
Fotos: Fabrício Goulart
Fabrício Goulart
[email protected]
Em um ramo tradicionalmente associado ao trabalho masculino, uma equipe majoritariamente feminina tem conquistado espaço e reconhecimento em Santa Cruz do Sul. Na Sapataria Santa Cruz, seis mulheres e apenas um homem exercem as atividades manuais características da atividade. À frente do negócio está a empresária Ana Cláudia Eichelberger Schmidt, 37 anos, que transformou a trajetória profissional dentro da empresa em uma história de empreendedorismo.
Natural de Passo do Sobrado, Ana Cláudia começou na sapataria há 10 anos, como funcionária. A oportunidade de assumir o negócio surgiu depois que o antigo proprietário, Julio Cesar da Cruz, decidiu se aposentar e ofereceu o ponto. Hoje, há quatro anos e quatro meses como proprietária, comemora o crescimento do empreendimento. “No começo, percebemos que havia um certo receio por causa de sermos mulheres. Mas sempre nos dedicamos para fazer o melhor possível”, pontua.
Localizada na Rua Coronel Oscar Rafael Jost, 973, no Bairro Santo Inácio, a sapataria já tinha uma longa história na cidade. O antigo dono permaneceu à frente do negócio por 51 anos. A mudança de gestão, no entanto, trouxe algumas inovações que agradaram a clientela. Uma delas foi a informatização dos processos, que antes eram feitos manualmente. “Hoje conseguimos localizar rapidamente o serviço de cada cliente no computador. Antes, era preciso procurar nas prateleiras e conferir um por um”, explica.
Outra transformação ocorreu no próprio ambiente do estabelecimento. Ana Cláudia promoveu mudanças no layout para deixar o espaço mais claro e organizado, além de ampliar a oferta de produtos à venda, como meias, cadarços, cintos e chinelos. A organização também se tornou um diferencial no atendimento. Os itens recebidos são separados por categorias e identificados de forma prática, o que agiliza o trabalho e facilita a rotina da equipe.
Embora hoje o negócio conte com um homem na equipe, até poucos dias atrás o grupo era formado exclusivamente por mulheres. Para Ana Cláudia, a presença feminina tem contribuído para um cuidado maior com detalhes e acabamento. “É uma equipe maravilhosa, com muita responsabilidade”, afirma.
Segundo a empresária, clientes costumam se surpreender ao perceber que a maior parte do trabalho é realizada por mulheres. “As pessoas chegam e se admiram com a organização do espaço e com o trabalho feito aqui. Sempre são muito respeitosas”, relata.
O movimento também impressiona. Nos meses de inverno, quando o conserto de calçados aumenta, a sapataria chega a atender cerca de 1,5 mil clientes por mês e ultrapassa 3 mil serviços realizados no período. Mesmo sem investir em publicidade, o negócio continua crescendo principalmente pela indicação do público. Para Ana Cláudia, a trajetória junto ao negócio representa também uma transformação pessoal. “Sair da posição de colaboradora para proprietária muda completamente o olhar sobre a empresa. Hoje me sinto realizada”, afirma.

Da costura ao conserto de calçados
A rotina dentro da sapataria também transformou a trajetória profissional de Veranice Eckhardt, de 40 anos, moradora de Linha Santa Cruz. Ela já trabalhava como costureira, mas ao chegar ao negócio decidiu encarar o desafio junto à reforma de calçados. “No começo foi bem desafiador aprender a lidar”, relembra.
Segundo ela, o trabalho exige atenção e delicadeza em cada etapa. Entre as tarefas estão a aplicação de cola, lixamento, aquecimento do material e acabamento das peças – um processo que demanda técnica e paciência até atingir o resultado ideal. “Eu adoro fazer o que eu faço”, afirma.
Além dos consertos tradicionais de calçados, ela conta que o trabalho também reserva situações curiosas. Clientes costumam trazer pedidos diferentes, como capas para objetos e outros itens personalizados. “Às vezes chegam coisas inusitadas e a gente precisa usar a criatividade”, comenta.














