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Clube União 150 anos de existência

LUANA CIECELSKI
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Tudo começou no dia 10 de abril de 1866. O clima que fazia nesse dia nunca foi anotado. Possivelmente uma temperatura amena de início de outono, talvez um dia de sol. O fato é que dez homens da sociedade santa-cruzense se reuniram na residência da família Trein, um sobrado de dois pisos, na rua hoje denominada Marechal Floriano, onde atualmente existe o edifício Dona Paula, e ali eles deram início a um clube. Denominado inicialmente de “Club Allemão”, hoje é conhecido como Clube União, e nesse domingo completa 150 anos.

Grupo de Bol‹o Agora Vae de 1935

Com o objetivo de reunir amigos para diversão e discussão, entre outras coisas, até mesmo sobre os rumos que a então pequena Santa Cruz estava tomando, o Clube União foi a primeira sociedade fundada por aqui, e também é considerado como o segundo clube a iniciar atividades no Rio Grande do Sul. O primeiro presidente foi Karl von Schwering, que deu início as atividades junto com o tesoureiro Julio Lange e o secretário Guilherme Koch. A primeira sede foi uma sala na casa dos Trein, onde havia sido realizada a primeira reunião. Criteriosos na admissão dos novos sócios, no primeiro ano apenas seis pessoas foram admitidas, totalizando vinte e dois associados.

O primeiro evento do clube ocorreu 16 dias depois da fundação. Foi uma reunião festiva com o objetivo de tomar as primeiras providências relacionadas à associação. Registrou-se que um assado foi feito por Julio Lange, e pratos de salada foram feitos por Hedwig Textor Trein, esposa de Carlos Trein Filho. Nesse ponto, uma curiosidade foi registrada: num primeiro momento, o clube abriria suas portas apenas para homens, porém como já no primeiro evento foi necessária a ajuda de uma mulher, essa decisão foi revogada.

Troca do nome e crescimento

O Clube União passou a se chamar assim dois anos após sua fundação, na ocasião em que o Club Allemão fundiu-se com a Sociedade de Atiradores Santa-Cruzenses (Santa Cruzer Schuetzengilde). Nessa ocasião, 15 novos sócios foram admitidos e o nome foi então alterado para marcar a união dos dois grupos.

Nesse período, de acordo com os registros, o que mais movimentava o clube eram os jogos de bolão que aconteciam em uma cancha fechada localizada na região central da cidade e também os de bilhar. Ambos os esportes davam sustento ao clube. Ainda de acordo com o livro Clube União Testemunha da História, lançado em 2002, a associação também incentivava a música e o teatro, e aos poucos começou-se a realizar os bailes e reuniões sociais como chás que logo se tornaram famosos.

Sedes ao longo dos anos

O Clube União teve, no total, quatro sedes. A primeira delas, como já citado, foi a casa de um dos fundadores, porém, como notou-se um crescimento do número de sócios ao longo dos anos, na década de 1880 começou-se a cogitar a ideia de buscar um novo local. Nesse mesmo período, o construtor Felipe Henrique Schuetz iniciou a obra de um grande prédio na esquina entre as ruas Marechal Floriano e 28 de setembro. Logo considerou-se que esse era um bom local para instalar o clube. E ele funcionou ali por 37 anos.

Em 1919, no entanto, mudou-se novamente para um endereço na rua Julio de Castilhos onde hoje é a Câmara de Vereadores. Ali ela permaneceu até 1933, quando a nova sede, onde o clube funciona até hoje, na rua Marechal Floriano, ficou pronta e houve novas mudanças.

Sede campestre é adquirida

Começou-se a pensar em uma sede campestre em 1976. Mais precisamente no dia 18 de outubro, quando foi escolhida uma Comissão Especial para estudar áreas que pudessem ser adquiridas para a construção de da sede desejada. Determinou-se apenas que o espaço deveria ter entre 7 e 10 hectares.

Imagens das terras onde foi constru’da a Sede Campestre do Clube Uni‹o

O projeto, só começou a sair do papel, no entanto, em 1978. No dia 12 de junho, uma Assembleia Geral foi realizada para decidir sobre a aquisição de terras. Até aquele momento, nove áreas em diversos pontos da cidade já haviam sido visitadas. Por fim, foi escolhida uma faixa de terra na região norte da cidade, pertencente então à Edgar Grüendling, com aproximadamente 8,7 hectares que poderia ser paga com uma entrada e outras 12 prestações que totalizariam Cr$ 1.000.000,00 (cruzeiros). A decisão sobre esse terreno se deu por um motivo específico: a vista era muito bonita.

O plano piloto de construção da sede foi apresentado no ano seguinte, em 1979, pelo arquiteto Mauro Neumaan e foi determinado que todos os presidentes futuros deveriam segui-lo para evitar contratempos. Dentro deste projeto estavam previstos: piscina adulta e infantil, quadras de vôlei, três quadras de tênis, quadras de futebol sete, pista de skate, cancha de bocha coberta, estacionamento e churrasqueiras. Algumas semanas mais tarde também foi definido que até até o fim do primeiro semestre daquele ano, a sede já contaria com água, luz, cercas, gramados e pelo menos 200 árvores plantadas. A sede está em funcionamento até hoje.

Atividades realizadas no Quiosque da sede campestre na dŽcada de 70

Os dezesseis fundadores

Na primeira reunião oficial do Clube União, no ano de 1866, estavam presentes dez pessoas. Porém outros seis homens, que não estavam presentes, mas que prestaram serviços e contribuíram para a fundação foram também considerados parte integrante do grupo. Confira os nomes:

Presentes Na Reunião
– Henrique Eichnberg
– Julius Lange
– Ferdinan Tastch Sobrinho
– Ludwig Trein
– Francisco D’Abreu Valle Machado
– Wilhelm Winterfeld
– Carlos Trein Senior
– Carlos Trein Filho
– Karl von Schwerin
– Wilhelm Koch
Outros
– Julio Eichenberg
– Henrique Filter
– Gustavo Winterfeld
– Henrique Goebel
– Emil Textor
– Herman von Ihering

Galeria dos ex-presidentes

Entre os presidentes do Clube União, sempre estiveram pessoas influentes da sociedade como políticos, comerciantes e até mesmo militares. Não à toa, muitos deles, posteriormente emprestaram seus nomes à ruas da cidade e até mesmo escolas. Confira a lista:

Karl von Schwering
Abrahão Tatsch
Arthur Hermsdorf
Carlos Trein Filho
Georg Eichenberg
Affonso Theo Kothe
Arthur Germano Fett
Egon Francisco Knak
Rolf Bartholomay
Willy Bruno Binz
Ralph Loewenhaupt
Pedro A. Simões Pires
Antônio M. de Borba
Deoclécio Moura
Ottmar Gruendling
Roberto Gruendling Filho
Coronel Alberto Guimarães
José Carlos Pereira
Rubem Martins
Arthur Kliemann
Felipe Becker
Dorval Martins
Rudolf Freudenfeld
Gaspar Bartholomay
Carlos Strohschoen
Guilherme Hildebrand
Teodoro Albrecht
Helmuth Schütz
Frederico Bartholomay
João Pedro Kölzer
Wilhelm Eichenberg
Adalberto Holst
Jorge Hoelzel
Bruno Agnes
Ernesto Stoeller
Nelson dos Santos
Bruno Seidel
Celso Trigo Alvares
Érico Borowsky
Leopardo Santanna
Eolândio Borba
Arcadius Swarowsky
Lauro Brum
Ruy Sperb Filho
João de Andrade Teixeira
Edisson Karnopp
Reno Schuh
Clóvis Luiz Goettert
Carlos Muradás
Paulo Ademir Kern
Ernesto Staeller
Paulo Roberto Guendling Santos
Henrique José Herhardt
Sérgio Luiz Machado
Marcelino Seolin
Valdemir Sizinando
Julio Cezar Tworkowski
Luiz Carlos Dettenborn
Paulo Roberto Araújo