Diego Dettenborn
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Foi em Caxias do Sul, ainda na infância que aconteceu o primeiro contato com a dança. Em um momento onde as crianças normalmente descobrem um programa de TV preferido ou um brinquedo, Daniela Cezar viu na dança, ainda que de forma precoce, algo que mesmo sem saber daria o norte para toda sua vida. “Surgiu um projeto que abraçava todas as escolas de ensino público, este projeto dava 200 vagas para crianças carentes e mais suporte de uniforme, patrocinava praticamente tudo. Tínhamos aula de ballet, jazz, dança contemporânea e de rua.” Foi por conta de uma iniciativa com cunho social que a pequena menina, hoje professora de dança, deu os seus primeiros passos nesta arte. Passados dois anos veio a primeira conquista, através da dança. “Eu consegui uma bolsa em uma escola particular de ballet, foi por volta dos dez anos que começou a tomar uma forma mais profissional.”
Com 13 anos, o jazz também já havia se tornado uma especialidade e já com 15 anos veio o maior desafio. Daniela ajudou a idealizar uma companhia de dança na sua cidade natal, Caxias do Sul. “Comecei então a conhecer mais pessoas do mundo da dança, sair mais para festivais e foi então que realmente pude sentir o que a dança poderia proporcionar na minha vida.” De forma precoce, foi com apenas 15 anos que Daniela Cezar começou a passar adiante aquilo que havia aprendido ao longo dos anos. Inicialmente as aulas eram oferecidas a grupos pequenos, mais reservados. Com 17 anos foi que veio então o maior desafio. A professora havia sido escolhida pela secretaria municipal de Caxias para dar aula nas escolas da cidade. De lá para cá, alguns anos se passaram e o desejo e a paixão pela dança só aumentou.
Veio a necessidade pela busca teórica e foi em Porto Alegre que as portas se abriram ainda mais para a professora. Cursando faculdade de dança, Daniela conheceu muitos projetos e realizou muitos trabalhos artísticos, até mesmo para grupos independentes. Hoje com 23 anos, e uma bagagem que, levada em conta a pouca idade, causa espanto, afinal já são 15 anos dedicados à dança, Daniela se divide entre a faculdade de dança e os diversos compromissos relacionados a esta arte. Em Santa Cruz ela ministra aula de ballet, jazz e dança contemporânea no Open Extreme Brasil, companhia de dança fundada pelo artista Junior Soares.
Dificuldades
Segundo Daniela, o mais complicado neste universo da dança é a instabilidade financeira. “Ao mesmo tempo que chega um momento da vida que você quer ter seu carro, sua casa, enfim, entrar para o sistema, é muito complicado, precisa ter muito planejamento e às vezes até mesmo abrir mão dessa estabilidade porque dificilmente o mercado nos fornece isso. É difícil encontrar um empresa que assine a carteira de trabalho por exemplo, mas hoje em dia está mudando para melhor essa situação”.
Estilo de Vida
Daniela, que é natural de Caxias do Sul, reside em Porto Alegre e trabalha também em Santa Cruz do Sul, garante que estar sempre se movimentando pode ser crucial. A professora, que além de ser apaixonada pela dança ainda tem o baixo e o violão como instrumentos para as horas de lazer, destaca o verdadeiro sentido da dança. “Na verdade a dança é muito mais do que a minha profissão, é minha terapia e eu danço o tempo inteiro, no chuveiro, danço cozinhando, estou andando na rua, estou ouvindo música e dançando. Às vezes acordo no meio da noite com uma pose na cabeça, vou lá e anoto. Minha vida gira em torno da dança. Quando sinto que estou muito focada nela, até dou uma fugida, faço um som, toco um instrumento, mas acaba sendo uma terapia mesmo”.
Requisitos
Segundo a professora, não existe uma idade mínima para quem deseja encarar a dança, sobretudo como estilo de vida. “Não existe idade, existe sim um nível de exigência para cada idade. É importante ressaltar a saúde do corpo. Eu pretendo dançar até os meus 80 anos, porém, para que isso aconteça é preciso começar com o cuidado ao corpo desde os 4 anos, que é a idade que normalmente se inicia a consciência corporal e a dança em si. Procurar dar muita atenção à saúde do corpo até mesmo quando se movimenta, quando junta uma pecinha que caiu no chão, vale muito mais que um condicionamento físico trabalhado em uma academia durante 15 minutos por exemplo.”
Santa Cruz do Sul
Daniela acredita que os santa-cruzenses cada dia mais procuram na dança um meio de potencializar a qualidade de vida. Ainda segundo ela, a própria genética influencia na procura por esta arte. “O corpo dos santa-cruzenses recebe muito bem a dança, os movimentos. A própria genética, a cultura alemã. Agora com o forte investimento do Open Extreme, trazendo professores de fora, que enxergam a dança de outras maneiras, além do hip-hop que era o forte da cidade junto com a dança de salão. Agora com o ballet clássico, dança do ventre, jazz, abre muito o leque aqui em Santa Cruz. Isso permite e faz com que todas as pessoas de todas as idades e classes possam ter contato com essa arte.” Daniela concluiu: “Todo mundo deveria experimentar por uma hora dançar. Temos vários estilos de dança, e na verdade a dança vem de dentro do indivíduo, a técnica, os movimentos, tudo isso é trabalhado. Pensar em expor a dança é como abrir a alma pra quem está nos assistindo.”
Arquivo pessoal

Daniela: “Pensar em expor a dança é como abrir a alma pra quem está nos assistindo”














