Viviane Scherer Fetzer
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Em uma parceria entre a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e Defesa Civil, através do Projeto “Adaptação à Mudança Climática no Vale do Rio Pardo”, coordenado pelo professor do Departamento de Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Unisc, Markus Erwin Brose, foi lançado na última quarta-feira um encarte destinado à população, com informações sobre fenômenos naturais e o clima da região. A parceria entre a Unisc e a Defesa Civil ocorre há alguns anos e conforme Brose, o objetivo com o projeto é de dinamizar e dar maior visibilidade, além de contribuir para que a parceria possa se expandir para outras organizações que também trabalham com as condições climáticas.
O encontro reuniu jornalistas e radialistas da região, além de integrantes da Defesa Civil do município, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Santa Cruz do Sul, tenente José Joaquim Dias Barbosa, “esse material vai chegar nas mãos de milhares de pessoas que vão ter um conhecimento do que está ocorrendo na nossa região sobre mudança climática”. Ele ainda destacou que as mudanças estão contribuindo cada vez mais para chuvas intensas, queda de granizo, ventos fortes que acabam atingindo principalmente as comunidades que vivem em áreas de risco tanto de deslizamentos quanto de alagamentos. A mudança do clima, seja para o bem ou para o mal, provoca mudanças, especialmente na economia, de acordo com Brose. “O que é positivo é que tem empresas hoje na região, sem que seja feita uma imposição legal, e que de forma voluntária estão inovando ou produzindo produtos com menos emissão de gás de efeito estufa ou fazendo o plantio de árvores”, destaca. Santa Cruz do Sul é o quinto município em número de micro unidades de geração de bioenergia, com painéis solares, sem terem sido obrigados, “seja utilizando energia renovável ou reflorestando, o que é bom para todo mundo”, frisa.
A presidente do Comitê de Bacia do Rio Pardo, Valéria Borges Vaz, salientou que a publicação serve justamente para levar informações à população, “quanto mais informada estiver, mais terá formas de olhar a situação de um modo qualificado”, explicou.Segundo o professor Brose, o objetivo do encarte é tratar sobre os impactos das mudanças climáticas, inclusive o impacto econômico. “O modelo de desenvolvimento da economia a qual conhecemos hoje vai começar a mudar, principalmente na questão de preços. A água terá um custo mais alto, assim como o combustível, a poluição vai começar a ser controlada e os recursos ecológicos serão mais frequentes nas próximas décadas”, avalia.
O pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional e coordenador da Estação Meteorológica da Unisc, Marcelino Hoppe, acredita que as recentes mudanças climáticas ocorridas na região podem ser uma tendência. “Um evento climático que antes demorava cerca de 100 anos para bater recorde, agora leva em torno de 500 dias”, ressaltou. Hoppe observou que as noites estão com temperaturas mais elevadas e que atualmente há menos dias de chuva, porém com mais intensidade.
O encarte
Em quatro páginas, o encarte traz dados sobre a Defesa Civil, a gestão de riscos em desastres, a campanha nacional de cidades resilientes, as mudanças climáticas e seus impactos, entre outros, assim como os resultados das pesquisas do Núcleo de Gestão Pública da Unisc (NGP) e o trabalho do Comitê do Rio Pardo. O projeto amplia a parceria existente entre o NGP e a Defesa Civil, que atua junto aos Núcleos Comunitários de Defesa Civil de Santa Cruz do Sul (Nudec), buscando iniciar, também, a divulgação de informações de base científica em outros municípios do Vale do Rio Pardo.
O encarte circulou na edição desta quinta-feira , 24 de novembro, no jornal Arauto, de Vera Cruz, e foi distribuído junto com a edição desta sexta-feira, 25, do Jornal Tribuna Popular, de Sinimbu. A ideia é que outros encartes sobre mudanças climáticas sejam produzidos no decorrer de 2017. O material será levado, segundo o professor Markus Erwin Brose, para reuniões comunitárias, reuniões de bacias e também ficará disponível, em breve, em formato eletrônico,em um site que está sendo criado para divulgar o projeto.














