Ricardo Gais
[email protected]

Devido à pandemia da Covid-19, as escolas de idiomas tiveram suas atividades presenciais vedadas, ficando apenas com a possibilidade de aulas no formato remoto. Anelize Winter, uma das participantes do grupo que solicita maiores flexibilizações para a categoria, comenta estarem dispostos a cumprirem com todas as regras do decreto e cumpri-las de forma correta. “Estamos 90 dias sem trabalhar presencialmente e sem poder atender nossos clientes, por isso, nos reunimos para conversar e realizamos uma ata no dia 8 de junho, no gabinete do prefeito, sobre itens que solicitamos junto à prefeitura”.
Conforme Winter, a preocupação referente aos alunos que não estão conseguindo se adaptar ao estudo remoto e também referente às rematrículas é grande, além da preocupação em manter os mais de 200 funcionários que dependem do funcionamento das atividades. “Muitas pessoas passam o dia em frente ao computador trabalhando e chega na hora do estudo de inglês, por exemplo, o aluno não tem mais energia para estudar”, lamenta.
Na ata realizada em conjunto com as demais instituições, é solicitado que as escolas possam ficar abertas até as 22 horas, visando atender alunos a partir dos 10 anos com encontros duas vezes na semana. As aulas presencias seriam realizadas observando o distanciamento mínimo entre as pessoas e redução de alunos em sala. Além da liberação de atendimentos presenciais para a realização das rematrículas e matrículas, bem como o recebimento dos pagamentos.
No documento consta que as instituições estão preocupadas com os alunos que não possuem as ferramentas necessárias para o estudo de forma on-line, o que causa grande prejuízo pedagógico, além de estarem recebendo muitos cancelamentos e trancamento das aulas.
“As aulas presenciais não vão gerar aglomerações, já que são poucos alunos por sala. São 34 instituições de ensino em Santa Cruz e não temos representação na cidade, pois somos cursos livres”, comenta Winter. O pedido de flexibilização também foi pauta na Câmara de Vereadores do município, proposta pelo vereador Alex Knak (MDB), com aprovação unanime pelos vereadores para que haja flexibilização no setor.
“O idioma é uma cultura. Eu não entendo como Santa Cruz não tem esse viés para olhar para isso. Vemos outros segmentos sendo flexibilizados e também queremos voltar a trabalhar”, lamentou Winter.
A psicóloga e coordenadora do Instituto de Idiomas Schütz & Kanomata, Elsa Kanomata Schütz, gostaria que o poder público tivesse um olhar mais sensível para a situação, já que é de extrema importância ensinar o aluno na forma presencial. “A aquisição de uma nova língua acontece principalmente através da sua prática em situações reais de convívio humano. Nesta modalidade a aula presencial é muito importante. O aprendizado é um processo gradual e a falta de contato com a fala prejudica o desenvolvimento dos alunos e todo o trabalho realizado até então”.
Segundo Schütz, “assim como a nossa escola, as demais também estão fazendo o máximo para cumprir com as medidas de higiene do Ministério da Saúde. Estamos fazendo o uso do álcool gel, máscaras, ventilação dos ambientes e higienização do local”. Ela diz estar preocupada com o trabalho iniciado no primeiro semestre, já que é necessário dar continuidade. “As autoridades deveriam compreender o nosso lado. Queremos um olhar mais sensível para o nosso caso”.
Segundo a integrante do Gabinete de Emergências e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santa Cruz, Rosemari Hofmeister, as instituições de ensino deverão receber orientações do que cada escola precisa fazer para ter autorização do Centro de Operação de Emergência em Saúde Municipal (COE-M), para retomada das aulas presenciais.
O pedido para as aulas presenciais foi encaminhado ao COE e será respondido às instituições quais providências devem ser tomadas para que possam dar retomada à modalidade. “O COE vai passar as orientações para eles, mas neste momento, não está autorizado pelo decreto estadual a volta das aulas presenciais”, disse Hofmeister.














