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Universidade: importante engrenagem do ramo imobiliário

Naturalmente os locais onde as universidades se instalam acabam se tornando áreas nobres. O mesmo aconteceu em cidades como Caxias do Sul, por exemplo. Bairros que, após a instalação de instituições de ensino superior, passaram a outro patamar social e econômico e ganharam impulso na valorização dos imóveis. Estes lugares acabam chamando a atenção dos investidores para a construção de prédios residenciais e comerciais, além da instalação de empresas prestadoras dos mais diversos serviços.
Segundo o presidente da Sociedade das Empresas Imobiliárias de Santa Cruz do Sul (Seisc), Gabriel Haas de Borba, toda a área educacional em Santa Cruz do Sul tem um papel importante na economia do município, principalmente no ramo imobiliário. “A Unisc, por ser a instituição mais antiga, é a maior impulsionadora deste processo. No entanto, há a Faculdade Dom Alberto, também na área de ensino superior, e muitas outras escolas que oferecem cursos técnicos na cidade. Todas elas são muito importantes para o constante aquecimento deste mercado”, analisa.
Segundo o presidente da Seisc, com o passar do tempo, os imóveis começaram a ser planejados de acordo com o perfil do universitário. “No bairro Universitário, por exemplo, a demanda acaba incentivando os investidores a desenvolver apartamentos e casas adaptados a este público. A maioria dos imóveis são lofts, JKs, com um ou dois dormitórios, ou seja, mais compactos para atender a esta massa populacional”, aponta.
Conforme Gabriel, os investimentos no Bairro Universitário nos últimos anos têm acontecido em vários segmentos. “Por estar entre a Unisc e a RSC 287, o local é extremamente valorizado. Nos últimos anos, principalmente após a instalação da universidade, houve um crescimento significativo nos empreendimentos comerciais e prestadores de serviço, como bancos, lancherias, supermercados, conveniências, postos de gasolina, entre outros. Pequenos, médios e grandes investidores apostam e pretendem continuar investindo no local em função do crescimento da instituição”, assegura.
As locações para estudantes obtém uma grande parcela dos aluguéis de apartamentos e casas no município, conforme Borba. “É difícil quantificar, mas posso afirmar que o volume de imóveis locados por universitários é muito grande. Na imobiliária que eu gerencio, a Borba Imóveis, os requisitos são os mesmos para todos os locatários, mas observamos que o processo de locação para estudantes ocorre de uma forma diferente. Geralmente eles vêm com os pais, que servem de fiadores, e quase sempre são estes que pagam os aluguéis”, comenta.
Ao contrário do que muitos pensam, segundo o presidente da Seisc, os meses de janeiro e fevereiro são bastante movimentados neste mercado. “Nesta época os estudantes já fizeram vestibular, muitos já estão até matriculados, e querem se antecipar para quando iniciarem as aulas já estarem instalados”, relata. Gabriel ressalta, também, que muitos universitários depois de formados permanecem na cidade, conseguem um emprego e, consequentemente, acabam alugando ou comprando um imóvel.
Segundo Borba, o valor da locação dos imóveis no Bairro Universitário é um pouco mais elevado. “Isso se explica por diversas razões. É uma região considerada nobre, mais segura, de fácil acesso à universidade, possui dezenas de empresas comerciais e prestadoras de serviços, ou seja, é difícil uma pessoa precisar sair daquela região, pois tem praticamente tudo ali: escola, banco, mercado, posto de saúde, enfim, é como se fosse um segundo Centro”, frisa.

Everson Boeck

Aumento do número de investimentos em construções domiciliares em áreas
próximas à Unisc comprovam o aquecimento do setor em razão da universidade

Pesquisa confirma impulso do setor

O relatório de pesquisa realizado ano passado pela Unisc sobre o impacto socioeconômico da Apesc comprova que a evolução do ramo imobiliário no município está ligada ao desenvolvimento da universidade através de sua mantenedora. O estudo mostra que a maioria dos entrevistados (cerca de 2.100) respondeu que atualmente residem em Santa Cruz do Sul, ou seja, 1.441 responderam que passam a maior parte do mês no município. Questionados sobre seus locais de moradia antes do vínculo com a Apesc, apenas 973 moravam em Santa Cruz do Sul, sendo que 678 residiam em outro município do Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari, 478 em outro município do Rio Grande do Sul e 19 fora do estado.
A partir da comparação dos números, percebe-se que aumentou o número de pessoas morando em Santa Cruz do Sul, que possuem algum vínculo com a Apesc. Enquanto isso, tanto o número de pessoas que viviam em outras cidades dos Vales do Rio Pardo e Taquari e do Rio Grande Sul como um todo, quanto as que viviam fora do Rio Grande do Sul diminuíram. Portanto, há indicativo de um número significativo de migrações devido à Apesc. Os autores do estudo destacam que a amostra que respondeu o questionário, apesar de suficiente representa muito pouco no universo da Apesc.
Assim, confirma-se a possível migração de pessoas, especialmente em Santa Cruz do Sul, onde a Apesc possui maior dimensão e mais tempo de existência. Logo, o relatório diagnostica que o impacto da Apesc na migração de pessoas/famílias provavelmente é muito maior do que o apresentado na pesquisa, com base no questionário aplicado.
Além disso, os números também mostram que muitas pessoas não teriam vindo para as cidades onde há a Apesc, mais especificamente Santa Cruz do Sul. Os entrevistados também foram questionados caso a mantenedora não existisse, onde provavelmente eles estariam residindo. Apenas 716 estariam trabalhando/estudando em Santa Cruz do Sul, 868 estariam em outros municípios do RS, 67 estariam fora do RS e 149 não estaria trabalhando/estudando. Em outras palavras, mais de 52% das pessoas que responderam não estariam estudando/trabalhando nos municípios que estão hoje se a Apesc não existisse.
O impacto negativo nessas cidades seria muito grande, já que isso representaria perda de mão de obra e, consequentemente, de consumo. Tem-se ciência que esta questão é subjetiva e vaga, de forma que é impossível saber o que teria acontecido se a Apesc não existisse, contudo ela é válida no sentido de tentar compreender onde essas pessoas poderiam estar quando se leva em conta essa hipótese.

> Os dados contábeis referentes à APESC foram obtidos junto à Pró-Reitoria de Administração. Em relação aos dados dos docentes, técnicos, funcionários e alunos da APESC, foi aplicado um questionário eletrônico onde cerca de 2.100 pessoas participaram. Através desse questionário, tinha-se o intuito de obter os números necessários para verificar o impacto da APESC no consumo das pessoas e famílias, além de identificar os demais setores nos quais a APESC impacta e vice-versa.

Gráficos

> Local de residência anterior ao vínculo com a Apesc

> Município de residência atual

> Local de moradia se não existisse a Apesc

Expediente
Textos: Everson Boeck
Material Histórico: do libro “Unisc: a construção de uma universidade comunitária” de Maria Kipper, Elizabeth Rizzto e Olgário Vogt
Edição: Alyne Motta
Diagramação: Richard Maas
Este material foi elaborado com informações do livro “Unisc: a construção de uma universidade comunitária”/ de Maria Hoppe Kipper, Elizabeth Pires Rizzato, Olgário Paulo Vogt. – Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.