Início Geral Homem suspeito de abusar da filha adotiva é preso

Homem suspeito de abusar da filha adotiva é preso

Luana Ciecelski
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A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) prendeu na manhã da última quinta-feira, 11, um homem suspeito de ter abusado sexualmente de uma menina de 11 anos. O indivíduo já era conhecido pelos policiais civis, pois em 2012 um inquérito contra ele já havia sido aberto por motivos semelhantes. Na época suspeitava-se que ele tivesse abusado sexualmente da irmã mais velha da atual vítima, jovem que hoje conta com 16 anos, mas o caso foi arquivado. O homem acusado, que é padrasto das duas meninas, é também o pai adotivo de ambas.
A investigação do caso atual partiu de uma denúncia anônima que aconteceu na semana passada. De acordo com a delegada titular da DPCA, Lisandra de Castro de Carvalho, uma pessoa entrou em contato informando que a menina sofria abuso sexual e que se fizessem os exames de corpo de delito, a polícia teria as provas que precisava para acusá-lo. A partir disso, foi feito o contato com a menina e ela foi chamada para uma conversa.
“A menina chegou aqui na delegacia acompanhada pela mãe e pelo próprio pai adotivo, que as trouxe de carro e ficou esperando ali na frente”, contou a delegada. Segundo ela, durante a primeira conversa a menina negou o fato, assim como a mãe da jovem. No entanto, mesmo diante da negativa, a menina foi encaminhada para o exame de corpo de delito.
E o resultado surpreendeu até mesmo a delegada. “O exame afirmava que a menina, de 11 anos não era mais virgem, e que havia sinais de que o desvirginamento não era recente”, explicou Lisandra. Diante disso, a menina mais uma vez foi chamada para prestar depoimento. “Dessa vez o conselho tutelar nos auxiliou, e trouxe a jovem, porque nós não queríamos que ela viesse com o padrasto novamente. E então, nesse depoimento, em meio ao pranto de medo e de vergonha, ela acabou contando que ela sofria abuso sim e que ele já teria estabelecido relações sexuais com ela em pelo menos três ocasiões”, explicou Lisandra. A menina teria dito também que não contou a verdade logo pois não queria que acontecesse com ela o que aconteceu com a irmã, que na época foi encaminhada ao abrigo municipal.

A irmã confessa

A partir da confissão da jovem, outros membros da família foram ouvidos. A mãe da menina afirmou que não sabia que esses fatos aconteciam, pois como a própria vítima relatou à polícia, os abusos aconteciam sempre que a mãe não estava em casa. Já a irmã na atual vítima, que suspostamente teria sido alvo de abusos há dois anos atrás, mas que na época negou o fato, acabou confessando que mentiu por medo, mas que na verdade ela também foi abusada.
“Na época a jovem realizou o exame de corpo de delito e o resultado também foi de que ela não era mais virgem, no entanto, por medo, ela acabou nos dizendo que teria perdido a virgindade com um namoradinho. Agora, diante do caso da irmã, ela acabou confirmando os abusos, e afirmou que eles teriam começado quando ela tinha também 11 anos”, relatou a delegada. O caso foi arquivado e a mãe voltou a se relacionar com o acusado, talvez, segundo a delegada, por necessidades financeiras.
Diante dos fatos que se apresentaram, a DPCA pediu à justiça na última quarta-feira, 10, a prisão preventiva do padrasto, que foi cumprida na manhã de quinta-feira, 11. O homem de 46 anos, natural do Paraná, que não teve a identidade revelada, para que fosse preservada a integridade das meninas vítimas, foi encaminhado ao Presídio Regional. De acordo com Lisandra, ele será acusado de ter cometido um crime hediondo por estupro de vulnerável. “Depois dos 14 anos, só é considerado crime se o ato sexual acontecer mediante violência ou grave ameaça, no entanto antes dessa idade basta ter tido relação sexual para que haja a acusação”, explicou a delegada.

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Para agradecer

A DPCA está pedindo que a denunciante que entrou em contato com a delegacia para fazer a denúncia na última semana se manifeste ou se apresente. De acordo com a delegada, a intenção é agradecer a pessoa que auxiliou na prisão do homem, e pedir que ela preste maiores esclarecimentos, passe mais informações sobre o caso, se tiver. A identidade da pessoa não seria revelada caso ela se apresente, lembrou a delegada.

 

Luana Ciecelski/Arquivo RJ

Delegada Lisandra: “O homem será acusado de ter cometido um crime hediondo por estupro de vulnerável”.