LUANA CIECELSKI
[email protected]
Tudo começou em 2015, quando um grupo de militares do Corpo de Bombeiros de Santa Cruz do Sul, passou por um treinamento voltado para a busca e resgate de pessoas com cães. Quando voltaram para a cidade, os homens traziam com eles a vontade de montar um canil para uso em ocorrências locais. Começou-se então a estudar a possibilidade, os custos e as exigências. Passados alguns meses, na tarde dessa quarta-feira, 10 de agosto, o sonho será realizado. O Corpo de Bombeiros estará inaugurando, a partir das 17 horas, o canil do Batalhão.

A estrutura contará com seis boxes, cada um com cerca de dois metros de largura por quatro metros de comprimento. De acordo com o capitão Joel Dittberner, toda ela foi construída dentro das normas técnicas para construção de canis. Contam com área para banho de sol, abrigo para os animais dormirem, entre outras características. Ela será administrada pelos cinco homens que receberam o treinamento para lidar com os cães, e serão utilizadas, inicialmente, por cinco animais que já estão no batalhão e já começaram o treinamento militar.
Entre eles está uma cadela pastor alemão, dois labradores – um macho e uma fêmea -, um boiadeiro australiano e um pastor malinois. As raças, segundo o capitão, foram escolhidas por serem aquelas que possuem uma capacidade de faro maior e também por serem as mais sociáveis. “Não adiantava nós escolhermos um cão com um bom faro, mas que numa ocorrência, ao localizar a pessoa, fosse atacá-la por ser de uma raça mais violenta. Por isso tínhamos que encontrar animais com essas duas características”, explicou.
Treinamento
Dos cinco cães, três deles ainda são filhotes, e por isso, ainda há um longo caminho a percorrer no quesito treinamento. No entanto, uma das cadelas, a pastor alemão chamada de Lana, já está sendo treinada há cerca de um ano e por isso está mais adiantada. “Existem três níveis de treinamento: o básico, o avançado e o pronto-emprego. Para poder ser utilizado em ocorrências o cão precisa estar nesse último nível. A Lana está entre o avançado e o pronto-emprego”, explica Dittberner.
A expectativa é que ela esteja pronta para atuar até o fim do ano. Depois de concluídos todos os treinamentos, no entanto, ela ainda precisará passar por uma certificação, que também é realizada em Montenegro. Os demais, como ainda estão no nível básico, devem levar cerca de um ano para estarem prontos. Nesse meio tempo, no entanto, eles recebem treinamento diário. “Se ficarem alguns dias sem treinar, eles esquecem. Por isso é importante o rigor e a rotina com todos os cães, mesmo depois de certificados”.
No entanto, para os Bombeiros a existência dos cães, mais do que uma realização, já significa que em breve, toda a corporação poderá contar com mais um recurso para o trabalho. Especialmente no que se refere à busca e resgate de pessoas desaparecidas ou em situações de risco. “Os animais conseguem fazer uma cobertura mais ampla e precisa, porque eles têm os sentidos – especialmente a visão, o olfato e a audição – mais apurados”, evidência o capitão.
Ainda de acordo com ele. Depois de treinados os animais deverão ser utilizados principalmente na busca de pessoas desaparecidas por causa de catástrofes naturais. “Nós não temos aqui na região nenhuma grande floresta ou um cânion onde as pessoas podem se perder. Mas situações como enxurradas são mais comuns”, lembra.
Evento
O evento dessa quarta-feira será aberto ao público e durante a apresentação das estruturas construídas, será realizada também uma apresentação em nível básico e avançado com os cães.
Também estão previstos agradecimentos a algumas pessoas físicas e jurídicas que fizeram doações e que tornaram possível a construção do canil, e também, de acordo com o capitão, ao casal que fez a doação dos dois labradores e a uma veterinária que tem realizado gratuitamente os atendimentos aos cães, inclusive orientando sobre vacinas e alimentação.














