Início Política Afonso Schwengber: "O PSTU não é um partido tradicional"

Afonso Schwengber: "O PSTU não é um partido tradicional"

Guilherme Athayde
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Primeiro candidato oficialmente lançado à Prefeitura de Santa Cruz do Sul, o sindicalista e presidente do Sindicato dos Comerciários, Afonso Schwengber, foi escolhido pelo PSTU –Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, na convenção da sigla que ocorreu na última quinta-feira, 28, na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul.

Na reunião do partido, também ficou definido que o PSTU terá apenas uma candidata ao Legislativo: Clair Pereira, representante do movimento estudantil e participante do Sindicato do Vestuário.

Sobre a campanha, o candidato a prefeito Afonso Schwengber, que terá como vice o sindicalista Alexandre Haas, ressaltou que seu partido é um partido diferente de todos os outros, e que vê o atual momento político como positivo, pois os eleitores estão exigindo a mudança na classe política. Confira a entrevista:

Riovale – Como o Sr. vê a atual administração de Santa Cruz do Sul?

Afonso Schwengber – Acho que não foge da realidade. As administrações hoje estão com uma situação colocada pra eles: ou tentam resolver os problemas que sempre surgem em relação a saúde, educação, questões muito importantes como prioridade ou vamos continuar com os problemas. Em Santa Cruz, a nível de Brasil, em algumas áreas ainda tem condições, ainda está fazendo algum investimento, mas é a mesma coisa como as demais administrações, que estão sendo rejeitadas, porque o povo não quer o tipo de administração que faz só o povo participar nas eleições. O povo e os trabalhadores querem participar das decisões, não só votar. Santa Cruz tem essa dificuldade. Mas dentro do contexto, é olhar para o que está acontecendo em todas as administrações. Ou decidem o que realmente é prioridade, ou vão continuar assim.

 

Candidato a prefeito Afonso Schwengber, ˆ direita na foto, ter‡ como vice o sindicalista Alexandre Haas

 

Riovale – O Sr; caso seja eleito prefeito, o que pretende fazer de diferente?

Afonso Schwengber – Primeiro vou organizar os conselhos populares. Vão participar junto na administração. Vão definir em assembleias quais são as prioridades. Acho que a diferença está nisso, é isso que precisa ser feito nesse país. O que está acontecendo, com o desvio de dinheiro, a corrupção. Tem que haver o controle da sociedade. Não pode haver eleição – passa a chave e faz com o dinheiro o que bem entende. Na minha administração vai funcionar dessa forma, os trabalhadores em conselhos populares. Todas as questões que vão ser definidas na Prefeitura, vão ser definidas por conselhos populares. A Prefeitura não vai ter os CC’s de fora pra dentro. Os trabalhadores que fizeram concurso público que sabem o trabalho que deve ser feito internamente. Eu vou ser o coordenador de toda a Prefeitura, e os trabalhadores que estão lá dentro que vão eleger seu representante de cada setor, que vão ajudar a coordenação do funcionamento, aplicação do dinheiro público. Nós achamos que isso vai melhorar. Essa coisa de botar gente de fora pra dentro não funciona.

Riovale – Como o Sr vê o momento atual da política brasileira? Como vai ser a campanha do PSTU e de Afonso Schwengber?

Afonso Schwengber – Quando em 2008 eu concorri a prefeito, na época o PT e o governo Lula tinham mais de 80% de aprovação e nós dizíamos naquele momento que aquele governo não era o governo dos trabalhadores. E hoje se confirma, quando se vê que é exatamente o que está acontecendo. Então, eu vejo o momento como positivo. A sociedade, os trabalhadores estão começando a ver que eles não podem mais transferir a responsabilidade pra pessoas que não têm compromisso com eles. Então eu vejo como um momento de afirmação da nossa política, de tudo o que nós sempre defendemos. Nós estivemos presentes em todas as lutas que acontecem que dizem respeito aos trabalhadores. Não vai ser diferente nas lutas da política. Então nós vemos como um momento positivo. Os trabalhadores começaram a ver que esta forma de política foi derrotada, e o próprio sistema que vivemos hoje, o capitalismo, faliu. Nós precisamos encontrar outra forma de sociedade, onde os trabalhadores, que são a grande maioria, que produzem suas riquezas, precisam dividir essas riquezas. Para a nossa política, para o que achamos que precisamos fazer, e os trabalhadores estão apontando para esse caminho, é realmente rechaçando os políticos atuais, porque estão todos eles envolvidos em desvio de dinheiro. Então é um momento de afirmação da nossa política, e os trabalhadores vão participar ativamente nisso

Riovale – É possível então se tirar uma lição desse momento?

Afonso Schwengber – Exatamente. E a nossa candidatura, o processo eleitoral, vai ser para chamar os trabalhadores a entrarem nesse processo e nós sermos uma grande mobilização, porque só os trabalhadores e a juventude podem mudar o que está colocado hoje. As eleições por si só não vão mudar. Como nós sempre falamos: a verdade é a melhor coisa que se pode fazer, e nós sempre fizemos assim.

Riovale – O PSTU vai sozinho para a eleição, como foi construída a chapa para concorrer à Prefeitura?

Afonso Schwengber – É óbvio que vamos sozinhos. Os trabalhadores, como eu disse, em todas as enquetes, não querem a política tradicional. O PSTU não é um partido tradicional. O PSTU é um partido dos movimentos sociais, da luta dos trabalhadores. O PSTU é diferente. Jamais poderia se coligar, nesse momento em que os trabalhadores estão vendo, como eu disse, positivamente. E esses políticos tradicionais, esta política está falida. Não teria como nós fazermos isso, seria um contrassenso, uma coisa que obviamente não poderiam acreditar em nós. Estaríamos falando uma coisa e dizendo outra. Então nós vamos sozinhos sim. Nosso partido não tem coligação. A nossa questão está com os trabalhadores, vamos estar a serviço disso.