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Hora de retomar a rotina

LUANA CIECELSKI
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Depois de tantos dias de chuva, na última quinta-feira, 20 de outubro, finalmente o sol voltou a aparecer no céu gaúcho. Para todos os santa-cruzenses foi oportunidade de abrir a casa, limpá-la, colocá-la em ordem. Para muitos, foi oportunidade também de recomeçar e retomar a rotina normal que os dias de chuva intensa levam embora. Para alguns outros, infelizmente, também foi dia de chorar as perdas. Esse é o caso dos moradores do bairro Várzea. 

Correnteza que se forma quando a água cobre a rua Irmão Emílio foi a causa do acidente que vitimou um morador do bairro Várzea

Depois de quatro dias de chuva contínua, e em muitos momentos também intensa, que somaram 288 milímetros, na última quarta-feira, 19 de outubro, o Rio Pardinho, que é vizinho do bairro, atingiu 7,36 metros acima de seu nível normal. E de acordo com a Defesa Civil do município, pode até ser que tenha subido mais, porém, depois que atinge essa altura, a medição se torna inviável e por isso não há como saber. 

O que acontece nesses casos, os moradores da Várzea já sabem bem. Aqueles que moram na Rua Irmão Emílio, ou na localidade existente ao fim dela, conhecida como Praia dos Folgados, ficam ilhados, na melhor das hipóteses. Na pior delas, eles precisam sair de casa porque a água começa a invadir. 

Nessa quarta-feira, porém, eles ficaram apenas ilhados. Isso acontece, de acordo com a Defesa Civil, por causa dos desníveis na própria rua Irmão Emílio. Quando as águas atingem certo ponto, depois de alagarem os terrenos do entorno da via, elas começam a cobri-la nos locais mais baixos. Como os terrenos são, em sua maioria, mais elevados porque os moradores já os aterram assim, a água não chega a entrar nas casas mas fica no entorno delas. A maior parte das famílias, então, não sai. Fica presa. 

Um dos grandes problemas, no entanto, é que quando a água cobre a via de um lado a outro, uma correnteza se forma. Foi justamente o que também aconteceu na madrugada de quarta-feira, quando já havia chovido mais de 250 milímetros na cidade. E apesar de acostumados, alguns moradores acabam se envolvendo em acidentes, como foi o caso de André Joaquim Kroth, de 52 anos, que acabou se afogando. 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o homem que conduzia um Kadett, tentou atravessar a rua Irmão Emílio por volta da 1h30. Como essa estava boa parte em baixo d’água, e em alguns pontos a profundidade chegava a meio metro, André não conseguiu completar a travessia. Antes mesmo que pudesse tentar uma manobra para retornar, o veículo começou a ser levado pela correnteza e acabou virando dentro da água. O corpo só pode ser retirado da água com a chegada do guincho. 

Uma nota enviada à imprensa pela Prefeitura de Santa Cruz do Sul na quinta-feira, informou que durante toda a noite e durante parte da madrugada, as equipes da Defesa Civil estiveram presentes no local auxiliando os moradores na travessia das partes alagadas com um caminhão, mas que o acidente envolvendo o Kadett aconteceu justamente “no momento em que a equipe da Defesa Civil deslocava-se para verificar a situação das enchentes em outros pontos do bairro, uma vez que o nível do Rio Pardinho aumentava gradativamente”, conforme constava no texto. 

A mesma nota informou ainda que antes desse deslocamento, em mais de uma oportunidade, a vítima foi advertida para não efetuar a travessia da rua, visto a força da correnteza e o perigo de afogamento. O morador, no entanto, teria decidido arriscar e o acidente acabou acontecendo, encerrando os quatro dias de chuva com um falecimento.

Na manhã de quinta-feira, no entanto, o sol começou a voltar e com ele a rotina. De acordo com as medições da Defesa Civil, entre às 8h e às 13 horas, o nível do Rio Pardinho já havia recuado 10 centímetros e no início da tarde já era possível o trafego de carros de passeio pela rua Irmão Emílio. A essa altura também já se sabia que havia uma previsão de estabilização do clima, de forma que a expectativa era, já então, a de que o rio continuasse baixando. 

Chuva pode voltar

Os santa-cruzenses precisam, no entanto, permanecer alertas, pois a previsão do tempo indica que já nesse domingo pode volta a chover. De acordo com o site Climatempo, a precipitação pode ter início durante a tarde e seguir durante noite. Nesse dia porém, estão previstos apenas em torno de 11 milímetros de chuva. 

Ainda de acordo com o site, na segunda-feira, o tempo deve permanecer fechado, com chuva não muito forte em alguns momentos do dia. Na terça-feira, porém, ela poderá engrossar novamente, chegando a cerca de 40 milímetros. Essa quantia de chuva não deverá ser suficiente para causar alagamentos, mas vale lembrar que os terrenos ainda estão encharcados. 

Linha Júlio de Castilhos
Após o susto da última segunda-feira, o prefeito Telmo Kirst retornou na última quinta-feira, 20 de outubro, na localidade de Linha Júlio de Castilhos, onde a velha ponte de madeira sobre o Arroio Castelhaninho desabou. Ele já deu início às tratativas com o Exército para que a instituição auxilie na montagem de uma estrutura provisória até que outra ponte seja reconstruída no local. Até o final desta semana a Defesa Civil do município conclui a elaboração de um relatório completo da situação, a fim de buscar recursos junto ao Governo Federal para a execução da obra. (Informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura)
Telmo voltou à Linha Júlio de Castilhos, onde a ponte caiu