Ricardo Gais
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Em nossa vida, são diversas as pessoas que passam despercebidas e, muitas vezes, ignoradas por alguns, como é o caso dos catadores de materiais recicláveis que realizam um trabalho digno e que merece ser respeitado. No entanto, algumas pessoas criam um pré-conceito sobre estes cidadãos que estão apenas levando o sustendo para dentro de casa, já que não conseguem outro tipo de serviço.
Assim como todos, cada ser humano tem uma história de vida e, a catadora Roseli de Souza, de 40 anos, quis contar a sua. Sem emprego atualmente, ela percorre ruas da cidade a procura de materiais recicláveis para conseguir algum dinheiro para comprar o alimento do dia.
Ela relata sobre os desafios do dia a dia, como enfrenta o preconceito, que muitas vezes ela percebe pelos olhos de quem a olha. “Estou fazendo um trabalho honesto e limpo e não tenho vergonha do que faço, pois é o que garante meu sustento”. Dona Roseli mora sozinha em uma pequena casa humilde de madeira, no Bairro Bom Jesus, com a companhia de um gato e um cachorro. Seus seis filhos não moram mais com ela e um já é falecido.
Roseli está desempregada há muitos anos e conta que já trabalhou como operadora de máquinas em uma firma de tabaco da cidade e também já foi frentista. No entanto, não consegue mais emprego com carteira assinada e, pela necessidade, teve que começar a catar materiais recicláveis para não passar fome. “Muitas vezes passo a noite percorrendo as ruas atrás de locais que posso procurar por materiais como garrafas plásticas e papelão”, disse.
Quando chega o momento de vender o material que coletou durante o dia inteiro, Roseli diz que muitas vezes o valor que ela recebe não chega a R$ 10. “Com esse dinheiro compro uma caixa de leite para meus netos e algo para comer”, disse emocionada.
“Só quem sente na pele sabe o que é estar no meu lugar”, comenta a catadora, que diz sofrer diariamente preconceito por parte de algumas pessoas. “Quando estou procurando por materiais nos contêineres, algumas pessoas não chegam perto e jogam o lixo no chão”.
Roseli se inscreveu para receber o Auxílio Emergencial – programa criado pelo Governo Federal para destinar um benefício no valor de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família. O valor é destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, para ajudar neste momento de pandemia da Covid-19. No entanto, Roseli é mais uma das milhares de pessoas que está com o pedido em análise pela Dataprev – instituição do Governo Federal responsável por verificar se o cidadão cumpre todas as exigências para receber o benefício. “Tenho fé em Deus que vai dar certo e este valor vai me ajudar para comprar alimentos para mim e meus netos”.
Com um grande sorriso no rosto, a catadora pega mais algumas garrafas e diz que, “o essencial da vida é ter humildade e respeito com o próximo”. Com sua sacola preta empunhada nas mãos, Roseli diz que ainda há muito trabalho até ela poder chegar em casa e descansar. “Tenho esperança de dias melhores”, finaliza, antes de continuar seu trabalho.














