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Tabaco | Brasil mira expansão no mercado europeu

Acordo Mercosul-UE prevê redução gradual de tarifas sobre o tabaco brasileiro

Thesing, do SindiTabaco: processo gradual abrirá espaço para novos negócios
Foto: Felipe Krause/Pixel18dezoito

O anúncio do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia abre novas perspectivas para o agronegócio sul-americano, com destaque para o tabaco. A medida prevê redução progressiva das tarifas de importação até a eliminação total dos impostos, o que pode ampliar a competitividade do produto brasileiro no mercado europeu, responsável por mais de 30% das exportações nacionais do setor.

Segundo o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, o acordo corrige uma distorção histórica. “Atualmente, os principais concorrentes do Brasil nas exportações de tabaco são países africanos que já se beneficiam de isenções tarifárias no acesso ao mercado europeu. Nos últimos anos, Maláui, Tanzânia e Zimbábue ampliaram de forma consistente sua produção, o que reforça a necessidade de o Brasil reduzir assimetrias comerciais para preservar e ampliar sua participação no bloco europeu”, apontou.

Dados do ComexStat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que em 2025 a União Europeia importou do Brasil US$ 1,12 bilhão em tabaco, o equivalente a quase 204 mil toneladas. O bloco se mantém como um dos principais destinos das exportações brasileiras do produto. Com a assinatura do acordo, o Brasil deverá competir em condições mais equilibradas com os países africanos, reforçando sua posição como fornecedor confiável e de alta qualidade, dentro do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT).

Apesar da expectativa positiva, Thesing alerta que os efeitos não serão imediatos. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos de Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil. “A desgravação (redução progressiva das tarifas de importação) do tabaco manufaturado é de quatro anos, e a do tabaco não manufaturado, de sete anos”, explicou. Para o dirigente, o processo gradual trará benefícios ao setor e abrirá espaço para novos negócios, fortalecendo a presença brasileira no mercado europeu.