Alyne Motta
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Quem chega a uma escola, seja pública ou particular, percebe claramente que existem mais mulheres do que homens ensinando. E a diferença era ainda mais perceptível no dia 24 de fevereiro, quando ocorreu um dia de formação continuada das escolas Ernesto Alves de Oliveira e Goiás.
Cerca de 100 professoras estavam reunidas para discutir assuntos sobre o Ensino Médio Politécnico e o Ensino Fundamental. Deste grupo, cinco eram homens. Embora muitos considerem esta diferença normal, o fato é considerado uma questão cultural e brasileira.
“Desde cedo a educação tornou-se maternal e passou a haver esta discriminação da sociedade no que se refere a homens cursando pedagogia e dando aula para séries iniciais”, explica a mestre em educação, Rosemari Fackin, palestrante no dia de formação continuada.
Ela explica que, na Europa, a educação dos pequenos é dada por mestres e doutores e, aqui no Brasil, eles acabam ministrando aulas no ensino superior. “A principal educação é dada por professoras. Quando os mais qualificados vão ensinar, a formação está pronta”, comenta Rosemari.
De acordo com a mestre, que focou seus trabalhos com professores dos anos iniciais, aos poucos os homens estão criando coragem e ingressando na pedagogia. “Muito preconceito ainda existe, assim como o machismo. Mas acredito que, com a evolução dos tempos, isto mude”, analisa.
Alyne Motta
Encontro de professoras teve cinco homens e a maioria mulheres
DIFERENÇA TENDE A DIMINUIR
Em outras áreas, como no Ensino Médio, a presença de homens é um pouco maior dentro das salas de aula, mas mesmo assim, não considerável. “É necessário que as pessoas tenham conhecimento deste processo histórico, inserido num contexto social”, comenta a pedagoga Suzi Capulo.
“Com ações não intencionais como esta, de somente ter professoras em sala de aula, o educador está criando um sujeito preconceituoso”, acrescenta a pedagoga. Porém, Suzi acredita que esta realidade tende a mudar com o tempo. “O educador já está revendo suas práticas”, avalia.
“O mundo globalizado está dando possibilidades indiscriminadas no acesso à escola. É uma nova cultura que está se formando e tende a ser maior. A escola e, consequentemente, a sociedade vão evoluir”, analisa Suzi. Enquanto as mudanças não ocorrem, elas ainda são a maioria.
NÚMEROS
Segundo dados divulgados pela Universidade de Santa Cruz do Sul, no dia 16 de fevereiro houve a formatura do curso de Pedagogia. Dos 17 formandos, todas eram mulheres. No dia 23 de março haverá a formatura dos cursos de Letras e Matemática, sendo, respectivamente, 24 e 8 mulheres e nenhum homem.














