Início Geral Dos EUA ao Brasil: há 20 anos neste trajeto

Dos EUA ao Brasil: há 20 anos neste trajeto

Há 20 anos Angela Kelber reside nos EUA e todos os finais de ano visita a família no Brasil

Sara Rohde
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Há quem tem o sonho de ir morar em outro país, fazer carreira, se profissionalizar, e viver em uma cultura com diferentes costumes. É o caso da Angela B. Kelber, que há 20 anos deixou o país tropical e foi residir nos Estados Unidos, onde se tornou oficialmente cidadã americana. A escolha ocorreu devido a oportunidades, experiências na área da comunicação, graduação em Relações Públicas, e pela fluência na língua predominante da América, o Inglês.
Angela chegou ao Brasil em 24 de dezembro para as festividades de Natal e com o principal objetivo de visitar os familiares, costume que já virou tradição todos os anos. A saudade pelos pais é grande, pela cidade onde cresceu também, mas se alguém perguntar à ela se quer voltar ao Brasil para morar, a resposta é não.
Atualmente a RP trabalha como Director of Community  and Professional Development na Universidade de Wisconsin UWMilwaukee (Diretora de Desenvolvimento Profissional para Extensão de Ensino Superior). O Estado fica localizado na região Norte dos EUA. Anteriormente a diretora residia em Boston, Massachusetts, e, após quatro anos como gerente em UWMilwaukee, começou a dirigir toda a área universitária.
 “Lá nos EUA é fácil, existe um avanço profissional. Não há dificuldade de conseguir um emprego, basta se especializar que há diversas oportunidade”, disse ela sobre o que a levou a ir morar longe. “Eu vejo mais oportunidades, mais reconhecimento, se você mostrar seu trabalho, mostrar o que faz, você ganha este reconhecimento, e isto não tem preço. No Brasil é mais importante você arrumar um emprego, do que se especializar na área em que atua, esta é uma grande diferença”, comentou.
A ida aos EUA se deu através de um convite para estudar Especialização em Marketing. Como ela gostou do país, fez cursos e se especializou na área, acabou ficando por lá. Mas o que abriu suas portas foi a língua inglesa, “sempre me perguntam o que me ajudou mais, o curso de comunicação ou o inglês, e eu respondo: o inglês abre as portas. Pra mim pelo menos abriu muito, e claro, o meu lado acadêmico ajudou também. Na época eu consegui uma bolsa para estudar lá e o fato de eu ter um bom currículo no Brasil me deu uma grande oportunidade”, contou.
A americana domina a língua desde os 15 anos, o que já garantiu acesso à comunicação com outros americanos, “quando eu era mais nova eu era interprete do Rotary, ajudava na comunicação dos estrangeiros associados que vinham ao município, e na época, eu já dominava a língua, eu tinha uma paixão por tudo que era ligado aos EUA”.
Após se formar em Comunicação Social, Angela foi pra São Paulo onde ficou por 15 anos. Lá ela trabalhou na Universidade de Medicina da USP e depois se tornou Diretora de Marketing de todo o complexo do Hospital das Clínicas e da faculdade de Medicina da USP. “Eu estava realizada, pois trabalhava com o que eu queria, estava em contato com várias pessoas importantes, com políticos e celebridades como Lady Di e Airton Sena”, relembrou.
No ano de 1999 Angela se mudou para o país dos seus sonhos. Assim que chegou à América começou a trabalhar na área de marketing e mídia. Com o passar do tempo mudou de Estado e se profissionalizou na área de extensão de ensino superior. “Uma dica importante para quem tem o sonho de ir pros EUA, tanto para residir, como viajar, aprenda a falar Inglês”.  
Entre as diferenças de um país para o outro estão a agilidade no dia-a-dia, facilidade em viver, em estar lá, explicou. Alguns exemplos são: o trânsito totalmente organizado, e o comércio, que trabalha de forma transparente. De acordo com Angela, lá é possível adquirir um produto e se não gostar, não servir, é possível trocar. A compra online também é totalmente segura. “Aqui no Brasil você precisa ter certeza do produto que vai comprar, pois se quiser trocar, haverá inúmeras dificuldades”.
Outro diferencial é a tecnologia avançada, e um exemplo dado é o uso de aparelhos eletrônicos em reuniões, “não usamos mais papel e caneta durante reuniões, é usado celular ou tablet para digitar e tomar nota de alguma informação. Às vezes alguém leva papel e o pessoal já pergunta da qual localidade a pessoa é. Talvez um pouco estranho aqui no Brasil, mas é costume nos EUA, há mais facilidade em utilizar eletrônicos. Lá as pessoas, funcionários, profissionais te ajudam a entrar neste mundo moderno, o mundo online”.
Junto na bagagem veio um óculos 3D, modelo o qual a diretora trabalhará neste ano, durante aulas virtuais do curso de extensão. O óculos chegou para revolucionar a era digital. Já usado em alguns locais de jogos no Brasil, com viagens dimensionais sem sair do lugar, o aparelho promete transformar a didática dos estudantes de UWMilwaukee, uma ótima pedida para os educandários do Brasil.
A universidade em que a diretora atua é uma instituição de ponta e os serviços oferecidos pela profissional são exclusivamente da área da engenharia, cursos de extensão, que englobam engenheiros de todo o país.
A prática da realidade virtual com engenheiros civis dará aos profissionais a oportunidade de aprender a criar projetos, desenvolver ideias, tudo com alta tecnologia. Para a profissional, muitos engenheiros procuram esta área da extensão pela própria necessidade que eles encontram no trabalho.
O Óculus Go é um computador sem fio que conta com lentes 3D de última geração, oferecendo um amplo campo de visão com brilho significativamente reduzido.  O aluno ao usar o óculos poderá visualizar imagens incríveis em 360 graus sem sair do lugar.
Outro projeto que será trabalhado nas aulas é a Industrial Internet of Things – IIOT (Internet Industrial das Coisas) , um conceito que está mudando a cara da indústria de uma maneira bastante significativa. Este conceito visa trabalhar a tecnologia revolucionando a aquisição e acessibilidade de enormes quantidades de dados, em grande velocidade e muito mais eficiência que antes, uma comunicação inteligente.
 “As máquinas ainda falham, erram, e por isso não substituirão as pessoas. Sempre haverá necessidade de alguém para realizar tipos diferentes de trabalho. O que eu vejo e que estão surgindo novas profissões, outros técnicos que antes não havia, como Engenheiros de Realidade Virtual, Engenheiros de IIOT. Até 2050 haverá um novo grupo de profissionais no mercado e nos vamos prepará-los”.
Para Angela a ida aos EUA foi muito boa, mas, se tem uma coisa que ela não nega e não compara, é a comida brasileira. “Sinto muito a falta da comida daqui, assim como do abraço dos meus familiares. Eu não vou falar dos americanos, são gente como a gente, mas, não tem calor humano igual ao do brasileiro”.

Em visita ao Riovale Jornal a americana contou as diferenças entre um país e outro. Na foto André Felipe Dreher, Germano F. Kelber, Angela Kelber e o marido Rader Vopálka