Início Geral João Derly defende afastamento de Temer

João Derly defende afastamento de Temer

Nelson Treglia
[email protected]

O deputado federal João Derly, da Rede Sustentabilidade, foi homenageado em Santa Cruz do Sul no último sábado, 16 de setembro, durante a cerimônia de abertura do Campeonato do Interior do Estado de Judô. A competição, realizada no ginásio do Colégio Marista São Luís, ocorreu um dia depois do aniversário de uma grande conquista do judô brasileiro. Em 15 de setembro de 2007, o judoca João Derly chegou ao bicampeonato mundial no Rio de Janeiro (o primeiro título havia sido obtido na cidade do Cairo, Egito, em 2005).

A homenagem no ginásio do São Luís foi feita pela Associação de Judô Santa Cruz (Ajusc). “Parece que foi ontem”, disse João Derly à reportagem do ‘Riovale Jornal’, em referência ao bicampeonato mundial. Ele elogiou a realização do Campeonato do Interior. “O desenvolvimento do judô me dá muita alegria. No futuro, quem sabe daqui a dez anos ou menos, poderemos ter alguém do interior representando o Brasil, nos enchendo de orgulho. É meu grande desejo.”

João Derly destacou a relevância desta modalidade sob o aspecto educativo, pois, no Campeonato do Interior, muitos jovens fizeram parte da competição. “A Unesco declarou o judô como o esporte mais completo para a formação de crianças e jovens”, lembra. “O Rio Grande do Sul sempre formou muitos atletas, mas eles eram ‘exportados’. Agora eles são mantidos aqui”, complementa.

Recentemente, inspirada no exemplo de João Derly, a gaúcha Mayra Aguiar conquistou também o bicampeonato mundial em Budapeste, Hungria. Mayra é atleta da Sogipa, de Porto Alegre, mesmo clube em que João Derly desenvolveu sua trajetória no judô. Em 2007, além de bicampeão mundial, ele ficou com o ouro nos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro. Em 2005, no Cairo, João Derly tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de judô, derrotando na final um atleta do Japão, onde a modalidade foi fundada, no século 19.

João Derly recebeu homenagem da Ajusc no ginásio do Marista São Luís, pelo bicampeonato mundial de judô conquistado em 2005 e 2007

POLÍTICA, LAVA JATO E TEMER

A trajetória vitoriosa no esporte permitiu a João Derly um desempenho positivo na política. Primeiro, ele elegeu-se vereador em Porto Alegre e, posteriormente, deputado federal. Iniciou trajetória no PCdoB e agora integra a Rede Sustentabilidade. Em relação à Operação Java Jato, ele se mostra favorável. “Eu tenho certeza que a Lava Jato foi importante e é importante. A Lava Jato foi a maior contribuição feita para a política, e veio de fora da política. Mostrou toda a sujeira que havia debaixo do tapete. Muita gente desconfiava que essa sujeira existia, agora está evidente e claro”, ressalta o deputado.

João Derly destaca o envolvimento do PT, PMDB e PP nos casos de corrupção. “Fizeram um esquema grande e fatiaram o Estado”, explica. Segundo o deputado, os acordos com as grandes empreiteiras e grandes empresários tinham o objetivo de utilizar-se do poder para perpetuar-se no poder. “A Lava Jato tem que ter seguimento. Ela tem sofrido diversos ataques, tentando coibi-la. Grande parte da cúpula política do nosso país está envolvida. Eles tentam coibir e acabar com a Lava Jato”, aponta João Derly.

Sobre o presidente da República, o deputado defende que Michel Temer não deveria permanecer no cargo. “Sem dúvida alguma, o presidente Michel Temer não tem moral e, se ele tivesse dignidade, teria renunciado já. Quando se chega ao poder, o poder domina o ser, e este não quer entregar de jeito algum”, avalia. João Derly critica argumentos como “tudo é perseguição”, “não há prova”. Segundo o deputado, o próprio testemunho é uma prova. “Na primeira denúncia, eu já entendia que o presidente deveria ser afastado”, reforça João Derly.

O deputado recorda que alguns deputados da base aliada ao governo defendem que o presidente deveria responder pelas denúncias após o mandato. Para João Derly, isto não pode acontecer. “Ele (Temer) tem que responder agora”, frisa, destacando também o caso do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) na suposta compra de votos para que os Jogos Olímpicos fossem realizados no Rio de Janeiro em 2016. João Derly teme que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, através de sua influência na entidade, consiga evitar uma possível punição. Tanto no caso de Temer quanto no de Nuzman, cria-se uma “guerra contra a Justiça”, aponta o deputado.

Em relação a Michel Temer, particularmente, João Derly acredita que ele deveria ser afastado para que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa trabalhar com mais tranquilidade. “Hoje o governo tem se segurado e o carro-chefe seria a economia, sendo que o governo deveria ser o carro-chefe e depois deveria vir a economia. O país viveu uma recessão muito grande e agora dá sinais de melhora, mas o governo não pode se esconder atrás da economia, achando que está tudo bem. Nós sabemos qual é o preço de um governo extremamente corrupto: chegar a uma recessão que nós chegamos, ao ponto de termos 14 milhões de desempregados. Talvez o mercado possa se restabelecer durante um período, mas um governo afundado em corrupção pode pesar lá na frente, e a própria economia afundar novamente, em um ponto irreversível como vimos na Grécia”, analisa João Derly.