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OASE celebra aniversário

Há 110 anos entidade trabalha com solidariedade e amor ao próximo

Sara Rohde
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Na foto membros da OASE Centro celebram os 500 anos da Reforma Protestante – Divulgação

Trabalhar em prol da comunidade. Este é o objetivo da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE) que em Santa Cruz do Sul, Centro, completou nessa quarta-feira, 17, 110 anos de história. E uma longa história, já que celebra mais de um centenário dedicado ao amor em Jesus Cristo e a solidariedade com o próximo.

Com o lema Comunhão, Testemunho e Serviço, a OASE está desde 1910 atuando em benefício dos santa-cruzenses, unindo forças para fazer a diferença na sociedade e amparando as pessoas que mais necessitam. Um caminho que começou a ser trilhado por senhoras evangélicas de Santa Cruz que aceitaram o desafio de colaborar nos problemas de assistência social do município, um pedido feito através do Sínodo Rio Grandense que realizou uma Assembleia Geral em maio de 1910.

Um aniversário que traz alegria e que neste ano precisou ser comemorado de uma forma diferente, assim como as atividades, os encontros e a tradicional Galinhada da OASE, que não estão sendo realizados em virtude da pandemia da Covid-19.

Mas não é motivo para tristeza e sim de esperança na fé em Jesus Cristo. Conforme a presidente da entidade, Marlene Fuerstenau, que desde março deste ano está à frente do cargo, o aniversário da OASE representa a alegria e a satisfação. “É um orgulho fazer parte desta trajetória, porque a gente se emociona de pensar que são décadas, são 110 anos, mais de um centenário que a entidade está ali ajudando e se baseando no tripé que é Comunhão, Testemunho e Serviço”, destacou. Marlene assumiu a presidência nas gestões de 2012 a 2013, 2016 a 2017 e agora início de 2020 até 2022. Hoje, a OASE tem 120 membros.

Segundo Marlene, cada pilar representa um significado. A Comunhão se refere ao encontro das mulheres com a alegria, o Testemunho significa passar adiante a palavra de Jesus com o amor, e o Serviço onde a diaconia coloca em prática a fé que a OASE tem. “Jesus nos ensinou que não podemos amar a Deus sem amar o próximo. A diaconia é nosso serviço, a favor de Deus e Jesus Cristo”, salientou.

A diácona Vivian Bayer Trentini considera a data de aniversário de extrema relevância, pois neste momento de pandemia celebrar a vida é de suma importância. Segundo ela, o trabalho desenvolvido pela OASE é especial. “O trabalho de mulheres da OASE faz a diferença Brasil afora de várias maneiras: visitas domiciliares e hospitalares, trabalhos com crianças e adolescentes em vulnerabilidade social, campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e afins”, ou seja, benevolência do grupo com todos.

De acordo com Vivian, não somente agora nesta situação como em todos os outros dias, a OASE continua unindo forças, o que é uma das referências da entidade. “Continuar unindo forças através do amor ao próximo, do fazer diaconia, é a grande diferença da OASE para com a sociedade como um todo”.

A presidente da OASE Centro, Marlene Fuerstenau (à dir) realizando a entrega de alimentos arrecadados – Divulgação

NOVOS DIAS

Nem todos pilares que sustentam o lema podem ser realizados com tanta precisão num momento tão delicado como este em que o mundo vive. Entre os exemplos estão os encontros, as reuniões e atividades presenciais das integrantes. Para a presidente Marlene este sentimento vivido agora, em que não é possível mais ter a presença das mulheres, a deixa triste. “A gente sente muita falta dos encontros presenciais. Tivemos um estudo bíblico online semana passada, mas não é a mesma coisa, a gente sente que é bom, temos um retorno e conseguimos ver as pessoas pelo visor, mas não temos o tato, o calor humano e isso sentíamos muito quando ocorriam os encontros semanais, pois a diretoria, as pessoas em si, umas abraçavam as outras, e isso dá saudade”.

Durante os dias de pandemia os membros da diretoria da OASE ficaram responsáveis de ligar para as mais de 50 senhoras da comunidade acima dos 80 anos, para saber como estão, visto que elas não podem sair de casa. “Elas mesmo dizem: nossa é tão bom sentir que estamos sendo lembradas pela OASE”, contou a presidente. Marlene frisou que devido ao número grande de contatos, o grupo está indo para a segunda rodada de telefonemas.

Os contatos e os encontros estão sendo realizados através de ações organizadas via WhatsApp para que a ajuda ao próximo não cesse neste momento, destacou a diácona Vivian. Ela ainda explicou que está sendo realizada a OASE por vídeo no aplicativo zoom meeting. “Infelizmente nem todas podem participar, mas aos poucos vamos ensinando/auxiliando para usar a ferramenta tecnológica”.

Apesar dos dias que estão pela frente, Vivian deixa uma mensagem de esperança. “Manter a esperança neste momento de dificuldade e a confiança de que Deus não nos abandonará é fundamental”, finalizou.

OASE nas comemorações alusivas aos 104 anos da entidade. Na foto a diácona Vivian Bayer Trentini, pastor Márcio Trentini e Gudron Jandrey – Sara Rogde

Histórico

Em junho de 1910, as senhoras evangélicas começaram a se organizar e realizaram a sua primeira reunião. Na época, muitos encontros sociais como festas, eventos e reuniões eram realizados no antigo Clube União da Marechal Floriano. Um ano depois formou-se a primeira diretoria, a qual teve à frente da entidade como presidente a pastora Friedrich Hildebrand Marie Lechler.

A OASE Centro não tinha uma sede própria, por isso, 18 anos depois, em 25 de março de 1928, foi lançada a pedra fundamental com inauguração do prédio em 29 de julho do mesmo ano. No local eram realizados os encontros, além de sediado o Jardim de Infância Tiradentes da Irmã Paula Berghaus.

Com o tempo o espaço acabou ficando pequeno, as participantes aumentaram e a OASE, junto da Comunidade Evangélica, iniciou em 1947, a campanha para construção de um “Centro Evangélico”, local que seria destinado para jardim de infância, ensino confirmatório para os jovens, além de demais atividades da entidade, coro e moradia para membros da paróquia. Em 1953 foi realizada a inauguração.

O projeto Alegria e Esperança completou 28 anos de atividades envolvendo oficina de música, canto e instrumento; aprendizagem; artes; trabalhos manuais; teatro, danças, além de palestras educativas – Divulgação

A partir de 1960, as senhoras evangélicas começaram as visitas a hospitais e residências com pessoas doentes e idosos. Na época foi criada a Campanha do Quilo em favor dos necessitados. A tradicional galinhada, jantar aguardado todos os anos pela comunidade santa-cruzense começou a ser organizado 24 anos depois, em 1984, e desde lá o evento não parou mais de ser realizado. As patronesses faziam os convites, organizavam o evento e a coleta de alimentos que eram destinados às pessoas carentes do município. Este ano a entidade completa 36 anos de Galinhada da OASE.

Um dos trabalhos mais importantes nasceu em 1992, o grupo diaconal. Junto com ele foi criado o projeto Alegria e Esperança e hoje já são 28 anos de atividades como oficina de música, canto e instrumento, aprendizagem, artes, trabalhos manuais, teatro, danças, além de palestras educativas. A OASE conta com a colaboração de profissionais da área da psicologia, música, dança, teatro e da diácona cedida pela Comunidade Centro para orientar e coordenar as atividades realizadas por voluntários da OASE.

O apoio financeiro de pessoas físicas, jurídicas, instituições eclesiásticas nacionais e internacionais, além de projetos encaminhados a entidades públicas ou privadas é fundamental para desenvolver a atividade diaconal. Uma das formas de angariar recursos é através da venda das velas artesanais confeccionadas em oficinas por voluntárias da OASE. Os produtos são comercializados na secretaria da Comunidade, por encomenda, ou nos eventos da entidade.

No ano de 2000 foi criado o grupo OASE Noturna, já que nem todas as mulheres membros da OASE Centro podiam participar das reuniões e atividades durante o dia. Os encontros são realizados à noite da terceira quinta-feira do mês. No mesmo ano criou-se um grupo de canto para levar música durante as visitas de aniversário às pessoas com mais de 80 anos. Há 20 anos as senhoras levam além da melodia, uma vela e um cartão às aniversariantes. (Com informações da OASE)

Uma das formas de angariar recursos é através da venda das velas artesanais confeccionadas em oficinas por voluntárias da OASE – Divulgação

Colégio Mauá cumprimenta a OASE pelo aniversário

“O Colégio Mauá cumprimenta a OASE pelos 110 anos de vida a serviço da nossa Comunidade. A história da OASE e a do Mauá se entrelaçam de maneira muito significativa.

Em 1928, a OASE iniciou o Jardim de Infância e o Internato Feminino que anos mais tarde foram incorporados ao Mauá. As crianças do Jardim de Infância depois continuavam os seus estudos no Colégio Mauá. Esta parceria foi significativa na história de nossas instituições. Vida longa é o que desejamos para a nossa OASE. Deus abençoe ricamente as senhoras integrantes com muita saúde e alegria para continuarem servindo para o bem de nossa Comunidade. Carinhosamente em nome do Colégio Mauá.”

Prof. Nestor Raschen – diretor Geral do Colégio Mauá