
LUANA CIECELSKI
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SARA ROHDE
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Na presença de cerca de 500 pessoas que compareceram à sessão extraordinária da Câmara de Vereadores na noite da última quarta-feira, 18 de julho, foi aprovado por 9 votos a 7 o Projeto de Lei de Autoria do Executivo Municipal, que altera as regras para concessão de vale alimentação e vale transporte para os funcionários municipais.
A mudança afetara os 3,7 mil servidores que tem a Prefeitura. A partir de 2019, aqueles que estiverem de férias, faltarem ao serviço ou apresentarem atestados médicos, não receberão mais os benefícios referentes aos dias de ausência. Na mesma matéria ficou instituído o bônus-assiduidade, que prevê o pagamento de até R$ 550,00 por ano, a partir de 2020, ao servidor municipal que não faltar durante o ano anterior. Esse bônus foi proposto pelo município como uma forma de tentar amenizar o descontentamento dos servidores.
A votação teve votos contrários dos seis vereadores do PTB, que são da oposição, e do vereador Alex Knak (MDB). Subiram à tribuna Mathias Bertram, Francisco Carlos Smidt, Bruna Molz, Kelly Moraes e Esltor Desbessell. Todos condenaram o projeto de lei e criticaram a medida do prefeito Telmo Kirst. Desbessell chegou a questionar a legalidade do projeto, alegando que o prefeito estaria de férias no momento do encaminhamento da matéria (para tanto chegou a mostrar um empenho de pagamento da Prefeitura).
Já Alex Knak, o único da situação a se posicionar contra o corte, justificou seu voto pela falta de clareza em alguns pontos. Para ele, é correto não pagar os benefícios para aqueles que estiverem ausentes, mas o bônus-assiduidade é questionável, em sua opinião, assim como o argumento de que há um excesso de atestados apresentados pelos servidores municipais.
É importante destacar que o projeto foi apresentado pelo Executivo ao Legislativo por conta de uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul e que o município estaria sujeito à multa caso não o fizesse.
Além do projeto dos Vales, ainda na noite de quarta-feira foram votadas emendas de autoria dos vereadores Francisco Carlos Smidt e Elstor Desbessell, que amenizavam a proposta. Uma delas dividia o valor de R$ 515,00 pelos 11 meses restantes. Todas acabaram derrubadas pelos votos da situação. Foi aprovado ainda o projeto que altera o padrão de vencimento das telefonistas/recepcionistas. Os votos contrários foram da bancada do PTB e do vereador Hildo Ney Caspary (Progressistas).
MOVIMENTAÇÃO
Boa parte dos servidores que estiveram presentes na Câmara de Vereadores na noite de quarta-feira, já estava reunidos desde a tarde daquele mesmo dia, em manifestações que iniciaram no Centro da cidade, e que iniciaram por volta das 14 horas. Num primeiro momento, o grupo se reuniu na Praça Getúlio Vargas de onde iniciou uma caminhada pela Rua Marechal Floriano até o Palacinho da Prefeitura, onde uma pausa foi feita e um ato foi realizado. Na sequência, o grupo se dirigiu para a sede do Legislativo Municipal.
Chegando lá, o Presidente da Câmara, Bruno Cesar Faller (PDT) recebeu os presidentes do Sindicato dos Funcionários Municipais, José Bonifácio Almada, e a presidente do Sindicato dos Professores Municipais (Sinprom), Rosane Martinez, a fim de acertar detalhes quanto à sessão. Uma equipe de soldados do Pelotão de Operações Especiais (POE) chegou a ficar de plantão para acalmar os ânimos caso necessário e reforçar a segurança.
De acordo com a professora municipal, Cintia Pagel, o projeto corresponde a uma retirada de direitos dos servidores. “Se o servidor ficar doente ele não recebe. A prefeitura quer que a gente trabalhe doente, se não perdermos nossos direitos. A gente ainda realiza trabalhos lúdicos nos fins de semana com a comunidade escolar, e esses dias trabalhados não poderão ser trocados por folga, pois são desconsiderados e não serão pagos”, apontou.
O posicionamento do presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais (Sinfum), José Bonifácio Almada, foi o mesmo. “A prefeitura quer retirar do servidor público de Santa Cruz do Sul o vale-alimentação nas férias, um direito que temos desde 1995 e que nunca foi retirado. Mas mais do que isso, eles querem tirar o vale-alimentação nas férias, no atestado, na licença em caso de óbito, se for acompanhar um filho no médico. O vale recebido é de apenas R$ 515,00 e a prefeitura quer tirar esse valor das famílias e dos trabalhadores”, disse ele em meio as manifestações. Após o encerramento da votação, Almada lamentou o resultado e disse que contava com, pelo menos mais dois votos contrários ao corte de vales, o que não aconteceu.

Mathias Bertram (PTB)
Francisco Carlos Smidt (PTB)
Bruna Molz (PTB)
Kelly Moraes (PTB)
Elstor Desbessell (PTB)
Luiz Ruas (PTB)
Alex Knak (MDB)
Alceu Crestani (PSDB)
André Scheibler (SD)
Ari Thessing (PT)
Edmar Hermany (PP)
Gerson Trevisan (PSDB)
Hildo Ney Caspary (PP)
Licério Agnes (PP)
Paulo Lersch (PT)
Solange Finger (SD














