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Os costumes que persistem no interior

Lourenço Konzen, 71 anos, mantém hábito de trabalhar com junta de boi e carroça

Tiago Mairo Garcia
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Lourenço Konzen com a carroça que usa com uma junta de boi, um antigo costume que ainda se mantém no dia a dia de quem vive no interior – Tiago Mairo Garcia

Junta de boi, carroça, carneação de animais. Alguns costumes que parecem estar desaparecendo com o com o avanço da tecnologia, onde muitos acabam seguindo a evolução com a aquisição de novos equipamentos agrícolas disponíveis e que acabam facilitando o trabalho diário das propriedades rurais, mas ainda há quem resista aos novos tempos e mantenha antigos hábitos

É o caso do agricultor aposentado Lourenço Konzen, 71 anos. Morador da localidade de Vila Arlindo, em Venâncio Aires, próximo da divisa com Santa Cruz do Sul, ele conta que desde a infância trabalha no interior e que ainda mantém como hábito diário o uso da junta de bois com uma carroça para realizar as atividades rurais na propriedade.

Para preparar a terra para o cultivo de 50 mil pés da próxima safra de tabaco, Konzen destaca que possui a ajuda de peões. “Ainda uso um trator antigo com implementos para preparar a terra. Na colheita usamos a junta de boi com a carroça para transportar a safra”, conta o aposentado.

A esposa, Gladis Konzen, conta que eles cultivam milho, aipim e hortaliças que são usadas para o sustento. Ela destacou que a família também costuma realizar carneações de animais para garantir a carne na mesa. “Sempre temos um bichinho nosso para carnear”, disse o agricultor. Em razão da pandemia do novo coronavírus e para manter os cuidados, por ambos pertencerem ao grupo de risco, o casal confirmou que somente vai para a cidade em caso de necessidade. “Há quatro meses só saímos para o essencial. Plantamos a maioria das coisas e criamos os bichos que dá para viver bem”, disse Gládis.

Ao finalizar, o casal de agricultores salientou a tranquilidade de se viver no interior e de manter os costumes. “É uma vida mais tranquila do que na cidade”, disse Lourenço. “Aqui plantamos o que precisamos para viver bem e feliz”, finalizou Gládis.