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Santa-cruzenses em Sydney falam sobre incêndios na Austrália

Fogo destrói florestas australianas desde setembro

Grasiel Grasel
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Desde setembro de 2019 uma onda de incêndios florestais vem devastando parte da Austrália. O fogo já destruiu mais de 4 milhões de hectares, uma área maior do que toda a extensão territorial da Suíça, e quatro vezes maior que o território queimado na Amazônia em 2019 (cerca de 900 mil hectares). Até a manhã dessa segunda-feira, dia 6, o número de mortos havia subido para 25, dezenas de pessoas estão desaparecidas e mais de 1,5 mil residências foram destruídas.
Uma declaração de emergência está em vigor nos estados de Nova Gales do Sul, onde fica a metrópole Sydney, e de Victoria, da conhecida cidade de Melbourne. Autoridades estão pedindo a evacuação de moradores e turistas de várias áreas desses estados, pois as chamas se intensificaram devido às altas temperaturas e ventos fortes.
Mais de 100 mil pessoas receberam ordens de evacuação de suas casas nas cidades mais afetadas pelo fogo. Na última sexta-feira, dia 3, cerca de 1 mil foram retiradas da cidade de Mallacoota, costa sudeste do país, pela marinha australiana em navios, pois estradas estavam bloqueadas em decorrência dos incêndios.

Santa-cruzenses que vivem na Austrália têm medo de uma intoxicação

Santa-cruzenses na Austrália
Embora que as chamas não tenham chegado à Sydney, moradores são afetados com dias de céu encoberto por fumaça e cheiro de queimado no ar. O casal santa-cruzense Jessica Severo e Rafael Backes, que está estudando e trabalhando na cidade há 10 meses, conta que os efeitos variam de acordo com o dia e a direção do vento.
Jessica conta que os riscos na sua região não são tão grandes, mas a preocupação com sua saúde e do namorado é constante. “Tenho medo em relação a intoxicação. Ouvi alguns casos de pessoas mais sensíveis aqui em Sydney que ficaram com a garganta irritada, por exemplo, em função da fumaça. Comigo e o meu namorado, graças a Deus, não sentimos nenhum sintoma ainda. Mas é bem perceptível os dias que têm mais fumaça no ar e o cheiro”, explica.
Para garantir sua segurança, o casal utiliza o aplicativo “Firesnearme” (incêndios próximos de mim, em inglês), disponibilizado pelo governo australiano. O software ajuda a identificar onde estão os focos de incêndio mais próximos e se eles oferecem maiores perigos aos moradores da região, informando, por exemplo, caso seja necessária uma evacuação.

Aplicativo mostra focos de incêndio (ícones azuis) e áreas já queimadas (zonas pretas)

Clima não colabora
Victória e Nova Gales do Sul já registraram temperaturas de 44ºC em dezembro, bem como poucos focos de chuvas que não foram o suficiente. Os ventos fortes, típicos dessa época do ano na Austrália, apenas colaboram para que as chamas se alastrem mais rapidamente. É comum que queimadas ocorram no país entre o final da primavera, no mês de novembro, e início do verão, no mês de dezembro. No entanto, em 2019, os incêndios começaram antes do previsto, e foram mais violentos.
No último sábado, dia 4, o primeiro-ministro Scott Morrison convocou 3 mil reservistas das Forças Armadas para combater os incêndios florestais que devastam o país. Morrison vem sofrendo duras acusações de ter sido negligente sobre a situação dos incêndios, tendo, inclusive, tirado férias no Havaí em dezembro, quando a situação já estava fora de controle. O líder conservador também é criticado por ter subestimado os efeitos das mudanças climáticas sobre a catástrofe.
A fumaça dos incêndios chegou na América do Sul na manhã desta segunda-feira, dia 06. De acordo com a MetSul Meteorologia, uma baixa pressão vai impulsionar o ar do centro da Argentina para o Sul do Brasil, podendo chegar no Rio Grande do Sul.