Início Geral RSC-287: Após audiência, nada decidido

RSC-287: Após audiência, nada decidido

Joice Bastos
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Uma comitiva formada por representantes jurídicos, líderes municipais, representantes de associações de empresários, motoristas de vans e caminhões, se encontrou em Porto Alegre com o secretário estadual de Transportes, Pedro Westphalen, e representantes da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), nesta terça-feira, 10. Após a reunião, foi a vez da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul receber a comitiva que se encontrou com o secretário para tentar achar uma solução para a RSC-287.
Na audiência pública, realizada na terça à noite, a comitiva que foi à capital falou sobre a reunião com o secretário e, também, deixou os representantes de grupos comunitários a par do que foi esclarecido na reunião.
Cássio Fernando Filter, um dos organizadores do evento “Eu quero o fim da EGR”, no Facebook, falou um pouco sobre a situação: “Isso mostra o quanto a sociedade está organizada, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Candelária, usuários e entidades empresariais, juntas. A rodovia atende outras localidades, como por exemplo, quem vai para São Borja ou Santa Maria, é uma rodovia de escoamento da Região Metropolitana para a Região Central e da Fronteira. O assunto é grave, o assunto já não é mais de infraestrutura, mas, de segurança pública. O Estado está assumindo o risco doloso, quando permite que exista tráfego em uma rodovia nesse estado, esburacada e sem sinalização”.
De acordo com Anderson André Gonçalves, presidente da comissão de trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a EGR tem consciência da situação da rodovia, e de acordo com o engenheiro da empresa, o recapeamento talvez não ajude, o que levaria a ter que fazer uma nova rodovia, iniciar desde sua base, o que levaria algum tempo, pois será necessário um estudo sobre a situação da estrada, explica Anderson.
As condições da rodovia colocam em risco não só a vida de quem passa por ali a passeio, mas também de quem transita nela, para salvar vidas. Ronei Pappen, médico socorrista do Samu em Santa Cruz e em Venâncio Aires, falou sobre as dificuldades de atendimento na rodovia: “Faço parte da equipe que atende Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, e atendemos a BR-471, a 453, e a RSC-287. Estamos aqui para mostrar a precariedade das rodovias, e o impacto importante que isso agrega no nível de acidentes maiores. Explicar para a população, a dificuldade de acesso aos acidentes, que nas rodovias não é feito exclusivamente pelos Bombeiros. E, também, alertar que, quando uma viatura de socorro sai da cidade para atender acidentes na rodovia, o município fica sem apoio médico, que em um caso grave, pode custar uma vida. Temos hoje, uma carência de equipes para atender rodovias e municípios simultaneamente, e além disso, o treinamento para socorro em rodovias é diferente de atendimento para casos de traumas urbanos por exemplo.” 
Durante o seu discurso na Câmara, o médico explicou ainda que na teoria, tudo está bem, mas, na prática, muita coisa precisa ser feita, como por exemplo, melhorias nas ambulâncias, cones de sinalização que são utilizados nos atendimentos nas estradas, o que, pode colocar a vida dos próprios socorristas em risco, por falta de material para a sinalização correta. É necessário que se entenda que o serviço de atendimento médico de rodovias deve ser diferenciado.
Na reunião em Porto Alegre, a direção interina da EGR disse aos membros da comitiva, que tem consciência dos problemas enfrentados pelos usuários da rodovia, porém, não pode garantir um prazo para consertar o asfalto, mas garantiram que o local é o segundo na lista de prioridades, atrás apenas da rodovia 040, em Viamão, que é a prioridade de conserto.
A EGR explicou para a comitiva que vai continuar os esforços para minimizar os problemas. Cássio, disse que ao menos, conseguiram abrir um canal de comunicação com a empresa, o que antes, era muito difícil.
Para Luciano Naue, presidente do Corepe, um dos maiores problemas são os buracos. “O nosso maior problema hoje, são os buracos, a conservação da rodovia. Apesar da direção interina da EGR estar apenas um pouco mais de uma semana na função, eles já conseguiram se inteirar do assunto, com visitas na estrada, e com a agilização para o conserto da rodovia, o que não se sabe com exatidão quando vai ser feito, por isso, é necessário um pouco de paciência com eles também para que possam se inteirar totalmente do assunto e assim, resolver o problema.”
Pedro Rui da Fontoura, promotor de justiça de Venâncio Aires, que faz parte da comitiva, esteve na audiência em Santa Cruz, e deu seu parecer sobre o caso: “Não temos promessa de nada ainda, pois a direção interina está tentando ficar a par da situação, de rendimentos de cada praça de pedágio, prazos de garantia e de contratos já em vigor de EGR. Após esse levantamento de dados, a empresa conseguirá dar uma estimativa de prazo. A 287 será auditada para daí sim, decidir as medidas que serão tomadas e eventualmente, verificar os prazos de garantia dos contratos. O que temos até o momento, é a promessa de boa vontade.”
A organização do movimento, ao organizar a audiência, pediu para que os líderes dos grupos lá representados, não levassem muitas pessoas, para que se mantivesse a ordem no local, e também para evitar a superlotação.

 

Joice Bastos

Representantes de entidades empresariais acompanharam a audiência

 

Joice Bastos

Cássio: “Caso da 287 não é mais de infraestrutura mas sim de segurança pública”