LUANA CIECELSKI
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O nome dele é Carlos Moacir de Oliveira. Mas para boa parte da comunidade, ele é conhecido apenas como Doutor Moacir. Médico por profissão, ele atua como clínico e cirurgião geral, porém ele também tem outra fama: a de conhecer e gostar de carros. Especialmente dos modelos antigos.
Até aí, tudo bem. Santa Cruz do Sul é rica de pessoas apaixonadas por carros. O que ocorre, é que o médico procura manter os frutos de sua paixão e ‘hobby’ quase tão escondidos quanto possível, ao ponto de se criarem lendas em torno de seu acervo. Prefere não falar sobre seus carros com muitos detalhes. Prefere não contar quantos possui atualmente, ou quantos já teve. Mas concordou em conversar com o ‘Riovale Jornal’ pra explicar um pouco dessa sua relação de amor com os clássicos.
Segundo Moacir, sua relação com os automóveis iniciou ainda nos primeiros anos de vida, pois ele considera que praticamente nasceu dentro de uma oficina. A de seu pai. Naquela época ele atuava como mecânico em uma oficina própria. Por isso, aos 5 anos Moacir já participava das atividade do estabelecimento. Com o tempo, ele conta que desenvolveu seus conhecimentos sobre carros e aprendeu o ofício.

Porém, foi aos 15 anos que um acontecimento marcou sua vida. Ou melhor, um carro. Um Ford 1928. O clássico surgiu e ele iniciou sua restauração. Foi um trabalho totalmente artesanal, ele lembra, e desde então a paixão por carros nunca mais o abandonou. O Ford 1928? É conservado até hoje pelo médico que o considera como uma peça de valor inestimável.
Pouco tempo depois, Moacir foi para Santa Maria estudar medicina. Entretanto, seu ‘hobby’ não o abandonou. O estudante levou consigo sua maleta de ferramentas e lá, no tempo que dispunha, ele atuava como mecânico e restaurador. E assim, seu conhecimento sobre carros cresceu cada vez mais, e apesar de ele ter se formado em medicina, seu trabalho com os clássicos continuou também.
Hoje ele possui vários veículos de valor histórico e pelos quais nutre um carinho todo especial. Todos eles foram adquiridos quando estavam em más condições, muitas vezes encontrados em velhos galpões onde estavam abandonados. “Por ser filho de mecânico e de taxista, nunca tive poder econômico pra adquirir veículos de preço elevado como é o caso dos já restaurados”, ele explica. Por isso ele os adquire da forma que encontra e os restaura pessoalmente de acordo com sua disponibilidade de tempo. E ele faz tudo: a parte mecânica, funilaria, elétrica, estofamento e tudo o mais que houver em um carro, procurando sempre se aproximar o máximo possível das características originais do clássico.
A quantidade de carros que possui, o médico prefere não revelar, porém deixa claro que possui vários já restaurados e muitos ainda por restaurar. E admite: “durante minha existência não vou conseguir restaurar todos os que gostaria”. Até porque seu trabalho artesanal leva tempo para ser concluído. No mínimo dois anos, ele calcula. Mas normalmente até mais tempo, dependendo das condições em que o carro foi encontrado.
Preferidos? Moacir diz que não saberia salientar sua predileção especial por um ou outro de seus modelos. Mas conta dois fatos dos quais lamenta profundamente: há cerca de 10 anos um veículo foi roubado de seu depósito por ser um carro extremamente raro: apenas 46 exemplares dele existem em todo o mundo. De acordo com suas investigações, hoje o carro já não está no Brasil.
O outro fato que o deixa pesaroso só de lembrar ocorreu em 1970, quando ele ainda estudava. Por questões de necessidade financeira, ele teve que vender um veículo da marca Tryumph, modelo Mayflower do ano de 1951. “Se hoje eu tivesse esse carro comigo, ele seria o meu predileto. Esse dá saudade”.














