá, ajudaram e muito para que não acontecesse algo pior nessas enchentes”.

A FISCALIZAÇÃO

O coordenador da Unidade Central de Fiscalização Externa (UCFEX), Guilherme Lopes, explica que a atitude correta seria multar os donos do terreno, no entanto, o grande problema é que grande parte daquelas áreas no entorno do trevo são invadidas e por isso, os donos não podem ser multados.
Além disso, segundo ele, apesar da existência de câmeras no local, elas não auxiliam muito na resolução do problema. Primeiro porque grande parte dos descartes por parte de caminhões são feitos durante a noite, quando as câmeras quase não conseguem captar as imagens com a qualidade necessária, não podendo ser visualizadas placas dos veículos ou nomes de empresas, por exemplo. Além disso, os descartes que são feitos durante o dia, normalmente são feitos pelos próprios moradores e craqueiros, e a fiscalização se sente de mãos amarradas porque sabe que são pessoas carentes ou doentes e que de nada resolveria deixá-las em dívida com o município aplicando multas. Elas não pagariam e o lixo não sairia do local.

A SOLUÇÃO

Segundo Duering, a Central de Serviços já está estudando as possibilidades de limpeza do mato que existe em torno do trevo, sem prejudicar ao meio ambiente, mas de forma que a concentração de usuários de drogas diminua. “Nós vamos fazer uma limpeza para evitar que aquelas pessoas se reúnam ali”, afirmou. Deve ser estudada também em breve uma ação que partirá da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação, para tratamento e acompanhamento dos usuários que frequentam o local, para tirá-los dali. Além disso, a Secretaria tem conversado com a Associação do Bairro Bom Jesus, para que a própria entidade procure a ajuda de um promotor para tirar aquelas pessoas da cracolândia.
Guilherme Lopes, por sua vez, lembra que é preciso conscientizar as pessoas e as empresas de que existem locais específicos para o descarte do lixo. Uma das melhores alternativas é chamar a Cooperativa de Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul (Coomcat), sempre que o descarte for de materiais que podem ser reciclados. “A Coomcat está aberta. Os associados da cooperativa estão sempre a disposição”, disse Guilherme. “E essa é a melhor alternativa, pois além de estarem agindo de forma ambientalmente correta, estarão contribuindo para a geração de renda desses trabalhadores”, completou o secretário Wenzel.
Lopes alerta também que, sempre que houver dúvidas com relação ao local de descarte correto, é possível ligar para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pedir uma orientação.
Outra ação que a UCFEX está tentando aplicar, é deixar que uma equipe de fiscalizadores esteja sempre de plantão, mesmo à noite ou nos fins de semana. Isso não acontece no momento, e prejudica bastante o trabalho.

AÇÕES EDUCATIVAS NO ENTORNO DO TREVO

Uma das soluções encontradas e que já está sendo trabalhada, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, são as diversas ações do Projeto Transformando Lixo em Solidariedade, que atende a todas as sete escolas (EMEF Bom Jesus, EEEM Alfredo J. Kliemann, EMEF Menino Deus, EEEM Willy Carlos Frohlich, EMEF Santuário, EEEF Nossa Senhora Esperança e EEEF Bruno Agnes) localizadas nos bairros que estão no entorno do trevo, na BR-471 – Bom Jesus, Schultz, Santuário, Pedreira, Senai, Menino Deus e Santa Vitória.
O projeto que acontece desde maio de 2014, envolve alunos, professores e funcionários e objetiva sensibilizar e conscientizar a população, iniciando pelos mais jovens, sobre a importância dos cuidados com a separação e o descarte correto dos resíduos. Algumas das atividades são as visitas à Usina de Triagem e ao Aterro Sanitário. Além disso, todas essas escolas receberam coletores seletivos para auxiliar e incentivar o descarte correto.
Segundo Wenzel, o objetivo é que Santa Cruz do Sul seja vista cada vez mais como uma referência ambiental. “Queremos conciliar o desenvolvimento com qualidade ambiental e para isso é fundamental investirmos em educação ambiental, e isso deve ser uma ação tanto do município como de cada cidadão”, afirmou.