LUANA CIECELSKI
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A paralisação do setor de segurança pública do Estado – denominada Operação Padrão – que teve início na última sexta-feira, 29 de julho, promete atingir seu ápice nesta quinta-feira, 4 de agosto. Desde o fim da última semana, policiais militares, civis e agentes penitenciários da capital Porto Alegre e de diversas cidades do Estado já reduziram suas atividades. Nessa quinta-feira, no entanto, agentes de todo o Rio Grande do Sul deverão aderir ao movimento, tornando-o mais intenso.

O início da manifestação foi decidido na última quinta-feira, 28 de julho, durante uma reunião do Bloco de Segurança Pública – que abrange Brigada Militar, Polícia Civil, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), o Instituto Geral de Perícias (IGP) e Bombeiros. Todos os órgãos foram convidados a participar de 15 horas de paralisação nessa quinta, das 6h às 21 horas. A principal motivação foi o fato de que semana passada, pela sexta vez no ano de 2016, o governo do Estado anunciou o parcelamento dos salários dos servidores públicos.
Outra alegação de muitas corporações que aderiram à Operação-Padrão é a falta de equipamentos para o trabalho e de funcionários. O movimento reivindica, portanto, o pagamento integral da folha, melhorias na infraestrutura das delegacias, das viaturas e dos armamentos, e contratação de novos policiais.
Essa é justamente a situação da Polícia Civil de Santa Cruz do Sul, de acordo com o representante sindical do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (UGEIRM) na região do Vale do Rio Pardo, Orlando Brito de Campos Junior. “Na região não há muitos problemas em relação à estrutura das delegacias e viaturas, porém, a nossa cobrança é em relação ao efetivo que está baixo”.
Em função disso a região deverá ter, sim, uma boa adesão. “Nós estamos aguardando uma reunião que ainda vai ocorrer em Porto Alegre, com integrantes do Bloco, onde será decidido sobre quais os serviços que serão mantidos ou não nessa quinta-feira”, esclareceu. “Mas existem alguns serviços que estão sendo paralisados durante toda a Operação Padrão. Esses posso dizer que quase certamente não serão realizados na quinta-feira”.
Entre essas atividades estão, por exemplo, as operações especiais. Elas não estão ocorrendo, especialmente fora do horário de expediente, ou seja, antes das 8h30 ou após as 18 horas. Também não estão sendo registradas ocorrências que não sejam criminais, como casos de perda de documentos, acidentes de trânsito e desacordos, que são consideradas menos graves. Foram mantidos apenas os atendimentos para situações em que existe ameaça de vida, flagrantes, violência infantil ou doméstica. “Mas existe a possibilidade de que o Bloco, após a reunião, decida restringir ainda mais os serviços nessa quinta-feira”, explicou Orlando.
Na Brigada Militar, a situação não é muito diferente. De acordo com o Associação Beneficente Antonio Mendes Filho da Brigada Militar (Abamf), também espera-se uma adesão e uma diminuição das atividades na quinta-feira, porém quais os serviços que serão mantidos ou paralisados, ainda não havia sido definido. No caso dos policiais militares, a principal preocupação da região, é em relação ao estado dos veículos e equipamentos de segurança.
Já na Susepe, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, apenas serviços internos estarão funcionando, tais como alimentação, assistência médica e visitas. Já os serviços externos, como transferências e audiências não serão executados durante todo o período de operação.
No caso do Corpo de Bombeiros a situação é mais delicada. De acordo com o Comandante do Departamento Operacional, Capitão Joel Dittberner, a maior parte dos atendimentos realizados pela corporação são emergenciais, como acidentes e incêndios, e por isso não podem ser paralisados. “O que nós talvez façamos é adiar algum atendimento que não seja emergencial, como um corte de árvore simples, um curso ou palestra que estiverem agendados para esse dia. Situações que não exijam uma ação imediata”, explicou.
Ainda de acordo com o Bloco, apesar de o grande dia do movimento estar marcado para essa quinta-feira, a ideia é estender a operação até que o governo quite integralmente as remunerações de julho, o que está previsto para ocorrer apenas no dia 19 de agosto.
Professores também devem parar
O anúncio de parcelamento dos salários dos servidores públicos causou insatisfação também nos trabalhadores da educação. Nessa terça-feira o Cpers/Sindicato anunciou que os professores da rede estadual também vão aderir à paralisação geral do funcionalismo que ocorre na próxima quinta-feira, 4 de agosto. A orientação do Sindicato é para que todas as escolas trabalhem em período reduzido. O 18º núcleo, de Santa Cruz do Sul, confirmou que haverá a participação das escolas locais, com paralisação das aulas e realização de manifestações. “Praticamente todas as escolas vão parar. Temos confirmada a adesão de 90% das instituições”, afirmou Renato Müller, diretor do núcleo santa-cruzense.














