Luana Ciecelski
O Sgto Altermann (em pé) no comando da Sala de Operações da Brigada Militar
Luana Ciecelski
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Carlos Leandro Altermann, de 32 anos e Julio Henrique Rohsig, 44 anos escolheram para si profissões nada fáceis, estressantes, onde situações de tensão, violência e risco de vida são constantes. Eles são policiais. Altermann é 1º Sargento da Brigada Militar. Rohsing é escrivão da Polícia Civil.
Natural de Cachoeira do Sul, Carlos Leandro Altemann Platen, trabalha no 23º Batalhão da Brigada Militar há 11 anos. Iniciou a carreira através do quartel, e aos 21 anos descobriu que queria ser brigadiano. Determinado, fez o concurso público em Cachoeira do Sul e foi aprovado. Ingressou no 23º BPM como soldado, em Rio Pardo onde trabalhou durante quatro anos, até que passou no vestibular para Direito na Unisc – no qual se forma em Julho desse ano – quando foi transferido para Santa Cruz para que pudesse conciliar o trabalho com a faculdade.
Desde então, o 1º Sargento Altermann, já trabalhou na zona Sul de Santa Cruz, foi patrulheiro militar no interior, patrulheiro comunitário no Bom Jesus, trabalhou no setor de inteligência da Brigada Militar e no Grupo de Motos. Em 2011 fez o curso de Sargento em Osório, e em 2012 assumiu a função que desempenha atualmente: chefe da Sala de Operações da Brigada Militar de Santa Cruz do Sul.
Já Júlio Henrique Rohsig, escrivão há 10 anos, levou um pouco mais de tempo para descobrir que queria ser Policial Federal. Ele trabalhava como advogado já há oito anos quando decidiu prestar concursos. O da Polícia Civil foi o primeiro e ele acabou passando em todas as etapas – teórico, psicotécnico, físico – e quando chegou o momento do curso preparatório ele se viu diante de uma escolha. “Eu não tinha certeza se gostaria do trabalho, mas advogado eu já era, e isso ninguém poderia me tirar, eu sempre poderia voltar a advogar. No entanto, se não fizesse o curso, eu só teria uma nova chance na Policia Federal passando em outro concurso. Decidi tentar.”
Para Carlos Leandro, o papel desempenhado pela Brigada Militar na sociedade, foi fundamental. “A brigada Militar proporciona um trabalho junto à comunidade que eu admiro bastante, além de uma possibilidade de ascensão da carreira”. Para ele, o Policial Militar é além de um repressor, um orientador.
Atualmente, como chefe da Sala de Operações, é responsável pelo sistema interno de segurança da Brigada Militar e das vinte e uma câmeras distribuídas em pontos estratégicos no Município. Mantém também um controle das ocorrências como furto de veículos e ainda coordena o controle, o despacho e o primeiro atendimento de todas as ocorrências de Santa Cruz, sejam roubos, sequestros ou acidentes de trânsito.
Ele conta que é um trabalho maçante. São doze horas de trabalho dentro da sala, onde são atendidas cerca de cem ligações por turno de serviço – muitas delas trotes ou apenas solicitações de informações. Por isso, um de seus maiores desejos é o de que sociedade brasileira reconheça mais sua profissão. Segundo ele, o Policial Militar é por lei um servidor público durante as 24 horas do dia, que trabalha conforme a necessidade do serviço. “Mesmo tu estando em casa, tu tem que estar pronto, com o equipamento e a farda preparados para entrar em situações excepcionais de emprego. Tu sai da tua jornada de trabalho, vai pra casa descansar, mas sabe que naquele período pode ser chamado para suprir uma demanda da sociedade. É quase como um sacerdócio”, conta.
Essa é também a sensação de Júlio. Natural de Estrela, ele mora em Santa Cruz desde 1983, e explica que ser escrivão, teoricamente deveria significar um trabalho mais tranquilo, dentro da delegacia, por 40 horas semanais. No entanto, não é o que acontece. As horas extras são frequentes, e assim como todos os policiais, precisa estar onde e quando as coisas estiverem acontecendo.

O Escrivão Júlio Rohsig – que prefere não mostrar o rosto – em sua mesa de serviço na Policia Civil
Para ele, o ponto alto da profissão é a resolução de questões que parecem insolúveis. É pegar um crime, onde só há uma vítima, e buscar provas, dados, até encontrar a explicação para tudo. O ponto baixo é que a vida familiar fica em segundo plano e nem sempre se está no lugar que se quer, na hora que se quer. “Claro que a gente compensa, depois, na medida do possível, mas que fica de lado às vezes, fica”, lamentou.
Carlos Leandro destaca ainda que ser policial é transformar-se em alguém com amplitude de visão social e humana. “Tu vê a necessidade da pessoa mais pobre e a necessidade da pessoa mais rica. Tu aprende a trabalhar em diversas situações e com diversos públicos”. A parte ruim, claro, é não ter rotina, correr riscos, é deixar a família de lado, não saber o que vai encontrar no caminho, e também, ser visto na rua como um ser humano diferente por estar usando uma farda.
VOCÊ SABE O QUE FAZ CADA POLÍCIA?
A polícia tem uma missão muito importante, que é garantir a segurança pública. Mas não existe apenas um tipo de polícia, nem o trabalho dos policiais é o mesmo. Temos no Brasil as polícias Federal, Civil, Militar e Rodoviária Federal, e cada uma delas faz um trabalho diferente.
Polícia Militar (Brigada Militar)
Os policiais militares (soldados, cabos, sargentos, tenentes, capitães etc.), por exemplo, são responsáveis por garantir a segurança das pessoas e preservar a ordem nas comunidades. Eles trabalham na prevenção dos crimes, patrulhando as ruas para evitar a ação dos criminosos, e em geral podemos reconhecê-los porque usam farda.
Polícia Federal e Civil
Já os policiais federais e civis (delegados, escrivães, agentes de polícia e peritos) costumam agir depois que um crime acontece. Eles fazem investigações e coletam provas para descobrir quem são os criminosos, onde estão escondidos, e depois pedem autorização ao juiz para prendê-los. Como muitas vezes precisam seguir suspeitos sem serem vistos, normalmente não usam farda, para não serem identificados. Enquanto os policiais civis agem nos casos sob responsabilidade da justiça estadual, os policiais federais cuidam dos casos federais.
Polícia Rodoviária Federal
Os policiais rodoviários federais são responsáveis pelo patrulhamento das rodovias federais. Eles atuam nas estradas para prevenir acidentes, atender as vítimas do trânsito e fiscalizar se as pessoas estão obedecendo as normas de tráfego. Podem parar os carros para ver se os motoristas têm carteira de habilitação, se pagaram os impostos do carro (IPVA), ou se estão dirigindo alcoolizados. Quando alguém ultrapassa a velocidade permitida nas estradas pode levar uma multa da polícia rodoviária.














