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Atlas dos Desastres Naturais é lançado

LUANA CIECELSKI
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A última quarta-feira, dia 8 de novembro, foi um dia histórico para todos aqueles que trabalham com a Defesa Civil no município de Santa Cruz do Sul. Foi lançado na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), um Atlas dos Desastres Naturais da cidade. O material, lançado em formato de e-book, foi organizado pelo professor do Departamento de Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Unisc, Markus Erwin Brose. 

O livro traz uma série de informações relacionadas a eventos climáticos que aconteceram entre os anos de 1991 e 2016. A maior parte delas consiste em reportagens feitas por três jornais impressos da região – Riovale Jornal, Gazeta do Sul e Arauto – mostrando os desastres naturais e suas consequências. Além disso, através de imagens que buscam justamente sensibilizar o leitor, o livro também aponta situações que podem ajudar a piorar os problemas climáticos e outras ações, muitas delas feitas por moradores de áreas de risco, que ajudam a minimizar os problemas. 

O professor Markus Brose apresentou o atlas organizado por ele durante dois anos

De acordo com o professor Markus, foram cerca de dois anos de trabalho para montar o e-book, o primeiro deles dedicado à pesquisa e reunião do material necessário e o segundo para a montagem propriamente dita. Ele explica ainda que a ideia de montar esse atlas surgiu a partir das projeções climáticas para os próximos 70 anos. “Na região Sul do país, especialmente do RS, teremos um clima cada vez mais úmido e quente, e em consequência disso, teremos cada vez mais tempestades, mais fortes, mais custosas e ainda mais impactantes”, ele aponta. “Os desastres naturais serão cada vez mais uma preocupação, então eu pensei: como posso contribuir para mudar isso? Assim surgiu a ideia do Atlas, que foi inspirado num Atlas Nacional montado em 2013”, explica. 

Markus aponta ainda que o objetivo desse compilado de informações, não é necessariamente apontar conclusões sobre mudanças climáticas ou soluções de problemas, mas oferecer um material que possa ser utilizado em sala de aula por professores da universidade, e que instigue alunos a fazerem perguntas, iniciem pesquisas para compreender o que está mudando, por que está mudando e o que pode ser feito para parar essa mudança e para diminuir seus efeitos. 

Além disso, o e-book também pode ser interessante para a própria comunidade, especialmente aquela que é moradora de localidades consideradas de risco. A partir da leitura, é possível pensar em ações que diminuam riscos, além do desenvolvimento de uma consciência ambiental. O livro pretende auxiliar também em uma mudança cultural de longo prazo, no sentido de diminuir o oferecimento e a busca de moradias em áreas frequentemente atingidas por desastres naturais. O e-book, pode ser acessado e baixado gratuitamente através do endereço eletrônico www.unisc.br/pt/home/editora/e-books. 

DESFESA CIVIL PARTICIPOU

Durante todo o evento que aconteceu na manhã de quarta-feira, a Defesa Civil do município de Santa Cruz, bem como representantes da Unidade Regional da Defesa Civil, participaram das atividades. Num dos momentos, a unidade municipal recebeu de presente um mapa Hipsométrico. Apresentando o relevo da cidade através de cores, o mapa apresenta as áreas mais baixas onde podem ocorrer enchentes, as encostas onde podem ocorrer deslizamentos e as áreas mais altas onde ventos chegam com mais força, podendo causar destelhamentos e derrubar vegetação. Conforme apontou o comandante da unidade municipal, o Tenente José Joaquim Barbosa, o mapa é de grande valia porque traz no papel aquilo que a equipe de Defesa Civil já tinha em mente, e porque poderá ser utilizado em ações preventivas e elaboração de estratégias que evitem grandes desastres naturais. 

Defesa Civil de Santa Cruz recebeu um Mapa Hipsométrico

Num segundo momento, a participação se deu com o Coordenador Regional da Defesa Civil, Tenente Coronel André Ricardo Silvério, que palestrou sobre a Política Estadual de Gestão de Riscos e Desastres Naturais. Na oportunidade ele contou um pouco da história da Defesa Civil no Estado, iniciando com a atuação dos Bombeiros, e explicou alguns processos do trabalho da Defesa Civil, como os tipos de ações e ocorrências já atendidas. Em 2017, por exemplo, já foram 226 município no RS afetados por desastres naturais, e 198 municípios de decretaram emergência ou estado de calamidade pública. 

Silvério também destacou fortemente a necessidade de planos de contingência. “Não é o caso de Santa Cruz do Sul, mas na região temos muitas cidades que não estão preparadas para nenhum tipo de ocorrência climática e que não têm estrutura para lidar com situações arriscadas, auxiliando a comunidade”, comentou. Na visão dele, os planos são os documentos mais básicos que uma unidade deve ter, e eles devem estar sempre atualizados. Eles servem para dizer o que fazer em cada situação, e eles devem estar prontos sempre, para que as equipes não tenham que trabalham com base no improviso diante de uma situação de risco.