Viviane Scherer Fetzer
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Para marcar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, 1º de dezembro, profissionais da Secretaria Municipal de Saúde estiveram das 9h às 12h, na Praça Getúlio Vargas, orientando e informando a comunidade, especialmente sobre questões voltadas à prevenção. Além da distribuição de panfletos e preservativos, nesse dia de luta contra a Aids, foram realizados testes rápidos para detecção de HIV, sífilis e hepatites B e C, em quantitativo limitado. Quem não tivesse interesse em fazer o exame no local era orientado a procurar qualquer uma das unidades básicas de saúde de sua referência ou o próprio Centro Municipal de Atendimento a Sorologia (Cemas), que possui uma equipe multidisciplinar, capacitada para atender a qualquer necessidade de pacientes com HIV/Aids. Dispensers para distribuição de preservativos também serão colocados nas unidades de saúde.
Conforme a coordenadora do Cemas, Daiana Raddatz, a atividade era justamente para estimular o teste rápido trazendo orientação e informação, além da distribuição dos preservativos. “Durante o mês a gente vai estar trabalhando com ações de prevenção junto a boates que a gente normalmente não tem acesso, com o público LGBT também”, explica Daiana. Segundo ela, os casos de HIV em Santa Cruz têm se mantido em uma média crescente como a realidade do Estado. Tiane Lopes Reis, coordenadora municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/HIV/AIDS), conta que “em 2015 foram cadastrados em nosso serviço 95 pacientes, e agora, até dia 29 de novembro, quando tracei o novo perfil temos 65 pacientes no município, em 2016”. A equipe atende a toda a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, são nove municípios.

De acordo com dados Sistema de Informação de Agravos de Notificações (SINAN/NET), Santa Cruz do Sul ocupa hoje a 12ª posição no ranking da taxa de detecção da doença, entre os municípios do Rio Grande do Sul. Porém, segundo Daiana, isso não significa que o município tenha as taxas mais elevadas do Estado, mas que possui um sistema avançado para notificação dos casos.
Dentre os objetivos do município ao realizar atividades no dia Mundial de Luta contra a Aids estão o de conscientizar as pessoas sobre os agravos e riscos em caso de abandono de tratamento e diagnóstico tardio. Segundo a coordenadora, é preciso lembrar que em 34 anos de epidemia do HIV/Aids no Brasil, muitos avanços já foram alcançados para melhorar a qualidade de vida de quem vive com o vírus ou já adquiriu a doença. “A cada dia surgem novas estratégias para que a população não dissemine o vírus e para que os que já estão contaminados tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento específico para reduzir as chances de adoecimento”.
Teste rápido
A equipe de profissionais da Saúde envolvida na ação estava realizando o teste rápido para verificar se a pessoa possui Hepatite B, C, Sífilis ou HIV. No local era feita uma entrevista para saber se a pessoa teve relação, usou camisinha, usou drogas. Depois da entrevista eram encaminhados para fazer o teste que fura o dedo, da mesma forma que para o teste de glicemia, e retira quatro gotas, uma para cada doença. O resultado ficava pronto em 15 minutos e logo no início da atividade já havia grande adesão do público que passava pela Praça. Nelci Severo resolveu aproveitar que estava com tempo e realizou o teste. “É pela preservação da saúde da gente, futuramente podemos ter e se não fizermos os exames não teremos como saber o que temos”, explicou.
Balanço do Ministério da Saúde
Um novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira mostrou que atualmente 827 mil pessoas vivem com HIV/Aids no país. 372 mil (45%) são pessoas que ainda não estão em tratamento e 260 mil pessoas que não estão em tratamento já sabem que estão infectadas. Já as outras 112 mil, vivem com HIV sem saber. “O principal objetivo do Ministério da Saúde hoje é cobrir o grupo de 372.000 pessoas que ainda não estão em tratamento”, disse Adele Benzaken, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Para o ministro da Saúde Ricardo Barros, “é importante fazer um apelo para que as pessoas façam a testagem para que não passem esse vírus para a frente”.
Embora afirme que a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos, a cada 100.000. Houve um aumento de casos principalmente entre populações vulneráveis e nos mais jovens. Entre pessoas com idade entre 20 a 24 anos, a taxa de detecção subiu de 16,2 casos por 100.000 habitantes, em 2005, para 33,1 casos em 2015. Segundo o ministério, dois motivos explicam a vulnerabilidade dos jovens: menor inserção nos serviços de saúde e menor adesão ao tratamento. “Os jovens de modo geral não frequentam o serviço de saúde e possuem taxa de cobertura vacinal pequena”, complementou Barros.
Ainda segundo o boletim, casos de aids em mulheres tem apresentado queda em todas as faixas etárias, mas em especial, na de 25 a 29 anos. Por outro lado, a infecção tem crescido entre homens jovens de todas as faixas etárias. Em 2006, a razão entre os sexos era um caso mulher para cada 1,2 casos homem. Em 2015, é um caso mulher para cada três casos homens.
O levantamento mostrou também uma queda de 42,3% na mortalidade pela doença nos últimos 20 anos. A taxa caiu de 9,7 óbitos por 100.000 habitantes, em 1995, para 5,6 óbitos por 100.000 habitantes em 2015. Desde a implantação do tratamento para todos, em 2013, o número de pessoas infectadas e tratadas subiu 38%. De janeiro a outubro de 2016, 34.000 novas pessoas com HIV e aids entraram em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na meta referente à redução da carga viral, o Brasil passou de 75%, em 2012, para 90% em 2015, ou 410.000 pessoas. Em relação ao diagnóstico da doença, o Brasil passou de 80%, em 2012, para 87%, em 2015, o que equivale a 715.000 pessoas. Somente em 2015, foram realizados 8,5 milhões de testes de HIV no país.














