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Protetor das Águas melhora qualidade do Arroio Andréas

Com três anos de execução – dos cinco anos previstos –, o projeto Protetor das Águas já tem a comprovação de melhorias significativas na qualidade da água do Arroio Andréas, em Vera Cruz. As análises laboratoriais realizadas mensalmente pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), com amostras de água coletadas em 20 pontos da sub-bacia, mostram evolução na condição do arroio que abastece a população urbana de Vera Cruz. A análise quanto aos aspectos físicos, químicos e biológicos é feita com base nas definições do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que enquadra os possíveis usos da água em classes. Conforme o órgão federal, a água de classe 1 representa a melhor qualidade, permitindo vida de espécies aquáticas e uso doméstico; e a classe 4 representa a pior qualidade, não permitindo vida e não servindo para uso doméstico, irrigação ou dessedentação de animais.
Por exemplo, em 2011, na implantação do projeto, a água de classes 1 e 2, próprias para uso, representava 44% do total e agora soma 70%, com 26% de acréscimo. E a água de classes 3 e 4, que têm seus usos restritos, representava 56% do total e passou para 30%, com redução de 26% até agora (ver infográfico). Os ótimos resultados se devem ao intenso trabalho realizado, que prevê, entre outras ações, o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), com gratificação financeira para 52 produtores rurais que disponibilizam áreas de terras para a preservação das nascentes.
Segundo o coordenador técnico do Protetor das Águas pela Unisc, o professor-doutor DioneiMinuzziDelevati, a tendência é a melhoria da qualidade da água. “Podemos conferir isso com os resultados obtidos nestes três anos”, constata. “Isto demonstra que o trabalho que está sendo feito está na direção correta”, salienta.
Para os financiadores do projeto – FundaciónAltadis, pertencente ao grupo Imperial Tobacco, e Universal Leaf Tabacos – os bons resultados já apresentados justificam os investimentos realizados no projeto. Segundo o presidente da Universal Leaf Tabacos, Cesar Bünecker, “a melhoria dos indicadores de qualidade da água, em um curto espaço de tempo, demonstra o potencial do impacto positivo do projeto na bacia”. Além do PSA, que é uma opção de geração de renda para os proprietários, ele destaca outros dois fatores que favoreceram alcançar tão significativa melhoria dos indicadores. “Trata-se da conscientização e engajamento dos produtores sobre a importância dos cuidados com a água, além do envolvimento da comunidade local”, explica.
E a prefeita de Vera Cruz, Rosane Petry, acrescenta que a iniciativa denota resultados vindouros através do engajamento e da conscientização dos moradores. “O projeto apresenta duas vias de extrema relevância: melhora a qualidade da água e mostra para as atuais e futuras gerações o quanto a preservação é capaz de transformar”, destaca. A líder do Executivo salienta que a ação vem ao encontro dos investimentos do governo, que investe em obras e, também, em pessoas. 
Com ações previstas até 2015, o Protetor das Águas prevê Pagamentos por Serviços Ambientais em repasses anuais aos produtores integrados, cujos valores foram definidos conforme a área destinada à preservação. A intenção da equipe gestora do projeto – formada por profissionais da Unisc, da Universal Leaf Tabacos e da prefeitura de Vera Cruz – é fomentar o debate com entidades e parceiros visando à continuidade do projeto após 2015.

DEMAIS GANHOS

Outro resultado que vem sendo observado é a recomposição da vegetação e da biodiversidade nas áreas isoladas, pois as cercas construídas totalizam 19 quilômetros e servem para proteção de 127,25 hectares, onde estão localizadas 77 nascentes. Uma equipe de pesquisadores da Unisc está fazendo o levantamento das espécies vegetais para verificar a evolução florestal nas áreas de preservação.

O que já foi feito

– A implantação do Protetor das Águas teve início com visitas às propriedades, identificação das nascentes e áreas ripárias visando à elaboração de diagnóstico situacional técnico. Logo após, foram feitas novas visitas aos produtores para realização de convite de adesão ao projeto seguido de negociação da área a ser destinada à proteção dos recursos hídricos. Depois de assinados os contratos, cada propriedade foi alvo de projetos específicos, envolvendo algumas intervenções de proteção dentre as quais se destacam a construção de 19 mil metros de cerca, e obras de saneamento em cinco fontes utilizadas para consumo humano entre outros usos.
– Para o monitoramento, além das análises da qualidade da água com as coletas mensais, também foi instalada uma estação hidrológica automatizada para verificar a vazão e sedimentos do Arroio Andréas.
– A equipe técnica do projeto visita periodicamente os produtores rurais integrados ao projeto, com atuação conjunta em todas as atividades previstas nos contratos. Até agora, foram feitos três repasses de PSA aos produtores, do total de cinco.
– Em 2012, o Protetor das Águas foi inspecionado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e credenciado a ser certificado pelo Programa Produtor de Águas, desenvolvido pela Agência com o foco de estimular a política de PSA voltada à proteção hídrica no Brasil. Para tanto, o programa da ANA apoia, orienta e certifica projetos que visem a redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural.
– Dentro do objetivo de promover a educação ambiental, em novembro de 2013 foi inaugurado o Espaço de Educação Ambiental na Escola Municipal José Bonifácio, localizada em Linha Andréas. Foram plantadas árvores e arbustos nativos do bioma Mata Atlântica para que sirvam de inspiração à comunidade ao conhecimento teórico e prático da vegetação nativa local.

Carlos Nyland

Análises laboratoriais realizadas mensalmente desde a implantação do projeto de
Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) comprovam o aumento na qualidade da água