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O amor aos animais em evidência

S‹o Francisco de Assis foi essencial para fortalecer a rela‹o entre seres humanos e animais

Nelson Treglia
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Em todas as suas formas, a vida animal é celebrada em 4 de outubro, Dia Mundial dos Animais. A definição desta data aconteceu em 1931, em uma convenção de ecologistas realizada na cidade de Florença, Itália. Por todo o planeta, eventos especiais são realizados para comemorar este dia muito especial. Tudo porque os animais representam, por um lado, uma parcela inseparável da natureza e do meio ambiente e, por outro lado, eles são geradores de amor e afeto para a humanidade.

Portanto, tanto sob o aspecto racional quanto o emocional, os animais são uma parte muito importante da nossa realidade. Nada mais justo do que esta comemoração em nível global. E o dia da festa foi escolhido devido a São Francisco de Assis, um amante da natureza e padroeiro dos animais e do meio ambiente, nascido na cidade italiana de Assis (a pequena comunidade existe até hoje na região da Umbria). A festa de “São Chico” acontece no quarto dia do décimo mês do ano e, por isso, foi esta data a eleita para homenagear os animais.

Francisco de Assis viveu entre 1182 e 1226, durante a Idade Média, uma época marcada pela forte religiosidade cristã. Por incrível que pareça, sua juventude foi movimentada e mundana, mas depois ele se voltou para uma vida religiosa, assumindo procedimentos e costumes muito simples. Foi com este caráter e os objetivos voltados para a humildade que ele fundou a Ordem dos Frades Menores, conhecida como a Ordem dos Franciscanos, em 1209, na Itália.

Um dos aspectos estupendos de São Francisco de Assis são suas experiências espirituais, pouco relatadas, em que ele procura, através de misticismo, uma compreensão maior em relação a Deus. Seu entendimento era de que plantas, objetos inanimados e animais servem ao Todo Poderoso, e por isso, deveriam ser cultuados pelo ser humano. Da mesma forma, São Francisco se declarava um servidor de Deus, e defendia a criação de uma lei para que as pessoas alimentassem as aves selvagens no inverno. Era favorável também à participação de animais nas missas católicas.

Foi essa linha de pensamento e ação que levou São Francisco de Assis a se tornar uma figura histórica, e das mais importantes, na sociedade ocidental. Suas experiências místicas (pouco relatadas por “São Chico”, argumentando que muitas delas eram intraduzíveis em palavras) possibilitavam a percepção de uma interconexão de toda natureza entre si e também com o mundo divino e espiritual. Isto ajudou a compreender o mundo animal em uma renovada ressignificação, que influencia especialmente o pensamento ecológico e ambientalista, pensamento este que possui muita força no mundo contemporâneo do século 21, depois de grandes iniciativas deflagradas ainda no século 20.

Tanto o lado afetivo quanto o racional-espiritual convergem na visão de São Francisco de Assis no que se refere aos animais. Se as experiências espirituais ajudam a criar uma nova razão, ou reforçam aspectos racionais que ao longo do tempo vão se comprovando através da ciência, a relação intrínseca ser humano-natureza fica ainda mais fortalecida no amor e no afeto, na relação emocional entre pessoas, objetos inanimados, vegetação e, claro, os animais. “São Chico” recebeu a dádiva de compreender a natureza para amá-la ainda mais, e esse amor é compartilhado por milhões e milhões de pessoas. Os animais agradecem.